Os livros da EDITORIAL 100


Título: Talvez Te Escreva    -     Autora: Filipa Barrote de Sá


Narrativa  - ISBN: 978-972-8843-59-5  -     Editorial 100, Vila Nova de Gaia, 2007. 92 p.  Preço com IVA: 12,60 €


   
 


Audiovisual de Diego Martínez Lora dedicado a Filipa Barrote de Sá

Filipa Barrote de Sá I       Filipa Barrote de Sá II     Desenhos de Filipa Barrote de Sá


Nasci no Porto no dia 2 de Abril de 1970, mas o Bilhete de Identidade afirma que nasci em Rio Tinto. Os primeiros cinco anos desta vida vivi-os no Porto, depois fui para Gaia, onde criei amigos que ainda mantenho.

Tenho dois irmãos e trinta e sete primos direitos e uma infância sem tristezas, graças ao contacto pele com pele com a natureza, desde subir às árvores, correr em cima de muros de xisto e saborear uma maçã acabada de desprender de um ramo e o sal do mar. Tive muitos arranhões tatuados nos joelhos, cotovelos e palmas da mão.

O fascínio pelas artes cedo me atacou. Lembro-me de querer escrever nas teclas pretas e brancas do piano da casa dos meus avós, desenhar e aplicar palavras quase à sorte em fi nas placas de troncos de árvores. Quis ser bailarina também.

Um dia quis ser cabeleireira e veterinária. Nunca aprendi nenhuma das tarefas.

Um dia fui para a escola, onde as palavras já começavam a fazer sentido. Nunca fui boa aluna, mas alguns professores apreciavam o que exorcizava no papel, aconselhando muitas vezes a percorrer o caminho da criatividade. Acreditei neles. Nunca fui boa aluna, mas arrisquei as Belas Artes e Faculdade de Letras,

na qual frequentei o Curso de Filosofia, mas na tentativa de mudar para História da Arte. Passei pela Faculdade como um rio que acaba depressa no mar. Nunca me apeteceu assinar “Dr.ª” nos cheques.

A minha vida profissional sempre foi um Talvez constante: trabalhos precários, recibos verdes, à experiência, sem contratos, sem remuneração, patronato mal formado, secretária, vendedora de loja, promotora de vendas, e acima de tudo especialista na procura de emprego. O papel que despendi toda a minha vida para Curriculum Vitae serviria para recriar o Talvez Te Escreva quinhentas vezes.

Fui-me escapulindo em cursos remunerados pela União Europeia, pois pretendo acumular meios e conhecimentos para criar a minha própria empresa. Um “Talvez” em busca de uma melhor certeza.

Publiquei dois textos, um no Notícias Magazine e outro na NS, nas páginas dedicadas à opinião do leitor. Participei num concurso chamado “O Meu Primeiro Best Seller” e apenas me foi entregue uma esferográfica no sentido de incentivar a não desistir. Também expus alguns quadros no IPJ de Viana do Castelo.

Fiz algumas viagens pela Europa, adorei Veneza mesmo com o denso nevoeiro a entranhar os ossos.

 

Maria Filipa Barrote Gonçalves de Sá

 


Excertos do livro


CÃO BASTARDO

O meu cão é pai. Não me disse nada…eu que sou madrinha, mãe, avó, irmã, pai, avô, consultora, advogada, e o moço não diz nada!!! O petiz cão tem os olhos do avô e os dedos mindinhos da cunhada pela parte do irmão bastardo. Soube a partir do rigor e profissionalismo abençoado dos nossos estimados e inteligentes jornalistas que afinal não tem filho algum o meu bobi… pois não! O gajo ladrou até ao canil municipal, e depois uma cadela vadia qualquer, uma apaixonada aclamou maternidade ao meu puro e inocente animal, esse imaculado, que roubou o próprio rebento do juízo inicial sem provas de ADN, sem provas de vulto acto, sem provas de clímaxes, sem nada!!! Eu sou advogada e juíza, mas ninguém sabe que o meu cão foi achado e encontrado por quem não o queria encontrar. O pai do meu cão é genro da nora do tio em terceiro grau da minha tia.


JORNALISTAS

Querido meu amor,

Amor, afinal o nosso cão é um gato! A tua sogra enganou-nos quando nos disse que o neto dela tinha tido uma ninhada de um cão. Ó amor, agora não sei que faça…ainda ponderei, sei lá, queimá-lo sem querer com óleo de fritar chouriço, ou com a ponta de um cigarro que o teu pai fuma, sei lá, qualquer coisa que faça aparecer na televisão e adoçar as beiças dos jornalistas e ouvi-los dizer: « …ahhmm afinal… eehh… ojje… ahh… ajj…. o filho da Teresa... aahh… a menina… ahh… hmmm… ujj… a criança que os pais abandonaram e esfaque… ahhh… esfaquearam… ahhh… e agora vou tentar falar… ehhh… aqui com uma vizinha… ahhh… vizinha, diga, conhecia o cão ahh… que afinal hmm… ujje… .era… ah… um gato?? «Á» quantos… Anos a conheciam?? E era boa pessoa? Ehhh… a bebé… hhmm… a Teresa…a criança que morreu trucidada pelo ponta, aliás, pela ponta de …ahh… um …ahhh… cigarro… eeehh… afinal uje… aje avó era mesmo a mãe da sogra do gato?» Ai amor. Ficamos com o gato para nos pouparmos desses gajos??


VOU MATAR O CUPIDO

Vou matar o Cupido. Vou pois, que esse anjo desvairado e inútil como a Avenida dos Aliados (Porto), anda de mãos entrelaçadas com a injustiça. Vou começar por arrancar aquela venda dos olhos… qual venda? Ignorante! Quem tem venda nos olhos é a justiça, diz-me ele. Anda sempre atento, de seta em riste pronto a apanhar-me no avesso de mim, o injusto sem pontaria. Vou matá-lo! Atiro-lhe com cada seta mal apunhalada, que ainda trago espetadas algures por entre o coração e as costelas, algumas perdidas, outras esquecidas. Vou lançar todas as setas e vou acertar no Cupido, uma a uma, até ele sorrir e desvanecer, sem culpas e sem injustiças. Vou-te matar Cupido, mas antes retiro-te a venda para poder olhar-te nos olhos quando te apaixonares pela justiça. Adeus Cupido!!


Entrevista a Filipa Barrote de Sá:
(A propósito da publicação do seu livro: Talvez Te Escreva, pela Editorial 100)


O lúdico

O lúdico na minha escrita é brincar com as palavras e brincar às palavras…a forma mais séria de exprimir sem ser explícita. Pretendo divertir o leitor, enquanto eu em divirto por vezes ao escrever. Não me agrada ser demasiado séria quando na minha escrita, por isso esta quase brincadeira de palavras e pensamentos.

A lógica

A lógica consiste em não a aplicar nem a contemplar. A falta de lógica no meu livro Talvez te escreva faz sentido se conseguirmos ler nas entrelinhas.

A sociedade

A sociedade assume os meus pensamentos, mesmos que esta se apresente quase inconscientemente na minha escrita. Tento fazer uma violenta crítica, principalmente à dita sociedade das aparências. Vivemos certamente num país pobre em termos culturais.

Falar ou escrever

Entre falar e escrever…escrever é leveza, falar é pesaroso, como carregar duzentas palavras na ponta da esferográfica. A minha apetência para a palavra escrita vem de encontro com a falta dela para a falar.

Leituras

As minhas leituras muitas vezes não transportam letras...troco-as com frequência. A minha tendência para a leitura é quase nula, prefiro escrever para quem a tendência seja ler os pensamentos alheios, ideias, memórias, etc. aprecio as crónicas de Lobo Antunes, pelo seu início, meio e fim que se encontram num só espaço.

O título do livro

O talvez da vida, talvez te escreva, talvez não te escreva, talvez me leias, talvez não me entendas…talvez respire, talvez não beba um copo de água…como em tudo na vida, a palavra talvez é a grande constante. Por isso escolhi “Talvez Te Escreva” como título para o meu livro.

O Porto

O porto é a cidade que do seu alto me viu nascer e me vê crescer do outro lado da margem do rio, de onde o porto surge como um quadro esbatido. É a minha cidade.

A net e eu

A net e eu temos uma relação ambígua. Necessito dela para me informar, trabalhar sem que tenha que me distanciar ou sair de um ponto fixo. Traz momentos positivos, mas também alguns dissabores. É apenas um relação dependente da tecnologia. Uma vida paralela a esta, mas suportada por redes e fios de ligação alheios ao oxigénio.

O cómico, o irónico

 A disparidade entre o cómico e o irónico no meu livro é tão ténue como a linha que separa o final de uma onda em contacto com a finura da areia de uma praia.

A motivação

A motivação para a publicação do Talvez Te Escreva é a necessidade de soltar e espalhar o que dentro de mim não tem mais espaço…é um prazer escrever, ser lida e acima de tudo apreciada pelo público em geral.

Desenhar

Desenhar é escrever sinuosamente sem palavras. As linhas e formas surgem no papel como frases até nascer um contexto, tal como nasce um livro.

Desenho como escrevo sem sentido definido, linhas sobre linhas, sombras e entrelinhas.

Não aprendi esta arte em escola alguma, é algo que existe em mim, como existem os olhos, as mãos ou o cabelo.

As cores quase não as represento, deixo-as para a própria realidade. Desenhar é acima de tudo uma necessidade ao lado do prazer.

As ilustrações do livro

As ilustrações que integram o “Talvez te escreva”  são um reforço daquilo que não é lido, representam o longo cabelo do amor, desamor, ironia e força. Alguns são surreais, acompanhando alguns textos menos assimiláveis a uma primeira leitura. Há cães, porque ainda mais que os humanos, nos adoram não pelos sapatos que calçamos, mas pelos pés de quem os calça.

ÍNDICE

TALVEZ TE ESCREVA……………...................................……………………………5

AGENDA PREENCHIDA……………….................…………....................……….55

MÁRIO, O CÃO……..........................................…………………………………...67

O MEU CÃO QUE ERA TEU…….......................................………………………69

CÃO BASTARDO………….........................................……………………………..71

JORNALISTAS..................................................................................................73

TROVOADA.............................................................................................75

TROVOADA - PARTE II...............................................................................78

FIM-DE-SEMANA.......................................................................................81

VOU MATAR O CUPIDO........................................................................83

TIRAS-ME A INSPIRAÇÃO..........................................................................85

MUITOS CAVALOS.....................................................................................87

MORTE LENTA...........................................................................................89


Pedidos      Editorial 100       Catálogo