Os livros da EDITORIAL 100


Título: Nada/Luz interior   -     Autor: jota esse
 


Prosa breve e fotografias  - ISBN: 978-972-8843-87-8 -     Editorial 100, Vila Nova de Gaia, 2009. 104 p. 


     
 


Audiovisuais de Diego Martínez Lora dedicados a jota esse

jota esse em dicotomia

jota esse en sobre o Amor e outras cousas


fotografias de José Sousa:  o lado de fora interior


jota esse, José Sousa de seu nome, nasce a 5 de Abril de 1983 na Guarda, tendo sido naturalizado no Pereiro (Pinhel). Fazendo o 1º e 2º ciclos de escolaridade em Pinhel, vai estudar para o Seminário Menor do Fundão, onde conclui a escolaridade obrigatória. Repartindo o ensino secundário entre o Seminário Maior da Guarda e a Escola Secundária de Pinhel, ingressa então no curso de Jornalismo na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, onde exerceu, entre outras, actividades jornalísticas como a rádio e o jornal, tendo sido repórter fotográfico do Jornal Universitário A Cabra depois de ter completado um curso técnico-profissional de Fotojornalismo creditado pelo Cenjor.


NADA

Prefácio - de Vitor Fonseca de Sousa

Nesta obra concisa mas intensa, José Sousa faz um profundo olhar para dentro de si. É raro encontrar alguém que se exponha tanto ao leitor. Por isso é uma oportunidade de questionarmos o nosso ser e a sua essência.

Como o malabarista que caminha entre o questionamento do sentido ou mesmo a sua falta e a esperança, leva-nos a mergulhar no seu mundo interior, no seu nevoeiro de tristeza, ausência, mágoa, amnésia, algo que ele define como “esquecimento e escondimento próprio”. Mas nesta sua concha emparedada de dor e incompreensão do mundo envolvente ele vai fazer a sua terapia, o seu luto próprio, para depois renascer.

Encontramos neste processo algo mágico, onde o humano e o espiritual se abraçam, que vai convergir num encontro desejado de pureza e paz que se revela por um novo estado de ser e viver.

“QUE HAJA LUZ DENTRO E FORA DE NÓS…”, desafia-nos.

Do nada, do vazio à luz! Quem já conseguiu fazer este caminho?


Excertos do livro


Melhores dias

Nada. Não penso em nada… ou quase nada. Pensamentos irrepreensíveis que

revelam a presença de uma doença. Não sei o que escrever! Olho para o Buda,

olho para a Shiva, perfumado por este incenso intenso, cheio de cores e aromas vis,

apoiado por estas lentes transparentes que prendem meus olhos. Não são livres…

estão tapados com vidro e massa molecular.

È tarde. Pássaros cantam. A luz irrompe pelo quarto dentro, como um ladrão

impiedoso mas cuidadoso, para que não fira! Novos talentos me preenchem o

ouvido, sons em pânico transcendental, divino. Mas falta-me o paladar, falta-me o

olfacto. Há já uma semana que dura… melhores dias virão!


Cinzento

Há uma tristeza que invade o meu ser. Não sei ao certo porque estou triste, mas já

me disseram que sei… a razão está então latente!

Em inglês, diria que “estou azul” (blue), mas prefiro usar a expressão “estou

cinzento”, pois par’além de toda a minha indumentária deste momento ser dessa

cor, dessa cor está também a minha alma, como que um dia de nevoeiro interior.

Cinzento, e não azul, porque azul é uma cor celeste, enquanto que o cinzento é um

luto mais subliminar e em surdina.

Estou de luto por mim mesmo… morri e ainda não renasci.

 

 


 


Índice de Nada

Prefácio 5

Melhores dias 7

Interrupção 9

Photografias 11

Amnésia 13

(Des)amores 15

Budismo 17

Telúrico 19

Renascer 21

Preto & Branco 23

Fantasmas 25

Ao viver 27

Música 29

Estrelas 31

Chuva 33

Tempo 35

Reminiscência 37

Sombra 39

Gasoso 41

Desvanecimento (à Lili) 43

Cinzento 45

Luz 47

(In)Sónia 49

Fogo 51

Mágico 53

ad eternum 55

(Ence)fálico 57

Cronófago 59

Novo portuguê(i)s 61

Espirro 63

Escrevendo… 65


Luz Interior


jota esse, José Sousa, escreve estas obras entre 2007 e 2008 em Pinhel, onde residiu até Janeiro de 2009.

Publicou já, pela Editorial 100 sobre o Amor e outras cousas (2007) e dicotomia (2008).


Prefácio

“A candeia do corpo são os olhos; Se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz.”

(Mt. 6,22)

   

    O título da obra “Luz interior”, revela a pura essência destas palavras e imagens

que o autor utiliza como que querendo tirar uma fotografia à sua alma.

Na sua caminhada José Sousa mostra agora, após seu retiro interior a borboleta

que brotou da crisálida cheia de luz e de cor. É um novo ser que abre os olhos para

a vida e que pela primeira vez vê luz, não como de nascimento físico, mas espiritual.

O autor continua mestre na sua arte de pendular um pé numa vida projectando

outra paralela. O incentivo à harmonia, a descoberta clarividente do seu interior,

a comunhão que poderíamos dizer franciscana com o mundo culminando na

celebração plena que é a vida, revela a transfi guração do autor relativamente à sua

obra “Nada”.

A sua escrita é uma necessidade básica, como alimentar-se, vestir-se ou dormir,

cuja finalidade é partilhar a luz que brota do seu interior.

Obra eminentemente espiritual, de despertar espiritual que revela o humano que

anseia transcendência e o espiritual que se revela no amor ao humano.

                                               

                                                                    Vitor Fonseca de Sousa


Asas Humanas

 

Todo o Homem tem o desejo de voar, é um facto. Mas quem disse que não voamos?!

Voamos cada vez que cumprimos um sonho supostamente impossível, quando

realizamos um desejo supostamente inalcançável. Somos por isso pássaros também,

que voam sem que andem pelos ares, que têm também ninhos a construir e crias

para criar… Só não se vêem as asas, porque essas estão dentro de nós.


Alma

 

A alma, objecto tão etéreo e misterioso, tão escondido de significados e tão provido

de autenticidade. Sendo a sua origem latina, sabe-se que a sua raiz é a palavra

‘anima’, sendo pois, e literalmente, o que nos dá vida. Será que então, e por esta

ordem de ideias, os animais também têm alma?! Estudiosos escatológicos dizem que,

quando moremos, os primeiros seres que encontramos são os animais de estimação

que tivemos em vida… e isso agrada-me! Veremos. Até lá Jobi!


 

Índice de Luz Interior

Prefácio 5

Nirvana ou Ressureição? 7

Luz 9

De um filme 11

Viva La Vida 13

Taba(s)co 15

Sol 17

Noite 19

Outono 21

Dormir… 23

Asas Humanas 25

Escrever 27

Alma 29

Anjos 31


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