Os livros da EDITORIAL 100
Título: De Pessoas e mais coisas - Autor: Hugo Sampaio

audiovisual dedicado a Hugo Sampaio 27/1/2008
Nascido no Porto em Janeiro de 1977, Hugo Sampaio movimenta-se nos mais variados campos da Arte, nomeadamente na pintura, música e fotografia. Durante o Ensino Secundário, o interesse pela leitura começou pela Filosofia, Cinema e Música, sendo estas as vertentes mais influentes no início da sua formação. Mais tarde, já no Ensino Superior, onde frequentou o curso de Arquitectura na universidade Lusíada, a escrita desenvolveu-se de forma natural, primeiro como complemento da música, mas rapidamente passando para um patamar independente, no sentido de dar continuidade aos textos para além das canções... Hoje, profissionalmente a trabalhar em Arquitectura de Interiores, continua na luta diária para conciliar todas as “artes” que, segundo o próprio, lhe atribuem o sentido da Vida...
Poemas - ISBN: 978-972-8843-58-8 - Editorial 100, Vila Nova de Gaia, 2007, 152 p. Preço com IVA: 12,60 €
Excertos do livro
Prefácio – de Miguel Guedes (Músico)
Entre a vontade que assoma ao receber, em mãos, o esboço final do que sabia ser quase»leitura intacta» e a responsabilidade que irrompe por poder conduzir o leitor à primeira página escrita, não há termo a meio. E não há responsabilidade pequena.
Sem convite e sem traje, então, um pequeno apontamento à sedução. Porque há bem mais do que o respirar de quem habita o título deste livro de Hugo Sampaio. Há em «De Pessoas E mais Coisas» traços do quotidiano que não desarma, cenário capaz, que pinta a manta com o olhar de apreciação e desvelo. As notas transversais não são sinónimo nem reflexo de um quotidiano apático, amorfo e monótono, abraçado a sensações dégradé, indistinto.
Antes de olhares de esguelha a franzir o sobrolho, humor sem pose. Temporadas de ironia com alçadas interiores que saltam para as palavras como o «peixe que acha que os peixes deveriam poder voar». Há na noite e no dia, no espaço e no tempo dos relógios omnipresentemente distorcidos, lugar para a reivindicação da legitimidade das flores sem cheiro.
Há em tudo reacção, que a tudo responde. Estamos na zona de afectos que vê o irmão gémeo do arco-íris que nunca aparece, que personifica objectos à mão. Como se pintasse, ele, o quadro ainda por pintar, como se os pedaços de vida lhe caíssem entre os dedos, subtraindo as ideias na transição e na irregularidade das coisas que se avistam ao olhar.
A medição não é tão geométrica como as molduras que o confinam, à luz do observador. Se, como escreve Christopher Langton, tudo o que acontece de interessante na vida ocorre na passagem de um estado para outro, bem-vindos à sublimação do físico: um x-acto questiona nome e apelido pela violência implícita, orelógiodebolsoeasmalasdeviagemeaspartesdospneusquenuncatocamnochão propõem abrir sociedade pela aparente contradição da sua função e propósito que melhor associação do que entre as nuvens e as flores ou um cigarro mal apagado que - apesar de sentir que a chuva chega tarde para o poupar ao sofrimento - percorre o livro como um amigo? Ar.
Há nesta escrita a vontade de quem não se basta com a hipótese, de quem não aceita um eu posso conhecê-lo, quando se impõe um eu tenho de o conhecer. Há, em «De Pessoas E mais Coisas», poucas palavras que se assemelhem aos cortes de uma faca mal afiada. E quando as há, se lidas em voz alta, também soam como o som «que nos guia se não conseguimos ver».
S
e eu fosse como aquelas camas com rodinhas...aquelas que há agora...
Desatava aqui às voltas
sem parar
só para verem que Eu existo
para se dormir.
Livrando-me assim
deste Pesadelo que é ser
uma Cama Sem Sentido.
O
Irmão Gêmeo do arco-írisnunca apareceu.
Alguns pensam que ele nem existe...
Mas o arco-íris sabe perfeitamente que sim.
Só que o Irmão Gémeo é muito mais discreto e modesto,
por isso não tem necessidade de se mostrar.
Para isso existe o arco-íris.
A Vedeta.
Q
uando as mãos se tornam frias...,De repente...,Um vazio enche..., E cá dentro arrepios apertam...
O pouco tempo traz Coisas poucas de sentir...
E poucas Saudades continuam a chegar...
Volto para ver... E não consigo encontrar...
Por falta de tempo... O corpo pede descanso...
As mãos frias pedem abraços,
nem que sejam abraços só com os olhos...
Mas apenas consigo ouvir...
Não há força para abrir um olhar...
Daqui a pouco, outra vez volto...
Para estar perto...
Para aquecer as mãos...,
E deixar de ter frio por dentro.
Entrevista a Hugo Sampaio a
propósito da publicação do seu livro:
De Pessoas e
mais
coisas,
Editorial 100, 2008.
Título do livro. Assunto.
“De Pessoas E mais Coisas” (nota gráfica: o “m” na palavra “mais” a ideia é ser um “E” deitado)
O assunto chave é a personificação de objectos e elementos, incutindo um sentido irónico/sarcástico/humorístico de interpretações específicas, a situações relativamente triviais para as “pessoas”.
O que reparei depois de estar completo, e não havia nenhuma intenção premeditada neste sentido, foi aperceber-me que esta ou aquela personagem do livro me faziam lembrar pessoas que conheço... o que acaba por ser engraçado a forma como o nosso universo pessoal nos afecta em tudo o que fazemos, quer queiramos ou não... somos quase sempre reflexo do que nos rodeia, quando estamos a exprimir seja o que for.
Depois existe a vertente mais pessoal (“...e mais Coisas”), onde se assume o Ser Humano a exteriorizar-se em palavras simples, sobre situações igualmente triviais e aqui sim, são textos sem “máscara” e nitidamente relacionados com situações e relações entre pessoas, quer minhas ou não...
As minhas leituras
Neste momento estou a reler o “ISMAEL” do Daniel Quinn
É sobre um “...professor que procura aluno...”
Foi exactamente isso que me despertou curiosidade... é um livro que se vai abrindo como uma cortina, pois descreve a humanidade e as pessoas de uma forma muito realisticamente “esquecida”.... aconselho vivamente!
Interesso-me sobretudo por leitura de “intervenção”, seja ela comportamental, humorística, social, filosófica...mas sempre leituras sem muita “cor na capa”.
Noutro aspecto pouco usual, sempre dei muitíssima importância às letras das canções que vou ouvindo, e posso dizer que o me interesse mais básico pela leitura surge mesmo por aí. Sou daquelas pessoas que quando compro um disco, abro o livrinho das letras e tenho sempre um dicionário ao lado (inglês ou português) e carrego no “pause” ou levanto a agulha do vinil de cada vez que não sei o significado de alguma palavra...
Experiência de escrever
A minha experiência de escrever passará mesmo pelas letras de canções e de algumas intervenções em Paginas de Leitor de alguns Jornais, e ultimamente em alguns blogs de amigos.
Desenhar
O Desenho para mim é a forma de expressão mais directa e universal. Para mim é uma ferramenta diária, pois desde muito cedo me lembro de andar de lápis na mão... e a primeira recordação que tenho de desenhar com sentido criativo, está relacionada com quando me apercebi da diferença de significada da palavra “planta”... quando descobri que as casas se desenhavam em plantas que não estavam dentro de vasos... fez-se luz !
Entretanto quando cheguei ao 9º ano, tive uma professora de Artes que nos ofereceu uns blocos de bolso, e disso “ isto é o vosso apêndice – podem viver sem ele, mas ele está aí para ser usado” ...desde aí nunca saio de casa sem ele – bloco – pois o apêndice tive q o tirar por razões de apendicite aguda...
Os desenhos do livro
Ilustram pura e simplesmente a ideia de “assunto trivial” nas tais Coisas ou Elementos ou Seres. Para mim não faria o mesmo sentido se estes textos não tivessem desenhos, pois senti alguma necessidade de “dificultar” o trabalho de quem lê, sugerindo à partida algumas imagens sobre os textos, apesar de, se aprofundarmos mais o conteúdo, os desenhos até podem não ser aquilo que está escrito...
Em alguns casos, os desenhos é que inspiraram os textos, pois fazia falta uma espécie de legenda para os explicar, pois soltos ficariam muito vagos... Isto pode parecer ilógico, mas faz sentido para mim, apesar de serem dois métodos inversos. Em tudo que escrevo, incluindo as canções, faço sempre desenhos, nem que seja para separar os versos...
Para que publicar?
O meu motivo é tentar “intervir” de alguma forma no universo que me rodeia através da partilha da Arte em geral. E eu encaro a escrita como uma forma de arte e cada texto é um quadro, que, para o bom ou para o mau, o objectivo será provocar reacção. Se as pessoas ficam indiferentes, para mim é o pior. A Estática com imunidade expressiva é muito má. Aprendi que as Pessoas são sempre o complemento final de tudo. Não acredito em criação que não seja feita para as Pessoas, ou que estas não tenham intervenção directa com o “criado”. Um projecto de Arquitectura só se completa quando as pessoas entram e o vivem...
Para mim é assim em tudo...seja um livro, uma canção, um quadro... A “coragem” para levar adiante este projecto, passa muito pelo facto de as poucas pessoas a quem mostrei, me incentivassem nesse sentido... e depois de uma analogia que me fizeram ao livro do Tim Burton “ A morte melancólica do rapaz ostra”...fiquei estupefacto!! E pensei...”porque não arriscar???”.
Humor e Filosofia minimalista?
O humor faz parte do ser humano e é das poucas coisas que nos diferencia dos outros seres.
Eu encaro-o como elemento integrante em quase tudo que faço. Não falo do humor de palhaçada, mas o humor de estado de espírito. Sorrir. Rir. Juntar as pessoas... bom humor.
Acho que o humor ajuda muito no poder curativo que a Arte tem, no geral. Mesmo sendo uma imagem de um expressão triste ou uma frase relatando uma situação ou um cenário menos bom, se por acaso nos identificarmos com isso, é quase imediato o reflexo de esboçar um sorriso... mesmo sem piada... isso para mim não deixa de ser humor... apenas é uma forma diferente de humor.
A filosofia minimalista, neste contexto, tem a ver com “ir directo ao assunto” onde a metáfora se dissimila com o próprio assunto... é diferente de simplismo, pois com o minimalismo, temos que dar algumas voltas para a conclusão, apesar de simples. Uma das “máximas” que me influencia bastante é o famoso “less is more”, o que não implica “menos é mais fácil” – pelo contrário, acho mesmo que o difícil é fazer simples.
O quotidiano e o texto poético
A monotonia deve-se contornar, no meu ponto de vista, através situações isoladas, pois cada dia, cada hora, cada minuto, apesar de repetido diariamente, tem qualquer coisa de especial.... e eu tento sempre coar esses bocadinhos e torná-los mais importantes na escala diária... e então dar um novo significado ao quotidiano e em vez de ser “conjunto de repetições” é “conjunto de repetições com situações diferentes em cada repetição”.
O texto poético tem a ver com o lado sentimentalista/platónico que o romance nos traz.
Estes textos foram escritos ao longo de 5 anos, e na 2ª parte, pode-se considerar haver uma evolução cronológica de estado sentimental. E isto é sempre positivo, pois senão conseguíssemos evoluir sentimentalmente, poderíamos ficar presos em platonias intemporais, que, infelizmente, às vezes tomam conta de algumas pessoas...
A dimensão arquitectónica do texto (interior e exterior)
A melhor definição de Arquitectura que eu li até hoje é “...a arquitectura é organizar o nosso espaço...”.
Acho que isto se pode aplicar a tudo...
Em cada texto encontro uma organização expressiva de um determinado assunto, não por imposição, mas por necessidade... se não disser ou escrever isto sinto-me “desorganizado” pois sou daquelas pessoas que tenho sempre que dizer ou que me exprimir sobre e em resultado do que sinto.
O afecto e a expressividade
Para mim nada se completa sem a intervenção das Pessoas. Só considero que um quadro ou uma música ou uma obra ou livro está acabado com é visto, ouvido, lido, tocado... todas as formas de expressão são para as pessoas... não compreendo a quem diz que faz as coisas só por necessidade... claro que há uma necessidade intrínseca, mas a partilha e a expressividade partilhada, para mim são o capítulo de remate.
O mundo real e o mundo dos sonhos
Sonhar sem acordar é negativo. Acredito nos sonhos no sentido de objectivos reais... O lugar-comum “lutar por um sonho” acho que é o mais bem conseguido... porque não?
Mensagem para o publico no dia da apresentação.
Quem nós somos reflecte-se em Tudo que Criamos......se deixarmos de Criar... deixamos de Ser...
Índice de De pessoas e mais coisas
Prefácio - Miguel Guedes
5
Alfinete Sem Cabeça 11
Tecla do Piano 13
Cigarro Mal Apagado 15
S.E.T. do Universo 16
Cama sem sentido 18
Grito que nunca se ouvíu 22
Destino 23
O Peixe que queria voar 26
O verbo Rir 29
A Estática 31
1 32
Máquinas de Escrever analógicas 33
Linhas de Cruzamento de olhares 34
Guardanapos Mal Dobrados 37
Muitos pares de Sapatos 38
Faca mal afiada 41
Nuvens & Flôres 43
Palavras a soar sem sentido 44
Luzes das casas dos vizinhos 47
O Contorno 48
Barulho, Forma e Maneira 51
Vaso 53
Nevoeiro 54
Relógio de Bolso 57
Paragem de Autocarro 59
Lápis Branco 61
X-acto 63
que sobram quando se furam as folhas 65
A Vedeta 67
Inverso & Contrário 68
Acordes 71
A Folha 73
Rua (monotonia) 74
Casas 78
Duas Mãos 79
Bocejo autónomo 80
Aquele Minuto 83
Dois pés descalços 84
Guerra 85
Malas de Viagem 87
A Dor e Ele 89
Gotas Solitárias 91
Segundos do precurso de qualquer coisa a caír 92
S.E.I. 93
Folhas substitutas 95
Espelho partido 97
Tempo, Evolução, Dinheiro 99
Amigo Sol 100
Alguns Passos 101
Excesso de Sono 102
Sentido de Oportunidade 103
Outras Pessoas 104
Porta 107
O Medo 108
Lágrima Feliz 109
Rio discreto & Lua escondida 111
Um Encontro 114
Imaginação 115
O Espaço e o Silêncio 116
O Insulto e a bola de ping-pong 118
Distância 119
Vozes 122
Braços Intemporais 123
Má Pessoa 124
Chegada 131
De repente 133
Vive 134
Expressão 135
Passado recente 137
Hoje 138
Incertezas não 139
Espaçozinho 141
Onde está 142
Sorrir 143
Presença 144
Onde 145
Frio por dentro 146
Reacção 147
Respirar 148
E mais Coisas
Chegada 131
De repente 133
Vive 134
Expressão 135
Passado recente 137
Hoje 138
Incertezas não 139
Espaçozinho 141
Onde está 142
Sorrir 143
Presença 144
Onde 145
Frio por dentro 146
Reacção 147
Respirar 148