Os livros da EDITORIAL 100


Título: Conta Avó... Conta...   (Por terras de Mesão Frio)-     Autora: Adélia Barros


           

 

audiovisual dedicado a Adélia Barros /4/2008      Pinturas de Adélia Barros

 


Em plena Primavera, a vinte e nove de Abril, numa grande casa de quinta da freguesia de Vilamarim, concelho de Mesão Frio, desabrochou mais uma flor no jardim da vida. De nome próprio, Adélia, Cabral de Barros de seus pais. Formou-se na Escola do Magistério Primário de Vila Real. Exerceu a profissão durante catorze anos nas aldeias de Vilamarim e Barqueiros, freguesias do seu concelho. Mudou-se para as grandes cidades para que seus filhos pudessem estudar. O grande amor às suas origens inspirou-a na descrição destas crónicas, alimentando a esperança de ficarem perpetuadas na memória de quem as ler. Também publicou o livro de poemas: Vendaval de afectos e sonhos.


Crónicas - ISBN: 978-972-8843-66-3     Editorial 100, Vila Nova de Gaia, 2008, 82 p.  Preço com IVA: 12,60 €


Apreciação e comentários:

 

"Conta Avó Conta".


Foi esta a chave que desde cedo despoletou o meu interesse pelo Douro.
Contos e estórias que são como autênticas viagens pela mágica e calorosa convivialidade dos durienses, sempre bem guiadas pela mão da minha avó.
Nunca é tarde para viver, para perseguirmos os nossos sonhos... para se publicar um livro. A minha avó nunca desistiu desta sua vontade e está assim cumprido um dos seus sonhos.

                                                                                                                                                                                Bruno Quintela


"Poderá dizer-se que este é um livro de recordações. Um livro que revive tempos idos, episódios duma vivência passada, costumes, tradições que nos dizem muito da gente do Douro, ignorada por tantos, apesar da sua vida tão típica e laboriosa.
Mas, acima de tudo isso, o que eu vejo nestas crónicas é um sentimento muito forte, o sentimento de alguém que amou e compreendeu aquele povo, aquela terra e que o transmite numa série de quadros de grande riqueza etnográfica, de tal maneira que nos faz sentir presentes nessas narrativas, como se fizéssemos parte delas."

                                                                                                                                                                                Maria Natália Correia


 

Excerto do livro


OS PINHÕES DE NATAL

 

 

Dezembro chegara. O Inverno aproximava-se. Os frios gelados, próprios desta época, instalaram-se definitivamente.

Na lareira da nossa casa, logo pela manhã, se acendia uma grande fogueira que só se apagava depois de todos se deitarem. À volta dessa fogueira e à luz do candeeiro a petróleo ou de velas ou então da candeia de azeite, eu preparava os meus trabalhos da escola, enquanto a minha Mãe, ajudada pelas empregadas, cozinhava a ceia nos tradicionais potes de ferro de três pernas.

Como aquelas refeições eram deliciosas comidas ao calor da lareira! Tinham um sabor característico e tão diferente que ainda hoje me recordo desse paladar!

Os dias iam passando e o Natal aproximava-se. Tínhamos de pensar no Presépio. As figurinhas de barro, embrulhadas em jornal, repousavam numa caixa de cartão, desde o ano anterior. Era preciso musgo que tínhamos de ir arrancar das paredes húmidas com a ajuda duma faca velha. Carregávamos também algumas pedras para fingir os montes. Um espelho no meio do musgo imitava um lago onde colocávamos uns patinhos de vidro. Uns galhos de árvores eram espetados no musgo e ladeavam os caminhos de areia que conduziam os Pastorinhos e os Reis Magos até ao Presépio de palha em que dormia o Menino velado por Sua Mãe e S. José.

No alto da cabaninha que abrigava o Presépio, brilhava uma estrela que guiava os pastores e os Reis Magos.

Durante muitos anos da minha infância e adolescência, o Pai Natal não conseguiu encontrar os caminhos da minha aldeia e da maioria das aldeias do nosso País. Por essa razão nem eu, nem muitas e muitas crianças encontrávamos algum presente debaixo da chaminé, na manhã do Dia de Natal. Apenas alguns figos secos e pouco mais.

Mas nem por isso deixávamos de festejar com alegria essa quadra. Havia jogos simples, simples como nós crianças, que nos entretinham nessa noite. Era o jogo do Rapa e o Par e Pernão.

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