Os livros da EDITORIAL 100


Título: Imanências em tons de azul     -     Autora: Isabel Branco


   


Audiovisual de Diego Martínez Lora dedicado a Isabel Branco

Isabel Branco I   Isabel Branco II   Isabel Branco III    Isabel Branco IV



entrar a: Entrevista na RDP internacional 


 Entrevista na Antena 1 


Entrevista 6/01/2008 RDP Internacional, no programa Abraço de Domingo. Passou no apontamento da Maria José Dionísio – “No livro é que está a virtude”


Entrevista para a RTP África – Programa Artes e Espectáculos, do dia 15 de Fevereiro - 2008



Nascida, em Angola, a 7 de Novembro de 1957, lobitanga de gema e neolisboeta de coração tenho a cor do sol de África nos cabelos, o seu feitiço e sortilégio no olhar e na alma a saudade da terra amada que me viu nascer. Adolescente de 17 anos sofri os horrores da guerra, atravessei o deserto e com os meus pais e irmã fui refugiada nos campos de Cullinan, na África do Sul. Nesse país trabalhei arduamente e aprendi o significado da palavra Solidariedade. Vim para Portugal em 1977 onde vivo e trabalho. Cá casei e fui mãe de duas meninas. Reparto com o papel e a tinta o meu ser e o meu estar. Vivo o momento. Amo a poesia. As palavras acontecem.

ISABEL BRANCO

 


Livro de poemas - ISBN: 978-972-8843-56-4  -     Editorial 100, Vila Nova de Gaia, 2007. 176 p.  Preço com IVA: 15,75 €


 

A poesia de Isabel Branco é uma luta. Uma luta com a palavra, para que signifique mais; com o tema, para que seja tudo; com o ritmo, para que seja música. Não será assim com todos os poetas? Todos lutam pela expressão, na tentativa de chegar ao sentido de um mundo e de uma condição humana capaz de revelar Deus. Mas a poesia de Isabel é imanente. Para ela, o absoluto deve estar numa pedra, num pássaro, numa mão que gesticula, numa pétala que cai. O poema de Isabel é súbito e espontâneo como o riso de uma criança. Isento de retórica, livre dos artifícios que satisfazem alguns críticos, é uma poesia pura. É a própria Isabel que se escreve em cada verso. A pedra, o pássaro, a mão, a pétala são pedaços dela. Dói arrancá-los. Dói reuni-los.

Eduardo Homem


"A palavra flui intensamente, com simplicidade, mas profunda. Entranha-se na alma e na pele. O seu universo não deixa nada de fora. O quotidiano torna-se extraordinariamente mais natural. Isabel Branco preenche a realidade com a sua particular sensibilidade. Tudo fica mais vivo com o seu tom azul."

Diego Martínez Lora

 


Excertos do livro


NÓS, OS GATOS…

 

Eu, gata, umas vezes branca,

outras vezes rosa,

quero um cesto

e o meu gato

e, com ele, às escuras,

ronronar.

Beijar-lhe o pescoço,

sentir-lhe os pêlos eriçar…

Desafiá-lo…

E, nele inteirinha, me enroscar.

Arranhá-lo…

E permitir

que as suas garras

percorram o meu corpo

e o deixem marcado

com pequenos sinais

da sua fogosidade felina,

ou do seu fofo e doce carinho.

Quero pelos telhados vadiar,

alheia, ao que em volta se passar.

Quero a todas as árvores trepar,

a todos os postes subir,

desatando os nós

e desfiando novelos

que no caminho surgirem.

Eu gata, por vezes branca,

por vezes rosa,

quero o meu gato encontrar.

Lambê-lo…

Afagá-lo…

E, depois num cesto, às escuras,

pêlo com pêlo,

com ele ronronar,

como nós, os gatos,

tanto gostamos.


 

ERA O AZUL

Era o azul espaço

ilhéu mais vasto

na penumbra do teu olhar.

Era o azul nefasto

dum apertado laço

difícil de desapertar.

Era o azul arroxeado

das veias enregeladas

na tarde fria e calma.

Rosáceo, aconchegado

era o azul das palavras gritadas

no teu silencioso abraço de alma.

Era o azul dos teus lábios

na minha boca deixado

no beijo terno e quente,

alquimia que, nem os sábios,

indiferentes, a ti, meu amado,

misturam precisamente.

Era o azul rei

da sonora gargalhada

de teu riso resplandecente.

Meu amor, que tanto amei,

teu peito era a morada

promessa de azul poente.

Num ondular de serpente,

oceano das nossas inquietações,

era o azul sangue

segredo, entre nós, nascente,

ímpio muro de lamentações

azul de inferno exangue.

No calor dos nossos corpos

era o azul da ternura

na brancura da nossa pele.

Na saudade dos sonhos mortos

era o azul da amargura

esborratado no papel.


 

A OUTRA PARTE DE MIM

És o meu eu masculino

tal como eu sou o teu eu feminino.

Somos diferentes sendo iguais

como a imagem que se alarga

em espelho oblíquo e convexo.

Como duas metades desencaixadas

que se pertencem embora separadas,

somos dois mundos opostos,

dois pontos paralelos no universo

que em dado momento se tocam

num mistério de luz complexo:

Se és o sol eu sou a lua

se és o dia, sou a noite,

porém se és preto eu sou branca,

se és moreno eu sou loira.

Sei quem és!

Já não sei quem sou.

Ou se sou, sem ti.

Piso descalça o teu chão

e tu, desnudo, inverso,

vagueias ciúme em meu coração.

És meu e eu sou tua.

Somos desejo, água, verdade,

cúmplices num jogo perverso

de pequenos nadas.

E, entre nós, são escusadas,

as benditas palavras,

as polémicas definições

ou as brilhantes conclusões.

No limiar da realidade

beirando a ténue fronteira

entre o imaginário e o possível

somos dois poemas por escrever,

duas histórias sem fim.

Na nossa natureza franca

somos grandezas que se interpretam

entre olhares de eternidade,

duma poesia inesquecível.

Sei quem és!

És, tu, simplesmente,

a outra parte de mim!


HAVEMOS DE VOLTAR!

 

Havemos de voltar!

Mais velhos...

Diferentes...

Derrotados...

Cinzas...

Pó...

Sementes

arrastadas pelo vento

num pôr de sol de fogo...

Levados na fúria da maré...

Mas havemos de voltar

numa trovoada tropical,

derrubados

beijaremos a terra

e voltaremos, serenos,

a florescer no capinzal.

 


Entrevista a Isabel Branco:
(A propósito da publicação pela Editorial 100 dos seus livros: Imanências em tons de azul e Dez degraus até ao sol)


O universo poético de  ISABEL BRANCO:

 

O significado pessoal de “escrever”

“Escrever” - soltar a alma e deixá-la correr. É ter a ousadia de manchar o papel com letras e códigos na busca incessante do texto perfeito; o toque, a mácula da página em branco que, uma vez, preenchida me aponta o caminho da página em branco seguinte transformando-se no diálogo solitário e amoroso entre o eu, a mente, a mão, a caneta e o papel. É a viagem ao interior do eu e o encontro com o seu fluir. A mensagem, o recado, o desabafo eclodem, como sinónimos de liberdade e plenitude, na manifestação de que ao escrever digo e também me afirmo. A escrita é uma casa de espíritos libertados das trevas… soltos do seu silêncio e da sua solidão, numa dança estonteante de emotividade e prazer… e escrever é dar-lhes luz e vida… é permitir-lhes respirar, é deixá-los existir.

 

Quando reparei que gostava ou precisava de escrever?

Desde os bancos da escola primária que as palavras escritas surtem, em mim, um fascínio e uma paixão especiais. Isso percebia-se nas redacções e composições, sempre do agrado dos professores e comentadas nas aulas. Era uma criança tímida e reservada, que gostava de ler. Para além, disso muito observadora. Anotava tudo o que ouvia de interessante e que me captasse a atenção. Isto acontecia naturalmente.

A primeira grande necessidade de escrever surgiu ao 17 anos, quando a guerra me obrigou a partir de Angola, com os meus pais e irmã. Foi o escape das minhas angústias e dos meus medos. Nas longas horas de solidão escrevia sobre os factos, sobre as emoções, sobre a tragédia que, impotente, presenciava. Depois, indignada rasgava tudo. Para trás tinha ficado a minha terra e a minha alma ainda adolescente e uma raiva surda impedia-me de guardar o meu testemunho escrito como se as palavras me fossem insuficientes para descrever todo aquele cenário de dor.

Longe dos amigos e da restante família, separados e espalhados pelos sete cantos do mundo, encontrei porém na poesia, o segredo, a forma de me libertar dos meus próprios fantasmas e sobreviver interiormente. Fiz os primeiros dois poemas, num intervalo de almoço, na fábrica onde trabalhava na África do Sul. A partir daí não mais parei. Chego, a acordar de madrugada, com uma ideia, levantar-me e escrever tudo o que no momento me ocorre. Se o esboço duma poesia me surge na mente, onde quer que esteja, tenho que o registrar. Dou asas à imaginação muitas vezes, até, nos transportes públicos. Na minha carteira há sempre canetas e um bloco, cheio de pequenos apontamentos, frases soltas, enfim, tudo o que nasce e pode acabar por ser um poema. Já me aconteceu ir a andar e obrigar-me a parar no meio do caminho para escrever, nas mãos inclusive à falta de papel. Mas tenho fases. Tanto sou capaz de elaborar dois, três poemas por dia, como passar meses sem nada escrever. Tenho pequenas fúrias quando impedida, quer pelo barulho, quer por qualquer situação adversa que me impossibilite de me concentrar e escrever. E só acalmo quando concluo o texto idealizado. É um acto de amor imediato, visceral, e fluente.

 

Como a poesia mudou em mim, e como eu mudei para a poesia?

Poesia… a chave da magia! O irromper, o afirmar, o serenar… (como uma manada de cavalos selvagens galopando desenfreada pela ampla e verde planície, de crinas ao vento e narinas arfando, numa expressão de máxima liberdade que, de repente, abranda e estanca para beber das águas cristalinas dum manso regato circunstante, pastando depois, horas a fio, sossegadamente).
Assim, pé ante pé, se instalou a poesia, de mansinho, em meu redor. Foi acontecendo… e abrindo clareiras onde existia escuridão.
Com ela aprendi a ser outra pessoa. A aliviar rancores, a superar mágoas, a enfrentar barreiras e ultrapassar limites, a quebrar espelhos ou a virá-los ao contrário, a expressar sentimentos, a reconhecer em mim a minha outra alma gémea, a ser Infinito e Renascer, Maré e Contemplação, Vida e Absoluto, Luz e Intensidade, Azul e Eternidade.
Gravitamos num mundo a três dimensões: a realidade, a imaginação e a transcendência.
E toda a nossa vida gira em volta deste contexto ternário.
A realidade é o que temos, quer queiramos quer não. Embora mutável e sobrevivente pela vontade e pela força das circunstâncias, subserviente do imaginário de cada um de nós não deixa de ser nua, dura, crua e implacável.
A imaginação é o sonho, a ideia, a utopia, a fantasia, a magia, a fuga à realidade concreta, a viagem ao interior da nossa mente, a outra parte de nós, a poesia. 
A transcendência é o que está sempre mais além, o impossível, o inalcançável, o inexplicável, o mistério, a migração da alma, Deus, o Amor.
O que transcende uns não transcende outros e não há impossíveis absolutos. Existe sim, a ausência do limite, o Universo, o Absoluto… e a energia cósmica que cada um sabe usufruir e reflectir.
“Existem mais coisas entre o céu e a terra… do que sonha a nossa vã filosofia.” 
A poesia é simples e simultaneamente a ponte entre as duas margens e o maravilhoso equilíbrio que as sustenta.

 

O amor

 

"O Amor é a única flor que brota e cresce sem a ajuda das estações...."
Khalil Gibran

 

O amor! Ah, o amor, esse vertiginoso carrossel de emoções que nos move, que ora nos eleva às alturas, ora nos acorrenta às profundezas infernais do ego e ao qual ninguém consegue escapar. Não existe definição absoluta para o amor, pois o amor é o próprio Absoluto. Está inerente em tudo e em todas as coisas. Não se compra nem se vende em pacotinhos coloridos ou em doses ao peso. Presente, ao longo dos séculos, em todas as filosofias e religiões é ilimitado e transcendente vencendo medos e derrubando obstáculos. Sendo o maior e o mais belo sentimento da humanidade é também o menos compreendido. A maioria das pessoas vê e confunde o Amor como um sentimento de posse, mera paixão, atracção física entre opostos ou desejo carnal. Como uma simples necessidade fisiológica e sexual. Mas o verdadeiro Amor é muito mais sublime que isso. É identificação, caminho, exaltação. É dádiva! Quem ama dá, desinteressadamente. E só aquele que verdadeiramente dá, verdadeiramente recebe! Quem ama o desconhecido amando-se a si mesmo, ama o Amor e o Amor está dentro de si. O amor é a outra e a melhor parte de nós.

 

UM AMOR ASSIM


Na grandeza do espírito,
sublimado, o meu, sinto
que por teu amor enaltecido
no abstracto é acontecido.
Amas-me, plena, como sou,
tu, que sem nunca me teres conhecido
me conheces e me entendes como ninguém.
E, eu, pássaro aflito,
a ti te amo, ser do meu ser desprendido
que em mim, estás fundido
e te sei, sendo, sem ter sido,
privilégio do imaginário,
minha interioridade e meu conflito,
verdade que não minto
e, a ti, me entrego e me dou.
Sou, para ti alguém
que no pensamento te acompanha
e te traz renascido.
És, para mim, também,
a chama que me bendiz ter nascido
e, em tua luz, inteira, me reflicto.
Sou a tua flor, és o meu jardim...
Triste de quem não viveu um amor, assim!

 

As minhas leituras

Como, em Angola, não havia televisão, adquiri desde muito pequena o hábito de ler à noite, ao deitar. Na infância depressa passei dos contos de fadas de encantar, das histórias de Andersen, da colecção dos livros da Anita para os meus predilectos que, então, eram os livros de aventuras como, por exemplo, “Os Cinco”.

A minha prenda de passagem da 4ª classe foi “A Morgadinha dos Canaviais” e aos 12 anos de idade já tinha lido a maioria das obras de Júlio Dinis, Camilo Castelo Branco, Almeida Garrett, Herculano. Depois, vieram: Augusto Gil, Miguel Torga, António Botto, Camões, Fernando Pessoa, Cesário e muitos outros poetas portugueses. A todos admirava e de todos decorei os poemas que mais cativavam. Mas foi em Pessoa que mais me demorei e me continuo a demorar. Quanto ao Eça… que me perdoe, nunca simpatizei muito com ele, embora também o tenha lido.

Aos 16 anos tive um grave problema de saúde que me obrigou a ficar de cama durante mais de um mês, impossibilitada de me mexer e sem poder fazer nada que não fosse ler. E li…imenso: Júlio Verne de lés a lés, Saint Exupery, Marcel Pagnol, Fernando Namora, Jorge Amado e José Mauro de Vasconcelos, Frank Slaughter e alguns clássicos como Vítor Hugo. Creio que, nessa altura, li quase todos os livros que existiam na Biblioteca do Banco de Angola, de Nova Lisboa, por intermédio do meu pai, funcionário do mesmo. O mesmo acontecendo com a do Liceu através das colegas que me visitavam.

Mais tarde Berthand Russell seduziu-me. O mesmo sucedeu com Gibran, Garcia Lorca, Gabriel Garcia Márquez, António Gedeão, José Régio, Florbela Espanca, Carlos Drummond de Andrade, Vinicius de Moraes, Octávio Paz, Neruda…cada um à sua maneira.

Leio de tudo um pouco e tenho as minhas preferências. Para além dos poetas e dos filósofos, gosto dum bom romance, dum best seller, dum policial que envolva investigação.

Na actualidade, os meus autores mais assíduos são, entre muitos outros: Sidney Sheldon, Mary Higgins Clark, Harold Robbins, Irwin Shaw, Lawrence Sanders, Konsalik, Irving Wallace, Susanna Tamaro, Stephen King, António Lobo Antunes, Mário Sá Carneiro, Cesariny, Rita Ferro, Inês Pedrosa, Sophia de  Mello Breyner, Agustina Bessa Luís e, mais recentemente, descobri Carlos Ruiz Zafón com o seu belíssimo “A Sombra do Vento”.

Ando a ler agora “As Rosas de Atacama” de Luís Sepúlveda.

Das minhas leituras, não aponto um só autor ou um só livro como preferidos. Em todos eles encontro obras que me encantam e, cada vez que as leio, com elas viajo, no tempo, na imaginação, na aprendizagem. Tenho na leitura e no cinema as minhas duas grandes formas de lazer e ocupação das horas disponíveis.

 

Vida e morte

O mistério da vida e da morte é indecifrável. Vivemos por uma reacção química numa associação de células, acrescidas de raciocínio e sentimentos. Morremos cientificamente pela ausência ou exaustão dessa actividade celular.
Morreremos efectivamente? Alcançaremos uma outra vida superior, eterna, como certas religiões proclamam? Reencarnaremos sucessivamente até à sublimação?
A vida que vivemos depende de nós, da forma como a vivemos e disso somos conscientes. Já a morte, ou a vida após a morte, depende da crença ou do que cada um idealiza dela.
Saber viver é saber aceitar a morte usufruindo da vida. Saber morrer é permanecer vivo, apesar da morte. O que de bom realizarmos vivos será o que transportaremos e eternizaremos na morte.
Amo demasiado a vida e tenho grandes dificuldades em aceitar e lidar com o fim definitivo. Sinto porém, que à medida que vamos amadurecendo vamos reavaliando e preparando essa aceitação ultrapassando os medos. Não percebo, nem julgo o suicídio, mas não creio que, alguma vez, fosse capaz de o praticar.

Sabendo que sou pó e que ao pó tornarei, tal Fénix, das cinzas renasço, no entanto, perante as minhas convicções. Falo com os meus mortos e consigo ouvir a mensagem que me transmitem. Descodificá-la até, e aplicá-la, conforme me sugerem. Acredito seriamente na reencarnação das almas sublimadas. Tenho visões doutras vidas passadas, sonhos e premonições de factos que acontecem posteriormente na realidade, como se a minha alma fosse gémea doutra alma e esta reveladora como uma ponte entre dois mundos opostos. Poder da mente? Magnetismo? Dom? Intuição? Percepções extra-sensoriais? Frutos duma imaginação pródiga, ou da ignorância? Crenças? Coincidências? Chamem-lhe o que quiserem! São sensações, sinais, que a princípio me assustavam mas, à medida que fui aprendendo a gerir e a entender, passaram a ser naturais.

Vivo e procuro, acima de tudo, merecer a vida que me foi dada como um privilégio e dar-lhe um sentido de que me orgulhe. Julgo ser essa a razão fundamental de qualquer existência. Quanto à morte… sabê-la-ei definir, devidamente, quando a encontrar.

 

REENCARNAÇÃO

Creio na reencarnação

das almas privilegiadas,

espíritos em libertação

em várias fases abençoadas.

 

Exemplos de vidas anteriores

que em perpétua evolução

transcendem suas dores

em eterna gravitação.

 

Surgem na voz dos poetas

e pairando entre os mortais,

sublimes, alcançam suas metas.

 

De finos véus se cobrem, imortais...

E, renascendo como profetas,

celebrizam seres especiais.

 

O belo, o bom e o útil

Longe estão os tempos da filosofia de Platão que defendia o belo como beleza moral, o bom como a verdade e útil o que servia ambos.

Da subjectividade defendida por Kant para quem o agradável pressupõe o prazer que o objecto pode provocar e o belo se sobrepõe ao prazer condicionando-o, a não aplicação do conceito como estabelecido continua a exercer-se.

Porém, na escala de valores que actualmente vivemos a tendência geral é aliar apenas o belo estético e o útil menosprezando o bom.

Não importam as qualidades e sobrevalorizam-se a aparência e o prático.

A sociedade de consumo e a necessidade rápida de resultados favorecem esta dualidade, a que acresce o fútil.

A moda determina a estética, a beleza exterior, criando falsos modelos em troca de mentiras e embustes que terminam muitas vezes no feio e no horrível. O artificial, o postiço, o falso, a tatuagem, o silicone, o botox, a montagem fotográfica criam o belo, ilusório, temporário, irreal e não necessariamente bom ou útil. À primeira contrariedade ou lavagem tudo se desmorona. A deturpação do que é belo pela utilidade momentânea, facilmente descartável e substituível ilude e fascina, cada vez mais. A troco dum corpo esbelto sacrifica-se a saúde. A troco do vedetismo sacrificam-se os valores. A troco do efémero e passageiro sacrifica-se a estabilidade.

Somos invadidos por uma série de inutilidades ou produtos light que descaradamente nos impingem e a que cegamente obedecemos partindo do princípio que nos farão imensa falta quando não servem absolutamente para nada.

Pessoalmente, equilibro-me entre o belo e bom, mantendo-os ora paralelos, ora complementares. Como diria Sócrates (o Filósofo) o que é bom também é belo…e sendo belo é bom!

Para mim, belo é o mar… belo é o nascimento duma criança… o desabrochar duma flor… a arte… o poema… a música… o sonho… e a tentativa para o alcançar… o que é puro e genuíno… o divino…;

Bom é o amor… a paz… a inteligência, o mundo das ideias e dos pensamentos onde tudo acontece… a capacidade de alterar o que aos nossos olhos está errado… a ética, os valores, a moral… a emoção, a sensação que o belo pode provocar…;

Útil é o alimento… a ferramenta… o trabalho… o instrumento… a guerra… o necessário…

Da interacção que faço desta trilogia surge-me e defino o sublime.

Assim:

Belo é o mar! Bom é contemplá-lo e navegá-lo! Útil é o barco que o cruza e o peixe que nele abunda.

Bela é a natureza! Bom o sol e a chuva que a fertilizam! Útil o arado que o lavra e o homem que deveria protegê-la.

Bela é a poesia! Bom o pensamento que a origina! Útil a caneta, o papel, o livro que a reúne ou a voz que a diz!

Belo é Deus! Bom é o Amor que personifica! Útil o ser que o sente e transmite, a palavra, o gesto, o acto que o exemplifica.

 

A infância

Foi azul a minha infância! Nasci numa lindíssima praia angolana. Tive o mar imenso por primeiro companheiro. Nele, nos céus da minha terra e nos olhos do meu avô paterno (que depressa perdi) descobri os primeiros, essenciais e mais belos contrastes dessa majestosa cor. Conservei-os na memória e deles guardei os matizes e cambiantes que me orientaram ao longo da vida.

Fui a menina, a princezinha, a criança feliz e loirinha que, embora tímida, era alegre e divertida. Brinquei e sujei-me com a terra sentindo o seu cheiro e o seu chamamento. Adorava andar descalça e sentir a chuva quente, encharcar-me a roupa até aos ossos e rapidamente secar. Na praceta do meu bairro, como um pardal despreocupado, corri, saltei, joguei às escondidas entre os arbustos. Trepei aos muros e escalei os mamoeiros do meu quintal. Rebolei pelo capim, chapinhei nas pocinhas de água lamacenta, persegui e desorganizei os carreirinhos de formigas e desafiei os comboios como um potro em veloz correria. Esfolei os joelhos, cai, chorei, vezes sem conta e, sem querer, cresci.

Teimosa, rebelde, mas disciplinada tenho da minha infância a imagem dum maravilhoso e colorido aquário de águas límpidas onde eu era um exótico peixinho azul tropical, volteando serenamente entre os corais, ladeada por um insinuante peixinho dourado e seguida por um séquito de belos cavalos marinhos e outros pequenos peixes avermelhados.

Mas… nem tudo foram rosas. Depressa senti o efeito e a dor dos espinhos ao despontar da adolescência. Precocemente, por volta dos 9, 10 anos, comecei a mudar interiormente, a sentir o peso das responsabilidades e, vertiginosamente, vi a minha infância partir. E os meus azuis ganharam outras tonalidades.

 

África e Portugal

África e Portugal duas civilizações, duas culturas, duas realidades completamente diferentes e opostas. A primeira que saudosamente recordo e a segunda onde desenraizada sobrevivo.

África, minha terra mãe… a mãe das mães, meu berço, minha juventude, meu enlevo, meu primeiro amor. Minha inesquecível paleta de azuis e sol… O paraíso na terra, onde tudo principia e acaba! O continente onde vivi e cresci até aos dezanove anos, que trago no coração, que recordo, que espero um dia voltar a ver, o repouso ideal que anseio para as minhas cinzas.

A cor, os cheiros, a fauna, a flora, o espaço, a selva, o clima, as praias, até os desertos, tudo em África é um hino à Vida, à Liberdade, à Emoção. Quem lá esteve sabe do seu sortilégio, e do apego que nos gera. A vastidão dos horizontes abre os espíritos e alarga as mentes.

A sua etnografia é fascinante. As suas riquezas naturais, as suas paisagens, os seus recursos são imensos e inesgotáveis.

As potências mundiais disputam-nos, por isso a cobiça, a guerra, a fome, a exploração, a miséria, o sofrimento do seu povo.

A terra argilosa, crestada e seca, acarinha, porém a nudez dos nossos passos e, fértil, abunda quem arduamente a semeia e qualquer raiz é alimento.

Os meus olhos e a minha alma continuam lá.

 

Portugal, a pátria madrasta… A terra de meus pais e avós. O jardim à beira mar plantado onde, não por vontade própria mas, pela força das circunstâncias, vim parar. Terra rica de paisagens e costumes de que aprendi, aos poucos, a gostar, mas que não amo, com a mesma paixão com que continuo a amar África.

Aqui, descobri outros azuis mais enublados, mais carregados, ainda muito próximos do cinzento, que muito lentamente vai clareando. As pessoas são mais sombrias, mais fechadas e egoístas. Talvez por inerência dos frios Invernos ou pela rabugice e soturnidade características da velha Europa, ou ainda pela obscuridade que os nossos governantes teimam em fazer-nos sentir.

Cá casei, cá trabalho, cá nasceram as minhas filhas. Aqui vivo e sobrevivo numa luta diária e constante, adaptando-me inconformadamente a um quotidiano de horizontes limitados. Talvez parte deste inconformismo tenha sido o motor que me levou a escrever e a encontrar a poesia. E, só por isso, como diria o poeta, “tudo vale a pena se a alma não é pequena”.

 

 

Sensualidade e sexualidade na tua  poesia

 

Sendo uma mulher Escorpião (passional, misteriosa, resistente e determinada), cujas características principais estão profundamente ligadas à sensualidade e sexualidade, obviamente, que isso se reflectiria na minha poesia.

Desconhecendo o meio-termo amo ou desprezo com a mesma intensidade. Escrevo da mesma forma e a fúria da paixão, o ciúme, o sentimento de posse, transparecem em alguns dos meus textos, como um vulcão incandescente prestes a explodir a qualquer instante, a par da extrema ternura, da emoção à flor da pele, da rubra exaltação ou do êxtase. A feminilidade que me é inata manifesta-se num simples olhar carregado de magnetismo e sedução, num toque de dedos entre dedos, num acariciar de mãos, na sofreguidão dum beijo que o papel e a tinta testemunham e o verso descreve. Ora provocante, insinuante, intensa, dominante, avassaladora, ora subtil, plena de delicadeza, misteriosa, implícita, sensível, retrato na minha poesia a minha forma de ser. Rodeio-a do ambiente e da musicalidade, como um acto íntimo, sem repressão, onde o desejo e o prazer se misturam habilidosamente com lucidez e elegância. E deixo-a acontecer! Sem tempo e sem idade… no corpo atraente duma jovem adolescente com o peso da maturidade e a beleza das sensações.

 

O que mais gosto de fazer

 

Gosto essencialmente de sossego e tranquilidade. De ler e de escrever ou assistir a um bom filme no cinema ou na televisão. De ouvir música romântica, italiana ou brasileira, os grandes êxitos dos anos 60/70, alguns instrumentais, e muitos clássicos. Aprecio alguns trechos de ópera e, de vez em quando, uma peça de teatro.

Adoro sentar-me na areia húmida duma praia isolada, escorre-la entre os dedos, e observar o horizonte. Sentir o cheiro das algas e da maresia e receber do oceano o baptismo de calma que me inspira e a brisa fresca que me alivia a alma. Espreitar as gaivotas e o seu estranho bailado. Vê-las picar o peixe e disputá-lo em algazarra.

Ou estar, simplesmente, numa esplanada, horas a fio, contemplando o mar, escutando o seu bramir e a rebentação das ondas. E tanto gosto dum manso pôr de sol, como dum furioso temporal, ou duma noite de lua cheia prateando a placidez das águas.

Fascina-me a entrada e saída dos grandes navios num porto, o embarque e desembarque, a ancoragem dos pequenos barcos e iates em qualquer marina, o deslizar dos veleiros, a faina dos pescadores na lota, as suas histórias e façanhas de velhos lobos do mar.

Preciso do silêncio para ouvir as vozes da natureza e das coisas que me rodeiam. O chilrear dos pássaros, o assobiar do vento, o murmurar das ondas… o cair das folhas… o serpentear do regato… o pingar da chuva…

Não gosto de grandes cidades. Não gosto de multidões, nem de centros comerciais. Sufocam-me e irritam-me. Detesto as lides caseiras, diárias e rotineiras. Aliás abomino as rotinas…

Adoro viajar, preferencialmente, de barco ou de comboio e lamento a falta de disponibilidade para o fazer mais assiduamente. Conhecer novos lugares, paisagens, países, descobrir a sua natureza sempre diversa e peculiar e fotografar tudo o que vejo desde a pedra mais rudimentar ao monumento mais grandioso. Depois no regresso, ocupo muito do meu tempo a organizar álbuns e a elaborar com fotografias e poemas alguns trabalhos em power point.

Gosto imenso de investigar e procurar matérias que me interessem ou me despertem atenção ou, simplesmente, regar e tratar dum jardim.

Tenho também prazer em conviver com o meu grupo de amigos, alguns pessoais, outros virtuais, debatendo ideias, conversando ou festejando qualquer acontecimento que nos seja comum.

Faço de tudo um pouco, desde que me disponha e teime em fazê-lo.

Não desisto perante as dificuldades, mas odeio fazer seja o que for por obrigação.

 

Dez degráus até ao sol

 

Dez livros escritos ao longo do tempo, desde a adolescência, que se interligam e sucedem, cronológica e afectivamente, contando cada um a sua história. Dez etapas evolutivas de crescimento e maturidade da minha vida entre o real e o imaginário. Dez filhos que a alma gerou e, em não tendo sido possível a respectiva edição a quando da sua feitura, se tornaram irmãos, difíceis de separar ou de escolher qual seria o primeiro a ser publicado. Dez caminhos para a realização do sonho: o sol, a luz, o mundo com o qual, as imanências, as formas de estar e de sentir pudessem ser compartilhadas e interpretadas. Assim, a ideia da sua união como capítulos duma obra só, numa espécie de primeira antologia.

 

Imanências em tons de azul

 

Imanências, pedaços do ser libertos no fluir azul da serenidade e da espontaneidade, seleccionados para a concretização do sonho.

Um pouco de cada degrau e da sua ascensão com a simplicidade e a emoção dos sentimentos e a determinação da subida independentemente dos íngremes obstáculos do caminho.

Reflexos da alma espelhados positivamente na correnteza das águas, entre a luz e a penumbra, em busca da verdadeira imagem interior, do EU superior e da criação do corpo poético.

Assim, o seu nascimento, assim o seu soltar de borboleta da crisálida para a luz, num abrir de asas ao sol para a imensidão do azul.

 

Projectos futuros

 

Importa-me saber da apreciação e critica do público relativamente a este primeiro livro. Independentemente disso continuarei, no entanto, a escrever até que a mente a mão o permitam. 

Mantenho o propósito de publicação do livro Dez Degraus até ao Sol como uma antologia, ou de cada dos seus livros que o formam, separadamente.

Neste entretanto, novos poemas aconteceram e tenho já material para um novo livro, senão para dois.

Gostaria de experimentar outro género literário como romance, por exemplo. Conciliar a vida profissional e a escrita dificulta esse objectivo, mas não o torna impossível. Sou teimosa e persistente e em querendo tudo pode acontecer.

Gostaria de escrever a tempo inteiro, o que para já é impensável.

O futuro é, por si só, um projecto e o tempo e a maturidade darão os frutos certos no momento certo.

 

Mensagem para o público presente no dia da apresentação

 

Em poucas palavras agradeço aos que estão presentes por me acompanharem e acarinharem neste momento tão especial e importante para mim. É o concretizar dum sonho, que não aconteceria sem o envolvimento e a amizade da maioria dos que me têm apoiado. Não posso, no entanto, deixar de referenciar também todos aqueles que gostariam de ter vindo e, quer pelas grandes distâncias geográficas que nos separam, quer pelos afazeres inadiáveis, não o puderam fazer. Sei que estão comigo em pensamento.

Partilho convosco a minha poesia consciente de que, a partir de agora, deixa de ser apenas minha e passa a ser de todos os que a lerem e sentirem. Ousei escrever, ousei editar, ousei repartir. Evidentemente que estou aberta às criticas. Ouso tê-las. Ouso aprender com elas. Ouso, fundamentalmente, sair da minha concha e espreitar o sol, assumindo a formação académica que me foi possível ter. A Universidade que frequento é a vida, e as faculdades em que me especializo são a tenacidade e a vontade.

Ao longo do tempo, fui-me apercebendo que, cada vez mais, há menos poetas vivos. Poucos autores se aventuram neste campo. E uma das razões, que encontro para esse facto, é que se trata dum acto de amor, logo não comercial e poucos são os editores que investem neste tipo de literatura. Os nossos jovens não são estimulados nem a ler nem a escrever. Poucos apreciam ou cultivam o gosto pela poesia, porque também não a têm nos escaparates e não consta das rotas de marketing. É interessante verificar como todos os grandes poetas só ganham esse estatuto depois de mortos.

A mensagem que vos deixo é exactamente esta: Incentivem os jovens que vos estejam mais próximos, os vossos familiares ou amigos na leitura e na descoberta desse universo maravilhoso que é a poesia. Sem ela, o mundo, embora colorido, é um enorme e cinzento lugar comum.

A época natalícia que se aproxima, já por si, mágica e inspiradora, é um bom pretexto para a oferecer e usufruir do encanto que a mesma pode proporcionar. Basta lançar a semente e, quem sabe, plantar novos poetas, ou simplesmente descobrir novos leitores.

O livro que vos apresento pode ser o meio. Adquiram-no para vossa apreciação pessoal e, dado que até não é muito dispendioso, tenham em mente o propósito de semear alguma poesia ao ofertá-lo ou ao divulgá-lo aos vossos relacionamentos com a aquisição de mais alguns exemplares.

O meu sincero agradecimento ao Diego Lora por acreditar nesse projecto e ter a coragem de editar desconhecidos e, principalmente, por ter apostado em mim de imediato.

Grata a todos. Leiam, apreciem e divulguem. Certa de que se identificarão um pouco em alguns dos meus poemas, sei que este meu livro é um livro vosso, também.


 

ÍNDICE de Imanências en tons de azul

 

JARDIM SECRETO 5

SONHEI 5

TEIMOSIA DUMA LÁGRIMA 7

PALAVRAS 8

MARCAS 9

QUERER 10

O AMOR É ASSIM... 11

BRINDE 12

A MINHA JANELA 13

NÃO DIGAS NADA 14

PROTESTO 16

À BEIRA DO ABISMO 18

OLHA 20

SOU 22

MANHÃS DE CHAMPANHE 24

A FESTA DOS SENTIDOS 26

QUE IMPORTA 28

ESPELHOS 30

RECORDO 32

É NOITE, CÁ FORA... 33

POESIA 34

FORTUNA 36

TESTAMENTO 38

GAIVOTA 41

COISAS 44

PORTAS ABERTAS 45

DISTÂNCIAS 46

E O SONHO ACABOU… 47

É LISBOA! 48

VINTE E TRÊS DE AGOSTO 49

DESENHOS INDEFINIDOS 52

EM CENA 53

VI 54

NÓS, OS GATOS... 55

FINAL DE EMISSÃO 56

VELUDO AZUL 59

MUTAÇÃO 62

FORA DE HORAS 67

CINZAS DUM CIGARRO 68

PORTAS FECHADAS 69

INCRÍVEL 70

SEI-ME 73

DEDICATÓRIA 74

UM DIA 75

AZULOU 76

POR ENQUANTO… 77

FOI-SE EMBORA O SABIÁ 80

PORQUÊ? 81

SETE… 82

MAR E AMAR 83

URGE 84

POETA 85

APLAUSOS 86

O QUE NOS DAMOS 88

CARGA 90

OUTRO DIA 91

AMOR 94

APENAS E AGORA 95

COMO 96

ERA O AZUL 98

MOMENTO 99

MARESIA 100

MANUSCRITOS 101

SINAL DE NASCENÇA 102

LAÇOS E NÓS 103

VENDAVAL DE MIM 104

CRIME 106

QUERIA TER 108

FESTIM 110

QUARENTA ANOS DEPOIS... 111

PEÇAS DUM PUZZLE 114

PREDESTINAÇÃO 115

AGUARELA 116

SER FELIZ 118

NOSTALGIA 119

ERA O TEMPO... 120

QUE SINA 121

SABEDORIA DIVINA 122

MISTÉRIO 123

MENSAGEM 124

ROSAS 126

SENTE E VIVE 127

TENHO RUGAS POR FORA… 128

TEIMOSIA 129

CHEIRA-ME 130

MIL PERGUNTAS 132

O QUE FAÇO 133

DEPOIS DA TEMPESTADE 134

ÁFRICA MINHA 136

MINHA PRAIA 138

CENÁRIO PRIMAVERIL 139

NO EMBALO DO VENTO 140

AMANTES POR AFINIDADE 141

NINGUÉM 142

ODEIO E AMO 143

CONFESSO 144

CEGA DEMÊNCIA 145

PANTERA NEGRA 146

ESTRADA DA VIDA 148

CAPELAS INACABADAS 149

PASSEI PELA VIDA 150

AZUL DOR 151

PRÍNCIPE DAS MARÉS 152

A TUA VOZ 153

NAS MINHAS ASAS DE GAIVOTA 154

OLHANDO O MAR 155

NÃO SEI 156

QUEM SABE, UM DIA… 157

PONTES 158

O DIA 160

FEITICEIRA 161

A OUTRA PARTE DE MIM 162

CHAMO POR TI 163

HAVEMOS DE VOLTAR! 165

VIAJO 166

ÉS DEUS? 167

AMAS-ME 168

QUEM ÉS TU? 169

EM BUSCA DE MIM 170

DEZ DEGRAUS ATÉ AO SOL 171

ÍNDICE 173


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