FAZES-ME FALTA
Não recordo muito bem o olhar.Talvez nunca tenha conseguido segurá-lo no meu.
As mãos...sim. Sinto-as ainda. Delicadas, atentas, carinhosas, infinitamente ternas, capazes de perscrutar a mais subtil mudança. Às vezes, muitas, "vendo" fundo o que as palavras calavam para não angustiar o seu coração ou ver aquele olhar sofrido.
Habituadas ao trabalho, gastas no amor aos demais, nem agora as suas mãos descansavam. Apenas o tempo a quem a luz deixou de iluminar, lhes deu uma outra cor, um outro toque, macio, aveludado. Excessivamente pálidas, eram elas os olhos que me viam pálida, triste, preocupada.
Quanta doce saudade!