Os livros da EDITORIAL 100


Título: Dez degraus até ao Sol    -     Autora: Isabel Branco

(0s 10 primeiros livros-poemários de Isabel Branco até Outubro/ 2007)


Livro de poemas - ISBN: 978-972-8843-55-7  -     Editorial 100, Vila Nova de Gaia, 2007. 800 p.  Preço com IVA: 26,25 €


   


Audiovisual de Diego Martínez Lora dedicado a Isabel Branco

Isabel Branco I   Isabel Branco II   Isabel Branco III    Isabel Branco IV


entrevista na RDP internacional  


entrevista na Antena 1


entrevista 6/01/2008 RDP Internacional, no programa Abraço de Domingo. Passou no apontamento da Maria José Dionísio – “No livro é que está a virtude”


Entrevista para a RTP África – Programa Artes e Espectáculos, do dia 15 de Fevereiro - 2008


Nascida, em Angola, a 7 de Novembro de 1957, lobitanga de gema e neolisboeta de coração tenho a cor do sol de África nos cabelos, o seu feitiço e sortilégio no olhar e na alma a saudade da terra amada que me viu nascer. Adolescente de 17 anos sofri os horrores da guerra, atravessei o deserto e com os meus pais e irmã fui refugiada nos campos de Cullinan, na África do Sul. Nesse país trabalhei arduamente e aprendi o significado da palavra Solidariedade. Vim para Portugal em 1977 onde vivo e trabalho. Cá casei e fui mãe de duas meninas. Reparto com o papel e a tinta o meu ser e o meu estar. Vivo o momento. Amo a poesia. As palavras acontecem.

ISABEL BRANCO


 

 

Aos que:

Ao longo do tempo e, apesar das divergências, distâncias,

dificuldades, diferenças de idades, ideias e pensamentos,

quedas e tropeções, comigo têm convivido e partilhado

de tristezas e alegrias e que com amizade e amor

me ajudaram a subir os degraus da minha

escada e, que duma forma ou de outra

me inspiraram na concepção e

realização desta colecção

de dez livros que aos

17 anos comecei

a escrever.

Às minhas duas filhas, Catarina e Filipa,

e à descendência que, através delas,

me seja dada, para que recordem

com ternura as memórias dos

primeiros cinquenta anos

da minha passagem

terrena nesta

vida.

Um beijo a todos

 

Isabel Branco

 


 

A poesia de Isabel Branco é uma luta. Uma luta com a palavra, para que signifique mais; com o tema, para que seja tudo; com o ritmo, para que seja música. Não será assim com todos os poetas? Todos lutam pela expressão, na tentativa de chegar ao sentido de um mundo e de uma condição humana capaz de revelar Deus. Mas a poesia de Isabel é imanente. Para ela, o absoluto deve estar numa pedra, num pássaro, numa mão que gesticula, numa pétala que cai. O poema de Isabel é súbito e espontâneo como o riso de uma criança. Isento de retórica, livre dos artifícios que satisfazem alguns críticos, é uma poesia pura. É a própria Isabel que se escreve em cada verso. A pedra, o pássaro, a mão, a pétala são pedaços dela. Dói arrancá-los. Dói reuni-los.

Eduardo Homem


"A palavra flui intensamente, com simplicidade, mas profunda. Entranha-se na alma e na pele. O seu universo não deixa nada de fora. O quotidiano torna-se extraordinariamente mais natural. Isabel Branco preenche a realidade com a sua particular sensibilidade. Tudo fica mais vivo com o seu tom azul."

Diego Martínez Lora

 


Excertos do livro


DEZ DEGRAUS ATÉ AO SOL

 

Um dia, o meu sol brilhará

e em centelhas de azul,

em pedacinhos se repartirá.

Trilhados no limiar da dor,

da poesia e do eterno amor,

dez degraus… ascendentes a sul,

serão meu longo caminho até lá.

De imanências tais surgirá

em radiosa fonte de luz e calor

e de mim, para o mundo, restará.


 

 

POR ENQUANTO…

 

Nascemos... meio irmãos…

Em anos diferentes

mas, a nosso jeito, quase gémeos e siameses…

Crescemos próximos, quase vizinhos…

Num alegre bater de asas

éramos pássaros fugidos dos ninhos.

Bem cedo, ainda criança,

via-te passar…

E enchias meu coração!

Crescia eu, crescia a esperança…

Algo em ti me prendia a atenção:

Não sei se a meiguice do olhar,

se o descuidado andar,

se a voz serena e calma,

se a forma de ser firme e ousada…

Nunca consegui definir

aquele sentimento gigante

que me invadia,

cada vez que, de mim, te aproximavas…

Foi sempre assim…

Não sei o que me encantava.

Não sei o que me encanta ainda hoje!

Fiquei parada…

No tempo sentada…

Tentando decifrar os sinais.

Não encontrei definições.

Apesar da tenra idade, tudo foi sério:

O primeiro toque de mãos…

O primeiro beijo…

O primeiro roçar de pele…

O primeiro desejo…

A primeira manifestação de carinho…

A primeira vez… a vez primeira…

Em nós crescia a paixão,

multiplicava-se a amizade.

Era enorme a cumplicidade…

Nossos sexos manifestavam-se espontâneos.

Éramos crianças e felizes…

Nossos beijos e abraços

tornaram-se canção, balada de amor…

Éramos jovens, desenfreados, adolescentes…

Surgiram os problemas…

As conversas cruzadas…

Os «amigos», os parentes…

Os fantasmas, os medos…

A razão, os dilemas…

Depois a distância…tamanha…

Os mal-entendidos sucederam-se…

Eu para cá, tu para lá…

Foram diferentes nossos caminhos,

apesar de sermos estradas paralelas.

Afastou-nos uma longa, tortuosa e cruel vida.

Não desenhamos o futuro…

Não esquecemos o passado…

Como luz, ao fundo dum túnel escuro,

tentamos no presente o reencontro.

Procuramos um no outro o ser ausente,

mas imensamente amado.

Reencontro… nos gestos lânguidos

dos corpos transbordantes de sensações,

ejaculados das inúmeras certezas…

Das almas plenas de emoções,

longínquas das inglórias incertezas…

Nos cálices tintos em brinde erguidos,

dos infortúnios então esquecidos…

E sabemo-lo.

Somos de novo petizes…

Voltamos a ser, por momentos, felizes…

É Abril, eterna Primavera…

O céu colorido em mil matizes,

dum sol ilhéu, cambiante

entre ondas, montanhas e nuvens…

Dos nossos desvarios feito brisa, feito oceano,

esconde-se no meu pranto…

Beijos, abraços… carinho esfusiante…

Acena a despedida…

Rola silenciosa… Uma lágrima…

Evitamos o olhar…

Esfuma-se, no ar, mais outro cigarro…

De repente, eis-me aqui…

Simplesmente parada…

Num cais, onde teimosa me amarro,

em silêncio, sentada

na vontade de partir…

De novo só… sem a tua presença,

mas cheia de tal crença,

pergunto-me angustiada:

Onde deixei a felicidade?

Ontem, achei que estava nos teus olhos…

Hoje procuro-a no Infinito…

Como por encanto,

apenas o mar me responde,

num rouco e ritmado bramir…

Por enquanto…

Por enquanto…

Por en… qu… an… to …

… tan... to …


 

A OUTRA PARTE DE MIM

És o meu eu masculino

tal como eu sou o teu eu feminino.

Somos diferentes sendo iguais

como a imagem que se alarga

em espelho oblíquo e convexo.

Como duas metades desencaixadas

que se pertencem embora separadas,

somos dois mundos opostos,

dois pontos paralelos no universo

que em dado momento se tocam

num mistério de luz complexo:

Se és o sol eu sou a lua

se és o dia, sou a noite,

porém se és preto eu sou branca,

se és moreno eu sou loira.

Sei quem és!

Já não sei quem sou.

Ou se sou, sem ti.

Piso descalça o teu chão

e tu, desnudo, inverso,

vagueias ciúme em meu coração.

És meu e eu sou tua.

Somos desejo, água, verdade,

cúmplices num jogo perverso

de pequenos nadas.

E, entre nós, são escusadas,

as benditas palavras,

as polémicas definições

ou as brilhantes conclusões.

No limiar da realidade

beirando a ténue fronteira

entre o imaginário e o possível

somos dois poemas por escrever,

duas histórias sem fim.

Na nossa natureza franca

somos grandezas que se interpretam

entre olhares de eternidade,

duma poesia inesquecível.

Sei quem és!

És, tu, simplesmente,

a outra parte de mim!


AMANTES POR AFINIDADE

 

Na massagem fantasma

dos teus dedos percorrendo

meu corpo extenuado

liberto o desassossego

do inchaço despropositado

de líquidos acumulados

da crescente e diária tensão.

O sangue, o plasma,

à pele me aflora

num estranho aconchego,

entre espasmos gemendo,

no roçar dos teus lábios

que ávidos me sugam

os túrgidos seios.

Em deleite inusitado,

numa lenta combustão

de fêmea nua, sem receios,

galopando o seu corcel

prendo-te, alucinação,

nas malhas do meu mel

e, sedenta, provo do teu fel.

Num esgar indecente

de desejo entumecido

cravas dentro de mim

a férrea lança em riste

e partes, à desfilada,

na busca desenfreada

das seivas da terra quente.

Nesse fluído veneno

que nos tolda a identidade

adormecemos nosso apego

em camas de alacridade.

Entre beijos e sussurros,

desconhecidos permanecemos

mas amantes por afinidade.

 


Entrevista a Isabel Branco:
(A propósito da publicação pela Editorial 100 dos seus livros: Imanências em tons de azul e Dez degraus até ao sol)


O universo poético de  ISABEL BRANCO:

 

O significado pessoal de “escrever”

“Escrever” - soltar a alma e deixá-la correr. É ter a ousadia de manchar o papel com letras e códigos na busca incessante do texto perfeito; o toque, a mácula da página em branco que, uma vez, preenchida me aponta o caminho da página em branco seguinte transformando-se no diálogo solitário e amoroso entre o eu, a mente, a mão, a caneta e o papel. É a viagem ao interior do eu e o encontro com o seu fluir. A mensagem, o recado, o desabafo eclodem, como sinónimos de liberdade e plenitude, na manifestação de que ao escrever digo e também me afirmo. A escrita é uma casa de espíritos libertados das trevas… soltos do seu silêncio e da sua solidão, numa dança estonteante de emotividade e prazer… e escrever é dar-lhes luz e vida… é permitir-lhes respirar, é deixá-los existir.

 

Quando reparei que gostava ou precisava de escrever?

Desde os bancos da escola primária que as palavras escritas surtem, em mim, um fascínio e uma paixão especiais. Isso percebia-se nas redacções e composições, sempre do agrado dos professores e comentadas nas aulas. Era uma criança tímida e reservada, que gostava de ler. Para além, disso muito observadora. Anotava tudo o que ouvia de interessante e que me captasse a atenção. Isto acontecia naturalmente.

A primeira grande necessidade de escrever surgiu ao 17 anos, quando a guerra me obrigou a partir de Angola, com os meus pais e irmã. Foi o escape das minhas angústias e dos meus medos. Nas longas horas de solidão escrevia sobre os factos, sobre as emoções, sobre a tragédia que, impotente, presenciava. Depois, indignada rasgava tudo. Para trás tinha ficado a minha terra e a minha alma ainda adolescente e uma raiva surda impedia-me de guardar o meu testemunho escrito como se as palavras me fossem insuficientes para descrever todo aquele cenário de dor.

Longe dos amigos e da restante família, separados e espalhados pelos sete cantos do mundo, encontrei porém na poesia, o segredo, a forma de me libertar dos meus próprios fantasmas e sobreviver interiormente. Fiz os primeiros dois poemas, num intervalo de almoço, na fábrica onde trabalhava na África do Sul. A partir daí não mais parei. Chego, a acordar de madrugada, com uma ideia, levantar-me e escrever tudo o que no momento me ocorre. Se o esboço duma poesia me surge na mente, onde quer que esteja, tenho que o registrar. Dou asas à imaginação muitas vezes, até, nos transportes públicos. Na minha carteira há sempre canetas e um bloco, cheio de pequenos apontamentos, frases soltas, enfim, tudo o que nasce e pode acabar por ser um poema. Já me aconteceu ir a andar e obrigar-me a parar no meio do caminho para escrever, nas mãos inclusive à falta de papel. Mas tenho fases. Tanto sou capaz de elaborar dois, três poemas por dia, como passar meses sem nada escrever. Tenho pequenas fúrias quando impedida, quer pelo barulho, quer por qualquer situação adversa que me impossibilite de me concentrar e escrever. E só acalmo quando concluo o texto idealizado. É um acto de amor imediato, visceral, e fluente.

 

Como a poesia mudou em mim, e como eu mudei para a poesia?

Poesia… a chave da magia! O irromper, o afirmar, o serenar… (como uma manada de cavalos selvagens galopando desenfreada pela ampla e verde planície, de crinas ao vento e narinas arfando, numa expressão de máxima liberdade que, de repente, abranda e estanca para beber das águas cristalinas dum manso regato circunstante, pastando depois, horas a fio, sossegadamente).
Assim, pé ante pé, se instalou a poesia, de mansinho, em meu redor. Foi acontecendo… e abrindo clareiras onde existia escuridão.
Com ela aprendi a ser outra pessoa. A aliviar rancores, a superar mágoas, a enfrentar barreiras e ultrapassar limites, a quebrar espelhos ou a virá-los ao contrário, a expressar sentimentos, a reconhecer em mim a minha outra alma gémea, a ser Infinito e Renascer, Maré e Contemplação, Vida e Absoluto, Luz e Intensidade, Azul e Eternidade.
Gravitamos num mundo a três dimensões: a realidade, a imaginação e a transcendência.
E toda a nossa vida gira em volta deste contexto ternário.
A realidade é o que temos, quer queiramos quer não. Embora mutável e sobrevivente pela vontade e pela força das circunstâncias, subserviente do imaginário de cada um de nós não deixa de ser nua, dura, crua e implacável.
A imaginação é o sonho, a ideia, a utopia, a fantasia, a magia, a fuga à realidade concreta, a viagem ao interior da nossa mente, a outra parte de nós, a poesia. 
A transcendência é o que está sempre mais além, o impossível, o inalcançável, o inexplicável, o mistério, a migração da alma, Deus, o Amor.
O que transcende uns não transcende outros e não há impossíveis absolutos. Existe sim, a ausência do limite, o Universo, o Absoluto… e a energia cósmica que cada um sabe usufruir e reflectir.
“Existem mais coisas entre o céu e a terra… do que sonha a nossa vã filosofia.” 
A poesia é simples e simultaneamente a ponte entre as duas margens e o maravilhoso equilíbrio que as sustenta.

 

O amor

 

"O Amor é a única flor que brota e cresce sem a ajuda das estações...."
Khalil Gibran

 

O amor! Ah, o amor, esse vertiginoso carrossel de emoções que nos move, que ora nos eleva às alturas, ora nos acorrenta às profundezas infernais do ego e ao qual ninguém consegue escapar. Não existe definição absoluta para o amor, pois o amor é o próprio Absoluto. Está inerente em tudo e em todas as coisas. Não se compra nem se vende em pacotinhos coloridos ou em doses ao peso. Presente, ao longo dos séculos, em todas as filosofias e religiões é ilimitado e transcendente vencendo medos e derrubando obstáculos. Sendo o maior e o mais belo sentimento da humanidade é também o menos compreendido. A maioria das pessoas vê e confunde o Amor como um sentimento de posse, mera paixão, atracção física entre opostos ou desejo carnal. Como uma simples necessidade fisiológica e sexual. Mas o verdadeiro Amor é muito mais sublime que isso. É identificação, caminho, exaltação. É dádiva! Quem ama dá, desinteressadamente. E só aquele que verdadeiramente dá, verdadeiramente recebe! Quem ama o desconhecido amando-se a si mesmo, ama o Amor e o Amor está dentro de si. O amor é a outra e a melhor parte de nós.

 

UM AMOR ASSIM


Na grandeza do espírito,
sublimado, o meu, sinto
que por teu amor enaltecido
no abstracto é acontecido.
Amas-me, plena, como sou,
tu, que sem nunca me teres conhecido
me conheces e me entendes como ninguém.
E, eu, pássaro aflito,
a ti te amo, ser do meu ser desprendido
que em mim, estás fundido
e te sei, sendo, sem ter sido,
privilégio do imaginário,
minha interioridade e meu conflito,
verdade que não minto
e, a ti, me entrego e me dou.
Sou, para ti alguém
que no pensamento te acompanha
e te traz renascido.
És, para mim, também,
a chama que me bendiz ter nascido
e, em tua luz, inteira, me reflicto.
Sou a tua flor, és o meu jardim...
Triste de quem não viveu um amor, assim!

 

As minhas leituras

Como, em Angola, não havia televisão, adquiri desde muito pequena o hábito de ler à noite, ao deitar. Na infância depressa passei dos contos de fadas de encantar, das histórias de Andersen, da colecção dos livros da Anita para os meus predilectos que, então, eram os livros de aventuras como, por exemplo, “Os Cinco”.

A minha prenda de passagem da 4ª classe foi “A Morgadinha dos Canaviais” e aos 12 anos de idade já tinha lido a maioria das obras de Júlio Dinis, Camilo Castelo Branco, Almeida Garrett, Herculano. Depois, vieram: Augusto Gil, Miguel Torga, António Botto, Camões, Fernando Pessoa, Cesário e muitos outros poetas portugueses. A todos admirava e de todos decorei os poemas que mais cativavam. Mas foi em Pessoa que mais me demorei e me continuo a demorar. Quanto ao Eça… que me perdoe, nunca simpatizei muito com ele, embora também o tenha lido.

Aos 16 anos tive um grave problema de saúde que me obrigou a ficar de cama durante mais de um mês, impossibilitada de me mexer e sem poder fazer nada que não fosse ler. E li…imenso: Júlio Verne de lés a lés, Saint Exupery, Marcel Pagnol, Fernando Namora, Jorge Amado e José Mauro de Vasconcelos, Frank Slaughter e alguns clássicos como Vítor Hugo. Creio que, nessa altura, li quase todos os livros que existiam na Biblioteca do Banco de Angola, de Nova Lisboa, por intermédio do meu pai, funcionário do mesmo. O mesmo acontecendo com a do Liceu através das colegas que me visitavam.

Mais tarde Berthand Russell seduziu-me. O mesmo sucedeu com Gibran, Garcia Lorca, Gabriel Garcia Márquez, António Gedeão, José Régio, Florbela Espanca, Carlos Drummond de Andrade, Vinicius de Moraes, Octávio Paz, Neruda…cada um à sua maneira.

Leio de tudo um pouco e tenho as minhas preferências. Para além dos poetas e dos filósofos, gosto dum bom romance, dum best seller, dum policial que envolva investigação.

Na actualidade, os meus autores mais assíduos são, entre muitos outros: Sidney Sheldon, Mary Higgins Clark, Harold Robbins, Irwin Shaw, Lawrence Sanders, Konsalik, Irving Wallace, Susanna Tamaro, Stephen King, António Lobo Antunes, Mário Sá Carneiro, Cesariny, Rita Ferro, Inês Pedrosa, Sophia de  Mello Breyner, Agustina Bessa Luís e, mais recentemente, descobri Carlos Ruiz Zafón com o seu belíssimo “A Sombra do Vento”.

Ando a ler agora “As Rosas de Atacama” de Luís Sepúlveda.

Das minhas leituras, não aponto um só autor ou um só livro como preferidos. Em todos eles encontro obras que me encantam e, cada vez que as leio, com elas viajo, no tempo, na imaginação, na aprendizagem. Tenho na leitura e no cinema as minhas duas grandes formas de lazer e ocupação das horas disponíveis.

 

Vida e morte

O mistério da vida e da morte é indecifrável. Vivemos por uma reacção química numa associação de células, acrescidas de raciocínio e sentimentos. Morremos cientificamente pela ausência ou exaustão dessa actividade celular.
Morreremos efectivamente? Alcançaremos uma outra vida superior, eterna, como certas religiões proclamam? Reencarnaremos sucessivamente até à sublimação?
A vida que vivemos depende de nós, da forma como a vivemos e disso somos conscientes. Já a morte, ou a vida após a morte, depende da crença ou do que cada um idealiza dela.
Saber viver é saber aceitar a morte usufruindo da vida. Saber morrer é permanecer vivo, apesar da morte. O que de bom realizarmos vivos será o que transportaremos e eternizaremos na morte.
Amo demasiado a vida e tenho grandes dificuldades em aceitar e lidar com o fim definitivo. Sinto porém, que à medida que vamos amadurecendo vamos reavaliando e preparando essa aceitação ultrapassando os medos. Não percebo, nem julgo o suicídio, mas não creio que, alguma vez, fosse capaz de o praticar.

Sabendo que sou pó e que ao pó tornarei, tal Fénix, das cinzas renasço, no entanto, perante as minhas convicções. Falo com os meus mortos e consigo ouvir a mensagem que me transmitem. Descodificá-la até, e aplicá-la, conforme me sugerem. Acredito seriamente na reencarnação das almas sublimadas. Tenho visões doutras vidas passadas, sonhos e premonições de factos que acontecem posteriormente na realidade, como se a minha alma fosse gémea doutra alma e esta reveladora como uma ponte entre dois mundos opostos. Poder da mente? Magnetismo? Dom? Intuição? Percepções extra-sensoriais? Frutos duma imaginação pródiga, ou da ignorância? Crenças? Coincidências? Chamem-lhe o que quiserem! São sensações, sinais, que a princípio me assustavam mas, à medida que fui aprendendo a gerir e a entender, passaram a ser naturais.

Vivo e procuro, acima de tudo, merecer a vida que me foi dada como um privilégio e dar-lhe um sentido de que me orgulhe. Julgo ser essa a razão fundamental de qualquer existência. Quanto à morte… sabê-la-ei definir, devidamente, quando a encontrar.

 

REENCARNAÇÃO

Creio na reencarnação

das almas privilegiadas,

espíritos em libertação

em várias fases abençoadas.

 

Exemplos de vidas anteriores

que em perpétua evolução

transcendem suas dores

em eterna gravitação.

 

Surgem na voz dos poetas

e pairando entre os mortais,

sublimes, alcançam suas metas.

 

De finos véus se cobrem, imortais...

E, renascendo como profetas,

celebrizam seres especiais.

 

O belo, o bom e o útil

Longe estão os tempos da filosofia de Platão que defendia o belo como beleza moral, o bom como a verdade e útil o que servia ambos.

Da subjectividade defendida por Kant para quem o agradável pressupõe o prazer que o objecto pode provocar e o belo se sobrepõe ao prazer condicionando-o, a não aplicação do conceito como estabelecido continua a exercer-se.

Porém, na escala de valores que actualmente vivemos a tendência geral é aliar apenas o belo estético e o útil menosprezando o bom.

Não importam as qualidades e sobrevalorizam-se a aparência e o prático.

A sociedade de consumo e a necessidade rápida de resultados favorecem esta dualidade, a que acresce o fútil.

A moda determina a estética, a beleza exterior, criando falsos modelos em troca de mentiras e embustes que terminam muitas vezes no feio e no horrível. O artificial, o postiço, o falso, a tatuagem, o silicone, o botox, a montagem fotográfica criam o belo, ilusório, temporário, irreal e não necessariamente bom ou útil. À primeira contrariedade ou lavagem tudo se desmorona. A deturpação do que é belo pela utilidade momentânea, facilmente descartável e substituível ilude e fascina, cada vez mais. A troco dum corpo esbelto sacrifica-se a saúde. A troco do vedetismo sacrificam-se os valores. A troco do efémero e passageiro sacrifica-se a estabilidade.

Somos invadidos por uma série de inutilidades ou produtos light que descaradamente nos impingem e a que cegamente obedecemos partindo do princípio que nos farão imensa falta quando não servem absolutamente para nada.

Pessoalmente, equilibro-me entre o belo e bom, mantendo-os ora paralelos, ora complementares. Como diria Sócrates (o Filósofo) o que é bom também é belo…e sendo belo é bom!

Para mim, belo é o mar… belo é o nascimento duma criança… o desabrochar duma flor… a arte… o poema… a música… o sonho… e a tentativa para o alcançar… o que é puro e genuíno… o divino…;

Bom é o amor… a paz… a inteligência, o mundo das ideias e dos pensamentos onde tudo acontece… a capacidade de alterar o que aos nossos olhos está errado… a ética, os valores, a moral… a emoção, a sensação que o belo pode provocar…;

Útil é o alimento… a ferramenta… o trabalho… o instrumento… a guerra… o necessário…

Da interacção que faço desta trilogia surge-me e defino o sublime.

Assim:

Belo é o mar! Bom é contemplá-lo e navegá-lo! Útil é o barco que o cruza e o peixe que nele abunda.

Bela é a natureza! Bom o sol e a chuva que a fertilizam! Útil o arado que o lavra e o homem que deveria protegê-la.

Bela é a poesia! Bom o pensamento que a origina! Útil a caneta, o papel, o livro que a reúne ou a voz que a diz!

Belo é Deus! Bom é o Amor que personifica! Útil o ser que o sente e transmite, a palavra, o gesto, o acto que o exemplifica.

 

A infância

Foi azul a minha infância! Nasci numa lindíssima praia angolana. Tive o mar imenso por primeiro companheiro. Nele, nos céus da minha terra e nos olhos do meu avô paterno (que depressa perdi) descobri os primeiros, essenciais e mais belos contrastes dessa majestosa cor. Conservei-os na memória e deles guardei os matizes e cambiantes que me orientaram ao longo da vida.

Fui a menina, a princezinha, a criança feliz e loirinha que, embora tímida, era alegre e divertida. Brinquei e sujei-me com a terra sentindo o seu cheiro e o seu chamamento. Adorava andar descalça e sentir a chuva quente, encharcar-me a roupa até aos ossos e rapidamente secar. Na praceta do meu bairro, como um pardal despreocupado, corri, saltei, joguei às escondidas entre os arbustos. Trepei aos muros e escalei os mamoeiros do meu quintal. Rebolei pelo capim, chapinhei nas pocinhas de água lamacenta, persegui e desorganizei os carreirinhos de formigas e desafiei os comboios como um potro em veloz correria. Esfolei os joelhos, cai, chorei, vezes sem conta e, sem querer, cresci.

Teimosa, rebelde, mas disciplinada tenho da minha infância a imagem dum maravilhoso e colorido aquário de águas límpidas onde eu era um exótico peixinho azul tropical, volteando serenamente entre os corais, ladeada por um insinuante peixinho dourado e seguida por um séquito de belos cavalos marinhos e outros pequenos peixes avermelhados.

Mas… nem tudo foram rosas. Depressa senti o efeito e a dor dos espinhos ao despontar da adolescência. Precocemente, por volta dos 9, 10 anos, comecei a mudar interiormente, a sentir o peso das responsabilidades e, vertiginosamente, vi a minha infância partir. E os meus azuis ganharam outras tonalidades.

 

África e Portugal

África e Portugal duas civilizações, duas culturas, duas realidades completamente diferentes e opostas. A primeira que saudosamente recordo e a segunda onde desenraizada sobrevivo.

África, minha terra mãe… a mãe das mães, meu berço, minha juventude, meu enlevo, meu primeiro amor. Minha inesquecível paleta de azuis e sol… O paraíso na terra, onde tudo principia e acaba! O continente onde vivi e cresci até aos dezanove anos, que trago no coração, que recordo, que espero um dia voltar a ver, o repouso ideal que anseio para as minhas cinzas.

A cor, os cheiros, a fauna, a flora, o espaço, a selva, o clima, as praias, até os desertos, tudo em África é um hino à Vida, à Liberdade, à Emoção. Quem lá esteve sabe do seu sortilégio, e do apego que nos gera. A vastidão dos horizontes abre os espíritos e alarga as mentes.

A sua etnografia é fascinante. As suas riquezas naturais, as suas paisagens, os seus recursos são imensos e inesgotáveis.

As potências mundiais disputam-nos, por isso a cobiça, a guerra, a fome, a exploração, a miséria, o sofrimento do seu povo.

A terra argilosa, crestada e seca, acarinha, porém a nudez dos nossos passos e, fértil, abunda quem arduamente a semeia e qualquer raiz é alimento.

Os meus olhos e a minha alma continuam lá.

 

Portugal, a pátria madrasta… A terra de meus pais e avós. O jardim à beira mar plantado onde, não por vontade própria mas, pela força das circunstâncias, vim parar. Terra rica de paisagens e costumes de que aprendi, aos poucos, a gostar, mas que não amo, com a mesma paixão com que continuo a amar África.

Aqui, descobri outros azuis mais enublados, mais carregados, ainda muito próximos do cinzento, que muito lentamente vai clareando. As pessoas são mais sombrias, mais fechadas e egoístas. Talvez por inerência dos frios Invernos ou pela rabugice e soturnidade características da velha Europa, ou ainda pela obscuridade que os nossos governantes teimam em fazer-nos sentir.

Cá casei, cá trabalho, cá nasceram as minhas filhas. Aqui vivo e sobrevivo numa luta diária e constante, adaptando-me inconformadamente a um quotidiano de horizontes limitados. Talvez parte deste inconformismo tenha sido o motor que me levou a escrever e a encontrar a poesia. E, só por isso, como diria o poeta, “tudo vale a pena se a alma não é pequena”.

 

 

Sensualidade e sexualidade na tua  poesia

 

Sendo uma mulher Escorpião (passional, misteriosa, resistente e determinada), cujas características principais estão profundamente ligadas à sensualidade e sexualidade, obviamente, que isso se reflectiria na minha poesia.

Desconhecendo o meio-termo amo ou desprezo com a mesma intensidade. Escrevo da mesma forma e a fúria da paixão, o ciúme, o sentimento de posse, transparecem em alguns dos meus textos, como um vulcão incandescente prestes a explodir a qualquer instante, a par da extrema ternura, da emoção à flor da pele, da rubra exaltação ou do êxtase. A feminilidade que me é inata manifesta-se num simples olhar carregado de magnetismo e sedução, num toque de dedos entre dedos, num acariciar de mãos, na sofreguidão dum beijo que o papel e a tinta testemunham e o verso descreve. Ora provocante, insinuante, intensa, dominante, avassaladora, ora subtil, plena de delicadeza, misteriosa, implícita, sensível, retrato na minha poesia a minha forma de ser. Rodeio-a do ambiente e da musicalidade, como um acto íntimo, sem repressão, onde o desejo e o prazer se misturam habilidosamente com lucidez e elegância. E deixo-a acontecer! Sem tempo e sem idade… no corpo atraente duma jovem adolescente com o peso da maturidade e a beleza das sensações.

 

O que mais gosto de fazer

 

Gosto essencialmente de sossego e tranquilidade. De ler e de escrever ou assistir a um bom filme no cinema ou na televisão. De ouvir música romântica, italiana ou brasileira, os grandes êxitos dos anos 60/70, alguns instrumentais, e muitos clássicos. Aprecio alguns trechos de ópera e, de vez em quando, uma peça de teatro.

Adoro sentar-me na areia húmida duma praia isolada, escorre-la entre os dedos, e observar o horizonte. Sentir o cheiro das algas e da maresia e receber do oceano o baptismo de calma que me inspira e a brisa fresca que me alivia a alma. Espreitar as gaivotas e o seu estranho bailado. Vê-las picar o peixe e disputá-lo em algazarra.

Ou estar, simplesmente, numa esplanada, horas a fio, contemplando o mar, escutando o seu bramir e a rebentação das ondas. E tanto gosto dum manso pôr de sol, como dum furioso temporal, ou duma noite de lua cheia prateando a placidez das águas.

Fascina-me a entrada e saída dos grandes navios num porto, o embarque e desembarque, a ancoragem dos pequenos barcos e iates em qualquer marina, o deslizar dos veleiros, a faina dos pescadores na lota, as suas histórias e façanhas de velhos lobos do mar.

Preciso do silêncio para ouvir as vozes da natureza e das coisas que me rodeiam. O chilrear dos pássaros, o assobiar do vento, o murmurar das ondas… o cair das folhas… o serpentear do regato… o pingar da chuva…

Não gosto de grandes cidades. Não gosto de multidões, nem de centros comerciais. Sufocam-me e irritam-me. Detesto as lides caseiras, diárias e rotineiras. Aliás abomino as rotinas…

Adoro viajar, preferencialmente, de barco ou de comboio e lamento a falta de disponibilidade para o fazer mais assiduamente. Conhecer novos lugares, paisagens, países, descobrir a sua natureza sempre diversa e peculiar e fotografar tudo o que vejo desde a pedra mais rudimentar ao monumento mais grandioso. Depois no regresso, ocupo muito do meu tempo a organizar álbuns e a elaborar com fotografias e poemas alguns trabalhos em power point.

Gosto imenso de investigar e procurar matérias que me interessem ou me despertem atenção ou, simplesmente, regar e tratar dum jardim.

Tenho também prazer em conviver com o meu grupo de amigos, alguns pessoais, outros virtuais, debatendo ideias, conversando ou festejando qualquer acontecimento que nos seja comum.

Faço de tudo um pouco, desde que me disponha e teime em fazê-lo.

Não desisto perante as dificuldades, mas odeio fazer seja o que for por obrigação.

 

Dez degráus até ao sol

 

Dez livros escritos ao longo do tempo, desde a adolescência, que se interligam e sucedem, cronológica e afectivamente, contando cada um a sua história. Dez etapas evolutivas de crescimento e maturidade da minha vida entre o real e o imaginário. Dez filhos que a alma gerou e, em não tendo sido possível a respectiva edição a quando da sua feitura, se tornaram irmãos, difíceis de separar ou de escolher qual seria o primeiro a ser publicado. Dez caminhos para a realização do sonho: o sol, a luz, o mundo com o qual, as imanências, as formas de estar e de sentir pudessem ser compartilhadas e interpretadas. Assim, a ideia da sua união como capítulos duma obra só, numa espécie de primeira antologia.

 

Imanências em tons de azul

 

Imanências, pedaços do ser libertos no fluir azul da serenidade e da espontaneidade, seleccionados para a concretização do sonho.

Um pouco de cada degrau e da sua ascensão com a simplicidade e a emoção dos sentimentos e a determinação da subida independentemente dos íngremes obstáculos do caminho.

Reflexos da alma espelhados positivamente na correnteza das águas, entre a luz e a penumbra, em busca da verdadeira imagem interior, do EU superior e da criação do corpo poético.

Assim, o seu nascimento, assim o seu soltar de borboleta da crisálida para a luz, num abrir de asas ao sol para a imensidão do azul.

 

Projectos futuros

 

Importa-me saber da apreciação e critica do público relativamente a este primeiro livro. Independentemente disso continuarei, no entanto, a escrever até que a mente a mão o permitam. 

Mantenho o propósito de publicação do livro Dez Degraus até ao Sol como uma antologia, ou de cada dos seus livros que o formam, separadamente.

Neste entretanto, novos poemas aconteceram e tenho já material para um novo livro, senão para dois.

Gostaria de experimentar outro género literário como romance, por exemplo. Conciliar a vida profissional e a escrita dificulta esse objectivo, mas não o torna impossível. Sou teimosa e persistente e em querendo tudo pode acontecer.

Gostaria de escrever a tempo inteiro, o que para já é impensável.

O futuro é, por si só, um projecto e o tempo e a maturidade darão os frutos certos no momento certo.

 

Mensagem para o público presente no dia da apresentação

 

Em poucas palavras agradeço aos que estão presentes por me acompanharem e acarinharem neste momento tão especial e importante para mim. É o concretizar dum sonho, que não aconteceria sem o envolvimento e a amizade da maioria dos que me têm apoiado. Não posso, no entanto, deixar de referenciar também todos aqueles que gostariam de ter vindo e, quer pelas grandes distâncias geográficas que nos separam, quer pelos afazeres inadiáveis, não o puderam fazer. Sei que estão comigo em pensamento.

Partilho convosco a minha poesia consciente de que, a partir de agora, deixa de ser apenas minha e passa a ser de todos os que a lerem e sentirem. Ousei escrever, ousei editar, ousei repartir. Evidentemente que estou aberta às criticas. Ouso tê-las. Ouso aprender com elas. Ouso, fundamentalmente, sair da minha concha e espreitar o sol, assumindo a formação académica que me foi possível ter. A Universidade que frequento é a vida, e as faculdades em que me especializo são a tenacidade e a vontade.

Ao longo do tempo, fui-me apercebendo que, cada vez mais, há menos poetas vivos. Poucos autores se aventuram neste campo. E uma das razões, que encontro para esse facto, é que se trata dum acto de amor, logo não comercial e poucos são os editores que investem neste tipo de literatura. Os nossos jovens não são estimulados nem a ler nem a escrever. Poucos apreciam ou cultivam o gosto pela poesia, porque também não a têm nos escaparates e não consta das rotas de marketing. É interessante verificar como todos os grandes poetas só ganham esse estatuto depois de mortos.

A mensagem que vos deixo é exactamente esta: Incentivem os jovens que vos estejam mais próximos, os vossos familiares ou amigos na leitura e na descoberta desse universo maravilhoso que é a poesia. Sem ela, o mundo, embora colorido, é um enorme e cinzento lugar comum.

A época natalícia que se aproxima, já por si, mágica e inspiradora, é um bom pretexto para a oferecer e usufruir do encanto que a mesma pode proporcionar. Basta lançar a semente e, quem sabe, plantar novos poetas, ou simplesmente descobrir novos leitores.

O livro que vos apresento pode ser o meio. Adquiram-no para vossa apreciação pessoal e, dado que até não é muito dispendioso, tenham em mente o propósito de semear alguma poesia ao ofertá-lo ou ao divulgá-lo aos vossos relacionamentos com a aquisição de mais alguns exemplares.

O meu sincero agradecimento ao Diego Lora por acreditar nesse projecto e ter a coragem de editar desconhecidos e, principalmente, por ter apostado em mim de imediato.

Grata a todos. Leiam, apreciem e divulguem. Certa de que se identificarão um pouco em alguns dos meus poemas, sei que este meu livro é um livro vosso, também.


 

ÍNDICE de DEZ DEGRAUS ATÉ AO SOL

 

Livro I: MARCAS

Teimosia duma lágrima 9

Partiste 10

Viver sonhando 12

Quero viver 14

Angola 16

Desabafo 18

Katwitwi 19

Verdade única 20

Teu nome nas estrelas 22

Mágoas 23

Só tu sabes, Natureza 24

A boneca 26

Alma morta 28

Criança 30

É hora 31

«Miguel» – Um prisioneiro 32

Vai amigo 34

Num banco de jardim 36

Chama para uma fogueira 37

A uma velhinha 38

Ser poeta 39

Liberdade 40

Lama 41

De mãos vazias 42

Palavras 44

Ao acaso 46

Eis, ó gente, a Liberdade 48

Noite que cai 49

Liberdade e Democracia 50

Pescador – sonho de menino 52

Vagabundo 54

Ansiedade angustiante 56

Ergue a voz juventude 58

Marcas 61

 

Livro II: O SONETO E O MOMENTO

 

Olhos negros 65

Sombras 66

Dez degraus até ao sol 6

Querer 67

O amor é assim... 68

Que resta 69

Brinde 70

À mentira que me rodeia 71

Como o tempo veloz passa 72

Vida à toa 73

És preciso, além... 74

Reencontro 75

Vinte e um anos 76

Fome de amor 77

Ah! Bocage!... 78

Flor eternizada 79

Versejando 80

Novas do vento norte 81

Reparação 82

Dispersos 83

Sempre à espera 84

Feliz aniversário 85

Os quatro poemas do meu avô Alexandre 87

 

Livro III: CERTAS HORAS SEM PONTEIROS

 

Não digas nada 94

Volta, para mim, Primavera 96

À morte agrilhoada 98

Protesto 100

Sofrer suicida 102

Roubo reclamado 103

Seria um maior sarilho 104

A minha janela 105

Rita 106

Amizade 108

Rubi escarlate 109

Esperando a madrugada 112

Sobrevivência 113

A um recém-nascido 116

Ou tudo ou nada 118

À beira do abismo 121

Bucólica 122

Pensando em ti 124

Silêncio 127

 

Livro IV: A ILHA DOS ESPELHOS

 

Olha 130

Sou 132

Nós 134

Recordo 136

Cântico 137

Sonho 138

Resistência 139

Naufrágio 140

Espreitando 141

Fins de semana 142

Alguém, finalmente... 143

E um menino cresceu para mim... 144

Quem diria 145

Manhãs de champanhe 146

A festa dos sentidos 148

Que importa 150

Uma história, ao fim do dia... 152

Espelhos 154

É noite, cá fora... 156

Amor 157

Poesia 158

Fortuna 160

Quem dera 162

Natal 163

Adeus 164

Testamento 165

Feitiço da lua cheia 168

Só... 170

Gaivota 171

Safiras da minha infância 174

Portas abertas 176

Coisas 177

Distâncias 178

A ilha dos espelhos 179

 

Livro V: UMA MULHER ALGURES NA CIDADE

 

A prenda 187

Momentos de verdade 188

Hoje 192

Rotina 195

Questão 200

Se 202

O fruto 203

E o sonho acabou… 204

É Lisboa! 206

Meu pensamento 207

Vinte e três de Agosto 208

Tchim-tchim… 210

Desenhos indefinidos 211

Em cena 212

Acontece... 213

 

Livro VI: BRANCAS NOITES VESTIDAS DE AZUL

 

«No princípio era o verbo»... 217

Gosto 218

Vi 220

Nós, os gatos... 221

Retalhos 222

Minha filha 224

Final de emissão 225

Cais 228

Veludo azul 230

Mutação 233

Rosas amarelas 238

Brancas noites 240

Portos reais 242

Fora de horas 243

Cinzas dum cigarro 244

Labirinto 245

Portas fechadas 246

Regresso 247

 

Livro VII: FILHOS D’ALMA

 

Incrível 251

Fuga... 254

Amigos para sempre 256

Jardim secreto 257

Reflexões 258

Peço ao destino 260

Felicidade 261

Uma gota de água 262

Fomos 266

Sei-me 267

Quisera 268

Mataste 269

Sem palavras 271

Somos... 272

Filhos d’alma 273

Virose 275

Pressentimento 277

 

Livro VIII: 40 ANOS DEPOIS…

 

Dedicatória 281

Sonho 282

Ao fim da tarde... 284

Um dia 285

Segredos 286

Sonho de meninos 287

Simplesmente maravilhoso!... 288

Azulou 291

Por enquanto… 292

Nosso amor é de verdade 295

Foi-se embora o Sabiá 296

Choramos… 298

Porquê? 299

Anseio 300

Penso em ti 302

Retorno 303

Sonho-me sereia 304

Sete… 305

A cor da inveja 306

A minha ilha 307

Mar e amar 308

Urge 309

O teu nome 310

Aplausos 311

Carga 312

Minha lua 313

Poeta 314

O que nos damos 315

Arco-Íris 317

Barco sem regresso 318

Pela metade 319

Fera enjaulada 320

Palavras não ditas 321

Trilha 322

Meu baú 323

Outro dia 324

Amor 327

Gemidos de poeta 328

As lágrimas e os risos 329

Apenas e agora 330

O passar vago dos dias 331

Tempo perdido 332

Fim de ano em Paris 333

Restos 335

Destino 336

Outro azul 337

Primavera 338

Palavras para quê?!... 339

Outros nós 340

Claridades 341

Como 342

A valsa de Brel 344

Passei por cá 347

Noite de luar 348

Só tu… 349

Urgente 350

Era o azul 351

Imprópria Indefinição 352

Momento 353

Maresia 354

Sonhei 355

Acordar 356

Manuscritos 357

Certa foto 358

Voar 359

Sinal de nascença 360

Interrogação 361

A luz dos meus olhos 362

Um outro arco-íris 363

Dançando à chuva 364

Laços e nós 365

Cartas de amor 366

O comboio da minha infância 367

Ai…Namorar…Namorar… 370

Vendaval de mim 371

Pierrot e Columbina 373

Milagre 374

Aguardo… 375

Clarear 376

Sonho azul 377

Farrapos 378

Tu, meu sempre menino 379

Sombras na noite 381

Golo na baliza da memória 382

Não adianta a negação 383

Festim 384

Descendo a montanha 385

Mentes… 386

Fotos 387

Inês nega Pedro 388

Formas 390

Se só… 391

Embriaguês 392

Subi à montanha 393

Teu beijo 394

A falta duma ponte 395

Nenúfares 396

Cais a mais 397

Crime 398

Vendaval de nós 400

O encanto da infância 402

Esperança 403

Dormindo 404

Queria ter 405

Quanta vida 407

Quarenta anos depois... 408

Pipocas e sorvete 411

Peças dum puzzle 412

Amor primeiro 413

Se…Como? 415

Predestinação 416

Fala 417

Quero 418

Aguarela 419

A lei da guerra 421

Digo-te adeus… 422

 

Livro IX: MEIA VIDA… ENTRE DUAS VIDAS!

 

Meu brado 427

A voz do poeta 428

Entre o sonho e o sono 429

Ser Escorpião 430

Cantar de galo 432

Adeus «Avô Chico» 434

Saudades 436

Lobito 438

Huambo 439

Em frente 440

Agradecimento 441

Sanzala 442

Mãe África 443

Nova Lisboa 444

Que nos faz falta 445

Poeta que sonha 446

Num só tema 447

Presença 448

A ternura da saudade 449

Temos poeta 450

Ana Catarina (16 anos) 451

Outra princesa a sonhar… 452

16 Anos 453

Boquet 454

O meu espanto 455

Êxtases 456

Meu amigo Fernando Pessoa 457

Adeus melancolia 458

Dança 459

Folhas da minha canção 460

Ser ou não ser 461

Espectáculo 462

Ser feliz 464

Fogos de artifício 465

Anjos 466

Tarde de chuva 467

Mulheres geniais 468

De repente 471

Circo da vida 472

Motivo e insistência 474

É Natal 475

Sentimentos são sentimentos... 476

Nostalgia 478

Mística do Natal 479

Feliz Ano 480

Aos amigos de Nova Lisboa 481

O ano 482

Sol 483

Tempo 484

O amor 485

Poeta 486

Dor cruel 487

Novo Ano 488

Raiar 489

A hipocrisia e a intriga 490

Rimas 491

Fado 492

Musa por momentos... 493

Feras 494

Esquema 495

Era o tempo… 496

Amigos 497

Renascer 498

Réplica 499

Que sina 500

Sabedoria divina 501

Mulola 502

Lisboa 503

Mistério 504

Aos olhos do poeta 505

Mensagem 506

É a esperança 508

Rosas 509

Aquele sorriso inesquecível 510

Sente e vive 512

Quem? 513

O poder dos deuses 514

Um ramo de rosas 515

A obra 516

Tenho rugas por fora… 517

Rabiscos de cor 518

Á artista 519

O poema que não escrevi 520

Morte dum soldado 521

Caminhantes 522

Teimosia 523

Uns e outros 524

Quando eu morrer 526

Regresso 527

Alma 528

Sente 529

Cheira-me 530

Duas meninas 532

Palavras para quê? 533

Papoila 534

Trouxe comigo Pessoa 535

O voo da águia 536

Rodopio 537

A roda da vida 538

Renovar 540

Ser criança 541

Veia poética 542

Ana Filipa 543

Ana Filipa (12 anos) 544

Minha filha 545

O beijo da princesa Pi 546

As melhoras 547

Vermelho e negro 548

Se 550

Noite 551

Forma de estar 552

Carnaval 553

O dia dos namorados 554

Namorar é preciso... 555

O teu livro 556

O artista 557

Piano 558

Débora 559

Rastejar 560

Árvores 561

Verde 562

Voo incerto 563

Águia sou 564

Choro-te Bento 565

Mulheres 566

Mulher, todos os dias 567

Coração de pedra 568

Feitiço de mulata 569

Palanca negra 570

Saudades 571

 

Livro X: A OUTRA PARTE DE MIM…

 

Mil perguntas 575

O que faço 576

Se falassem as pedras da calçada 577

Fama 578

Fim de questão 579

Poeta 580

Morte 581

Choro 582

Óh! Como… 583

A fuga das palavras 584

A flecha do tempo 585

Depois da tempestade 586

A importância dum nome 588

Mistérios de cor 589

Uma águia voa… 590

Bom dia 591

África minha 592

Minha praia 594

Cenário primaveril 595

O campo das letras 596

No embalo do vento 597

Detalhes dum rosto 598

Afinal 600

Amantes por afinidade 601

As crianças e os poetas 602

Anel de fogo 603

Mórbida melancolia 604

Sonho contigo! 605

Humor 606

Deusa entre as deusas 607

Estar e ser 608

Ninguém 609

Recanto do céu 610

Deus e a poesia 611

Odeio e amo 612

Confesso 613

Fartinha! 614

Cega demência 615

Almas gémeas 616

Misticismo 617

Vida… 618

Pelo império e pela fé 619

Estrada da vida 620

Pantera negra 621

Abril 622

Capelas inacabadas 623

Passei pela vida 624

Basta que… 625

Mais que instante 626

Azul dor 627

África nossa 628

Lá… 629

Príncipe das marés 630

Não seria quem sou 631

A tua voz 632

Nas minhas asas de gaivota 633

Ave de asa partida 634

Nas pontas dos meus dedos 635

Coelhinho da Páscoa 636

Páscoa 637

Negritude 638

Na canto do rouxinol 639

Aí…Loengos, aí…Loengos… 640

Que mais dizer 641

Filigrana 642

Olhando o mar 643

Novo alento 644

A força das palavras 645

Aleluia 646

Não sei 647

Pontes 648

Um amor assim 650

As minhas mãos 651

A minha tristeza 652

Janela aberta 653

Silêncio 654

Óh! Pessoa! 655

Acordares 656

De ti não sabia 657

Sementes do ódio 658

Encanto dum olhar 660

Depois do rugido 661

Campos de algodão 662

Fala-me... 663

Murmúrios do vento 664

Olhar-te 665

Teus olhos 666

Andei por aí… 667

Abril reinventado 668

Colherei as orquídeas 669

Sexta-feira, dia treze 670

Transparências 671

Ciúmes 672

Momentos 673

Luar de prata 674

Luzes da ribalta 675

Negação 676

Volta! Estarei à tua espera 677

A tua gargalhada 679

Maracujá 680

Quem sabe, um dia… 681

Interrogação 682

Somos 683

A concha 684

Fantasmas do passado 685

Livros 686

O dia 687

Estranho destino 688

O tempo 689

Depois… 690

A lua prata 691

Louco é o poeta 692

Pesadelo 693

O mar 694

Feiticeira 695

Vê 696

Meu perfume 697

Ciúme 698

Reinicio 699

Dias de fuga 700

Dor 701

A velha cerejeira 702

A escada 703

A outra parte de mim 704

Segredo 705

Branco 706

Meu pranto 707

Esta vontade de partir 708

Mundo cruel 709

Imagino-te... 710

Avô… 711

Ah! 712

Como os lamento! 713

Chamamento 714

Chorar sorrindo… 716

Quis escrever um poema 717

O teu perfume 718

Morte lenta 719

Tu… 720

Barro 721

Socorro 722

Vulnerabilidade 723

Aquela menina 724

Suicídio 726

Menina 727

Se amor não tiver 728

Meus textos 729

Rio de lágrimas 730

Quisera (II) 731

Descalça 732

O azul das palavras 733

Sonho-me gaivota 734

Chamo por ti 735

Saudade 736

Dia de chuva 737

Vivemos 738

No fim 739

Relógios quebrados 740

A rolha 741

Porque não durmo 742

Escorpiando 743

A dor mais dura 744

Estes dias 745

Havemos de voltar! 746

Ambiguidade 747

O pátio da minha escola primária 748

Ser feliz 749

Simbiose 750

Quem não amou? 751

Perversão 752

Meditação 753

Júbilos de poeta 754

Rumo ao sul 755

Longa metragem 756

Clarividência 757

O caramanchão de buganvílias 758

Reencarnação 759

Cativeiro 760

Menina quase avó 761

Baile mandado 762

Noites quentes de Verão 763

Sol 764

Viajo 765

Amas- me 766

Quem és tu? 767

Em busca de mim 768

És Deus? 769

 

TESTEMUNHOS E OPINIÕES 771

 

INDICE 785


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