Os livros da EDITORIAL 100


Título: Vendaval de afectos e sonhos   -     Autora: Adélia Barros


           

 

audiovisual dedicado a Adélia Barros /4/2008      Pinturas de Adélia Barros

 


Adélia Cabral de Barros

Nasceu em Vilamarim - Mesão frio

Aí fez a instrução primária, cursou o liceu em Lamego e a Escola do Magistério em Vila Real.

Cresceu e brincou rodeada de muito amor, no meio de belas paisagens bucólicas.

O campo e a vida quotidiana das pessoas rurais sempre exerceram um enorme fascínio no seu imaginário.

A musicalidade dos pássaros e da água brotando das fontes dotaram-na duma sensibilidade desmedida e duma emotividade sem limites. Daí a inspiração para escrever e pintar.

Também publicou o livro de crónicas: Conta Avó... Conta.... (Por Terras de Mesão Frio)


Poemas - ISBN: 978-972-8843-67-0     Editorial 100, Vila Nova de Gaia, 2008, 114 p.  Preço com IVA: 12,60 €


Apreciação e comentários:

 


 

"Dotada de uma enorme sensibilidade e de uma fértil imaginação, a autora fez-nos comungar, ao lermos os seus poemas, nos seus sentimentos, sentimentos esses que ora nos levam a pensar nas realidades, quantas vezes cruéis, de certas existências, ora nos fazem admirar as belezas da Natureza que ressaltam dos seus versos, tais quadros cromáticos.
A autora, que já tem traduzido em telas as paisagens que a encantam, vem aqui mostrá-las novamente, agora em palavras que nos deliciam.
Mas, neste livro, perpassam ainda a saudade, a memória de um horizonte passado, onde se juntam uma meninice e uma mocidade felizes expressas em poemas, ora risonhos, ora melancólicos, que nos perdem e sensibilizam os nossos corações."   

                                                                                                                                                                                Maria Natália Correia


 

Excertos do livro


Aquela janela...

 

Sempre que passavas na rua

Eu espreitava atrás das cortinas

Da minha janela.

Via-te passar pressuroso

A caminho do trabalho.

Invadia-me um indómito desejo

De correr as cortinas,

Abrir de par em par

Minha janela

E gritar com todas as forças:

Pára, espera-me, porque eu vou descer.

Mas uma mão invisível segurava-me

E uma voz surda segredava-me:

Não faças isso, não fica bem.

És uma menina de família.

E eu adiava mais uma vez

A satisfação do meu desejo.

........

Os dias passavam.

A medo desviava um pouco a cortina

E olhava enternecida

Aquela silhueta que me fascinava.

Com alegria constatava

Que o meu ídolo também,

Sempre que passava

Sob a minha janela,

Parava, olhava e sorria-me.

.......

Este gesto que me enternecia

Deu-me a coragem

Que há tanto tempo

Estava agrilhoada no meu peito.

..........

Manhã de Sol.

As aves chilreavam nos ramos das árvores.

O chafariz do jardim

Impulsionava os seus jactos de água

Com mais força do que habitualmente.

As pessoas que todos os dias

Passavam apressadas na minha rua,

Naquele dia pareciam não ter pressa.

......

E eu lá estava no meu posto de vigia.

Mas desta vez de cortinas corridas

Com a janela escancarada.

E debruçada no peitoril

Em jeito de desafio a todos os preconceitos

Que me tinham mantido silenciada

Durante tanto tempo,

Esperando ver assomar

O impulsionador dos meus desejos mal contidos.

.....

Quando chegou, olhou-me

E parou como habitualmente.

Desta vez nenhuma força invisível me deteve.

Acenei-lhe e pedi que me esperasse.

Desci, duas a duas, as escadas.

Transpus a porta de entrada da minha casa

E corri ao seu encontro.

....

Peguei-lhe na mão,

Ele enlaçou-me com seus braços fortes.

Beijei-lhe a face,

Ele apoderou-se dos meus lábios.

E um beijo doce e prolongado

Premiou toda aquela longa espera

Que me trouxe tanto tempo ansiosa.

....

Para quê palavras?

Aquele abraço, aquele beijo,

Tanta ternura à mistura,

Selaram um amor

Há tanto tempo sentido

Mas que só agora ganhou forma.

...

Bendito seja o AMOR!...


Deixa-me dizer-te...

 

Deixa-me dizer-te

Que tenho saudades

Daquelas conversas

Que tínhamos pela noite dentro

Quando me contavas

Como passaste o dia.

Deixa-me dizer-te

Que sinto falta daqueles tempos

De que eu tanto gostava.

Deixa-me dizer-te

que sinto falta de estar contigo,

De como me falavas das tuas alegrias

E fazias de mim tua confidente.

Lembro-me do teu humor,

Por vezes bem difícil.

Tenho saudades

De quando tu, num rompante,

Me ferias a alma,

Mas logo a seguir

Me lambias as feridas

De uma discussão mal digerida.

Deixa-me dizer-te

Que sinto falta

De quando tu apaziguavas

Os meus estados de alma.

Como foi possível

Que o teu espaço

Se desintegrasse do meu espaço?

Que tudo se desmoronasse

Tão drasticamente

E não restasse nada

Desse carinho,

Dessa forte ligação

Que prendia teu espírito ao meu,

Desse amor que sempre nos uniu?

Desses laços que eu atei

Com tanta força e sacrifícios

E que tu desataste,

Sem dó nem piedade,

Sem pensares como isso

Dilacera minha alma

E deixa em cacos

Este coração que continua

A amar-te sem conta nem medida!

 


Entrevista a Adélia Barros

A propósito da publicação dos seus livros: Vendaval de afectos e sonhos e Conta Avó… Conta… , Editorial 100, 2008

 

Infância

A minha infância foi de intensa felicidade na companhia de meus pais, irmãos e amigos com quem brincava. Cresci livre entre campos e vinhedos, alimentando-me de produtos naturais criados e colhidos na quinta onde vivia. Trepava às árvores para colher a fruta. Quando atingi a idade escolar, lá fui eu de batinha branca e um banquinho para me sentar na escola, porque as carteiras não chegavam para todos os alunos.

Nesses tempos, muito boa gente tratava as crianças por “inocentes”. Mas apesar de tudo éramos crianças felizes, alegres, cantávamos, dançávamos, jogávamos à macaca, sentávamo-nos na soleira das portas a comer a merenda e a fazer os trabalhos de casa.

As mães não nos iam buscar à escola, éramos entregues a nós próprias, porque não havia os perigos que há hoje.

 

Aldeia

A minha aldeia - Vilamarim – fica situada nas faldas da serra do Marão e tem os pés banhados no rio Douro. A verdura dos campos, as flores silvestres, as árvores frondosas que povoam as matas ,espalham no ar um perfume especial que ainda hoje tenho a impressão que o sinto.

 

As personagens da minha aldeia

As pessoas da minha aldeia, eram pessoas simples e inocentemente felizes, porque o regime daquela época habilmente lhes impunha que o conhecimento da trilogia :Deus, Pátria e Família era o suficiente e não lhes interessava que bebessem sabedoria, especialmente as mulheres nascidas para serem mães e submissas aos maridos.

Eram trabalhadores, dum modo geral .

 

Luta e Amor na vida

O tema: Luta e Amor na vida, faz-me reflectir na minha vida desde a mais tenra idade até á que tenho hoje.

Quando pequena apenas procurava alguém para brincar. Na puberdade, o único desejo era que reparassem em mim. Na adolescência queria apaixonar-me loucamente. Na idade adulta apenas procurava alguém que me completasse, que me fizesse sonhar, que acordasse comigo sempre com um sorriso nos lábios. Pensando bem, em todas as idades a vida é uma luta constante para conseguirmos alcançar a felicidade e o amor na vida.

Nunca desisti de lutar: umas vezes era derrotada, outras era vencedora, mas valeu a pena viver até hoje.

 

Neta, filha, mãe e avó

Conheci todos os meus avós. Os maternos e a avó materna perdi-os ainda na infância, mas lembro-me muito bem deles e como eles me acarinhavam. Meu avô paterno, perdi-o aos vinte anos na véspera do nascimento do meu primeiro filho. Tenho recordações maravilhosas desse avô bondoso, carinhoso, sempre presente e muito justo .Era um santo homem.

Como filha fui muito amada e amei-os muito. Devo-lhes tudo o que sou. Foi com muitos que me deram o curso. Lutaram sob o ponto de vista monetário e tentando ultrapassar todos os preconceitos que vigoravam nesse tempo que as mulheres não precisavam estudar, pois tinham nascido para mães e esposas dedicadas e submissas. Amei-os muito e recordo-os com muita saudade.

Como mãe e avó, tenho consciência do dever cumprido. Mas para falar de mim será melhor que o façam os meus filhos e os meus netos.

 

O rio Douro

O rio Douro passa vaidoso aos pés da minha aldeia. Todos os dias o contemplava do alto do Miradouro. Sonhava como devia ser grande o mar que esperava de braços abertos pelo meu rio. Lembro-me da primeira vez que vi o mar e a foz onde os dois se abraçavam. Fiquei fascinada.

 

Ilusões, sonhos, esperança e realidade

A vida é composta de ilusões, de sonhos, esperança e realidade. É certo que não podemos viver de ilusões, mas podemos sonhar, porque quem não sonha é porque perdeu a esperança. E como a esperança é a última a morrer, façamos força e teremos a certeza que os sonhos se tornarão realidade.

 

Ser criança

Eu amo as crianças. Quando me junto com elas sinto-me criança também. Serei criança até ao fim, porque Deus disse : Deixai vir a mim as criancinhas!

 

Viajar

Viajar é um prazer redobrado. Dá-nos conhecimentos sobre outras culturas, outros costumes e outras gentes. Dá-nos vontade de viver para repetir essas experiências.

 

Pintar e escrever

Pintar e escrever são duas actividades que me são muito queridas. Não sei dizer qual delas me dá mais prazer. Pegar numa tela e a pouco e pouco fazer nascer uma obra que irá deixar transparecer as minhas alegrias, usando cores alegres ou as minhas tristezas usando cores mais escuras.

Escrever um poema ou uma crónica, aliviam minha alma e enchem meu coração de emoções.

 

Leitura

Ler desde muito pequena foi uma paixão. Sempre li muito, todo o género de leitura. Creio que este gosto pela leitura originou esta vontade de escrever.

 

Comunicar

Sou uma pessoa muito comunicativa e com um espírito muito aberto. Sou optimista por natureza, encaro tudo com esperança e procuro tirar partido até das adversidades. Faço amizades com facilidade embora com algumas reticências. Este meu espírito tão aberto por vezes já me tem trazido alguns dissabores. Mas procuro ultrapassá-los.

 

Entre a vida e a morte

Eu adoro a vida e penso na morte, não com medo da morte, mas com pena de deixar de viver de deixar quem amo e tantas coisas bonitas de que gosto.

 

Experiência docente

A minha experiência como professora foi duma importância enorme na minha vida. Com o passar dos anos tornei-me mais humana, mais tolerante, mais humilde e mais criança o que me tornou muito mais feliz.

 

A net

Desde que o meu neto me convenceu a comprar um computador e me ensinou a usá-lo nunca mais deixei de fazer dele um instrumento  muito útil. Ajuda-me nas horas em que estou só e enriquece os meus conhecimentos. Permite-me um contacto mais directo com os meus netos e amigos.

 

Contar

Adoro comunicar com as pessoas e compartilhar com elas as experiências vividas. Tenho prazer em contar, sinto que enquanto conto, vivo de novo o que me emocionou. Quero continuar a viver para continuar a contar.

Comunicar aos outros o que me emocionou o que me fez vibrar dá-me ânimo para continuar a ser eu mesma.

 

Poema ou crónica

Entre escrever um poema ou uma crónica há uma emoção diferente:

Quando escrevo uma crónica ,emociono-me, porque estou revivendo situações que me fizeram muito feliz. Quando escrevo um poema, extravaso os sonhos que povoam a minha imaginação e os afectos que enchem a minha alma.

 

Publicar

Quis publicar estes dois singelos livros por duas razões: para deixar uma lembrança na memória dos meus familiares e amigos e por uma satisfação pessoal.


Índice

 

 

Poesia 7

Meu neto Bruno 8

Ao meu neto João 9

Para a minha neta Daniela 10

Para ti, Nena 12

Outono 13

Mar da Terceira 14

Desejo 15

Para os meus amigos de S. Bernardo 16

Perfume para uma flor 17

Convívio com os meus alunos em S. Paulo 18

Amor no Verão 21

Alegria no Amor 22

Fim de semana em Sortelha (1996) 23

Para ti Mariana 24

Para ti Filó (2006) 26

Natureza é sempre música 27

Excursão à Terceira-Açores 2003 28

Quadras a S. João 2007 30

Inauguração do Centro Social de Vilamarim 31

Aniversário do Dr. Sérgio 1/04/2005 33

A Lua dos amantes 34

Eu sou o mar 35

As flores são o meu espelho!... 36

Elogio da Mulher 38

Saudade 39

A ti meu Pai 40

Voar 42

Pensamentos 43

Ai se eu pudesse!!! 44

Janela indiscreta 45

As dálias da minha Mãe 46

Rosas 47

14 de Setembro de 2007 48

O meu Outono 49

Boneca de papelão 50

Recordar olhando o rio 52

Meu Mesão Frio 53

Tricotando 54

Ser Amigo é: 55

Rosa vermelha é AMOR 56

Ser Avó é... 57

De palhaço todos temos um pouco... 58

Vindimas -Tempo alegre 59

Meu companheiro de há vinte anos 61

Quentes e boas 62

Mimosas 63

A filha desejada 64

Poesia dedicada à Teresinha 67

Homenagem á Tia Assunção - «Titi» 69

Menina Traquina 70

Meus primeiros dias de escola 71

O enterro do canário 73

Amei-te 75

Nunca será tarde... 76

Por todos os lugares por onde passo... 77

Quando num sonho... 78

Os amantes do Universo... 79

Aquela janela... 81

Os olhos do meu ... Amor 83

Não dei pelo tempo passar... 84

Teu amor é como um rio... 86

Deus fez tudo tão perfeito... 88

Nunca perder a Fe... 90

Caminhando na areia molhada... 92

De volta à praia... 94

Olhando o céu 96

Deixa-me dizer-te... 98

Borboleta feliz... 100

Queria ter asas... e voar 102

Aos meus filhos... 104

Grito de revolta... 107

Indiferença... 109

Hoje o céu está mais azul... 110

Olhei o mar... 111

 


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