Os livros da EDITORIAL 100


Título: Pelos rumos da ilusão     -     Autor: Maria José Figueiredo


              
 

audiovisual 1ª parte - 2ª parte

Maria José Garcia Figueiredo, nasceu a 25 de Setembro de 1973, em São Romão - Seia. Esteve na Alemanha com os seus pais emigrantes até aos nove anos de idade, onde frequentou os dois primeiros anos de escolaridade, posteriormente regressou ao seu país natal onde completou o ensino. Tirou o Curso Técnico Profissional de Secretariado e é, neste momento, secretária de direcção no Museu do Pão, sito em Seia.

Sempre se interessou por temas ligados à arte de representar e a escrita foi uma constante desde cedo.

Uma pessoa simples que guarda em si, ainda hoje, uma grande capacidade de sonhar.

 


Livro de poemas - ISBN: 978-972-8843-64-9  -     Editorial 100, Vila Nova de Gaia, 2004. 148 p.  Preço com IVA: 12,60 €


“A poesia de Maria José Figueiredo é como água cristalina para aquele que tem sede. Nela reflectem-se os sentimentos transparentes da sua múltipla ilusão, a transformação da realidade quotidiana num encantamento poético simples mas autêntico e naturalmente profundo.”

Diego Martínez Lora


Excertos do livro


Como nasce um Poeta

 

Nem só de histórias vive o homem,

Nem só de lendas ele se inspira.

Porém, o saber literário ilumina-o,

Como se de uma estrela se tratasse.

A sua alma toma cor, dimensão e luz.

Traduz no vento o seu mais íntimo olhar,

Como quem escreve um poema nas ondas do mar.

Nem só de ilusões se guia o homem,

Nem só de sonhos ele se rege.

Porém, na caligrafia por sua mão exposta,

Se vê com carinho a sua alma imposta.

Nem só de palavras se entrega um homem.

Nem só de silêncios se deixa entregar…

Porém é nas suas palavras,

Nos seus longos silêncios,

Que nasce o viver de um novo poeta!


Dentro de Mim

 

Não sei cantar,

Não sei olhar...

Só sei dizer o que sinto,

Aqui... dentro!

Viajo por labirintos

Que são a minha alma.

Tento encontrar um destino,

Mas falta-me a calma,

Para o saber procurar.

Para o saber encontrar.

Nem tudo o que luz

São estrelas ao luar!

Não sei cantar,

Não sei falar...

Só sei olhar o que sinto,

Aqui... dentro!

Estranha forma de ser!

Escrever sem entender, o quê?

Poemas não são, nem prosas,

Versos, nem pensar... p’ra quê?

Falta-me a coragem,

Para saber procurar.

Para saber encontrar.

Nem tudo o que luz

São raios de ouro a brilhar!

Não sei cantar,

Não sei gostar...

Só sei mostrar o que sinto,

Aqui... dentro!

Nem sequer precisam de entender,

Nem eu faço questão.

Se tudo o que escrevo fosse água...

Já não tinha coração.

Já a alguém se teria lembrado...

De o magoar,

De o amachucar!

Pois nem tudo o que luz

É translúcida água a cantar!


Citadina

Tens no olhar

A fúria do conhecer,

Do querer entrar

Na magia da noite.

Descobrir sete maravilhas

Numa só hora,

Conquistar o mundo

Num piscar de olhos.

Vês o sol

Como teu aliado.

E a noite escura

Como a perversa loucura do inédito.

Tudo à tua volta,

Te envolve.

Tudo em ti,

É lume,

É voz,

É dança,

É liberdade total.

A inocência atrai quem passa,

E o medo corta asas.

E nesse olhar de fúria,

E nesse andar de jeito,

Nesse sorriso calmo,

E nessa voz de alento…

Existe uma beleza inédita e real,

Numa mulher deveras,

Que de raízes enlaça.

Citadina de voz e alma.

Citadina mulher bonita.

E se a virem…

Parem.

Ela vale...

Pela beleza de a ver passar!

A: Ana Rita…


Índice de Pelos Rumos da Ilusão

 

Prefácio 5

Agradecimentos 7

 

A Ilusão da... Consciência de Ser

 

Poeta esquecido, Poeta morto 11

Como nasce um Poeta 12

O Poeta 13

Na voz de um Poema 14

Esperança 15

Dentro de Mim 16

Amálgama 18

Sinto-me Só! 19

Sonho Criança 20

Passo a Passo 21

Prisioneira do Ser 22

Lágrimas da chuva 24

Só... de alma em nada 25

Que se faça sentir a voz da Solidão 26

Compreensão de sangue 27

Medo? 28

Lembrei-me de Ser... 29

O movimento do vento 30

Noites de Mar 31

Soldado 32

O Rapaz da Flauta 33

Chega-se o dia 34

O nascer de uma Crença 35

Consciência 36

 

A Ilusão da... Ilusão

 

Queria... 39

Já o vento levou 40

Sol da noite 41

Dança comigo 42

Olhem 43

Entrada no Céu 44

Encantos no Céu 45

Vibrações de um Coração Ausente 46

Insigne ar da montanha 47

Sonho 48

Trocas 49

 

A Ilusão... da Desilusão

 

Algures em 1996 52

Legendas 53

O que é feito de Ti? 54

Semente 55

13 de Novembro 2002 56

Limitação 58

Mundo cruel 59

No lumiar da flecha 60

Noites de Mar II 61

Noites de Mar III 62

Labirinto 63

1997 64

Equilíbrio 65

Outono 66

 

A Ilusão do... Amor

 

Nós 68

Quem dera! 70

Vim de longe 72

Foram fantasias 73

Vozes do Coração 74

Tu 75

Alma Companheira 76

 

A Ilusão da... Amizade

 

Amizade 79

Por ti 80

Amiga 81

A ti... Amigo 82

Pierrot 84

Citadina 86

Tu menina serrana 88

Ó tempo volta para trás 89

 

A Ilusão da... Felicidade

 

Felicidade 93

Olhar em frente... 94

A Quimera 95

... Por mim 96

Em busca da felicidade 97

 

A Ilusão da... Loucura

 

Loucura por onde andas? 101

Frenética Essência do Ser 102

Vulgaridades 103

Coragem 104

A Lenda do Vento 105

 

A Ilusão da... Saudade

 

Saudade 109

Saudades 110

Saudade de um Renascer 111

Natureza 112

Entre o passado e o futuro 113

Sinais 114

Sempre 115

Verdes Olhos de Verão 116

Brindemos 117

Do Frenesim ao Silêncio 118

(...) 119

Hino a Ti 120

 

A Ilusão da... Maternidade

 

Mãe Alento 125

Mãe Luz 126

Mãe 127

Mãe II 128

Ser Mãe 129

O meu Filho e Eu 130

 

Desabafos Finais

 

Películas da Vida 135

Verdades Transcritas 137

Onde andam os Sonhos? II 139

Pelos Rumos da Ilusão 141

 

Epílogo 143


Entrevista a Maria José Figueiredo(*)

(A propósito da publicação do seu livro Pelos rumos da ilusão pela Editorial 100)


Inspiração e trabalho poético

 

A inspiração para o meu trabalho poético vem de qualquer coisa que mexa comigo, que me desperte a atenção e acorde os sentidos, com a qual eu me identifique, que tenha a capacidade de me libertar a alma e soltar o que de mais profundo e belo existe em mim. Os poemas que vão constar no livro que a vossa editora me faz ajudar a fazer nascer é uma pequenina amostra do meu trabalho poético que abrange grande parte daquilo que sinto e sou.

 

Leituras e poetas preferidos (experiência como leitora)

 

Recordo com nostalgia o momento em que pela primeira vez tive nas minhas mãos um livro de poesia que me foi dado pelo meu irmão mais velho. Numa capa azul o dourado do nome Florbela Espanca obrigou-me a abri-lo como se o meu íntimo adivinhasse já o tesouro que eu buscava, sem saber, para preencher o vazio que sentia em mim. Não abri o livro na primeira página, abri-o a meio, li e depois escrevi sem hesitar o meu primeiro poema… nascia assim um novo mundo em mim. Hoje numa prateleira privilegiada da estante do meu quarto repousam vários livros de poesia, Fernando Pessoa e os seus heterónimos, Sebastião da Gama, Sophia de Mello Breyner, entre tantos outros. Numa outra é possível encontrar livros de Richard Bach e Steel, autores que me embalam a alma e me elevam a mente.

 

Que lugar ocupa a poesia na sua vida?

 

A poesia na minha vida ocupa um lugar de destaque. Num teatro de sombras e memórias foi, é e sempre será a actriz principal. Tem sido uma amiga, uma companheira e uma amante com quem me deito e levanto diariamente. Por ela e através dela movo montanhas, agito oceanos, agarro o brilho das estrelas, redescubro o meu mundo e renovo a minha esperança. Gosto mais de mim sempre que escrevo.

 

A solidão é a causa da poesia (compensação) ou a necessidade da poesia leva-te a procurar a solidão?

 

Citando alguns dos meus poemas “Estou só, como só estou sempre que escrevo!” simplesmente quero dizer que busco a poesia para preencher a solidão que às vezes me envolve e que desaparece quase como por magia sempre que pego num lápis e num papel para me dedicar à minha escrita. Há no entanto alturas em que busco a solidão para satisfazer a ávida necessidade de poetar. E eu não sou uma poetisa, sou um poeta porque a alma humana não tem sexo.

 

A influência da internet no teu processo criativo (estímulo e comunicação)

 

Como lhe disse há uns dias atrás gosto muito de escrever, não importa quando, onde ou como, nem o que desperta a minha vontade de o fazer, até um simples pacote de açúcar é digno de um pensamento ou de uma simples frase que nasce e permanece.

Na gaveta jazem centenas de papéis que encerram em si palavras escritas ao longo de muitos anos em que as novas tecnologias não dominavam o nosso quotidiano, em que só o papel e o lápis imperavam.

Ainda hoje os procuro apesar de ter consciência do quanto as novas tecnologias de informação me facilitariam o trabalho. Aliás a internet permitiu-me dar a conhecer ao mundo em primeira mão o meu trabalho e descobrir o que ele desperta naqueles que o lêem.

 

Publicar para quê?

 

Ver os meus poemas compilados num livro é um sonho antigo que me vejo agora prestes a realizar. Depois do nascimento do meu filho este será provavelmente o meu segundo flash na vida como um arco-íris de 2 cores que de tão simples se tornam intensas e únicas.

 

A poesia (sentimento poético) é uma realidade ou uma ilusão?

 

A poesia para mim é uma realidade porque através dela interpreto e reinvento o mundo que me rodeia, mas também acaba por ser uma ilusão porque esse mundo que é por mim recriado revela-se metamorfoseado, muito mais colorido, expansivo, sincero, MEU!

 

 

Quotidianeidade + poesia (processo criativo) = sobrevivência.

 

O meu dia a dia é um corrupio, ando sempre muito atarefada e quase não me sobra tempo para mim mesma e para aquilo que mais gosto de fazer. Mas aproveito cada pequeno momento mais calmo, para extravasar a minha força e energia escrevendo. A poesia é assim, o meu tranquilizante, o meu aconchego que por breves instantes me faz entrar dentro de um mundo que só a mim pertence e me faz sentir viva. É oxigénio para a alma, para o ser e para os sentidos. É nela que deposito o melhor de mim, a sinceridade pura e simples daquilo que nos faz renascer a cada dia.

 

O amor e o desamor motivos de poesia

 

A primeira vez que amei alguém escrevi poemas e mais poemas e mais poemas. Sentia-me feliz e a poesia era sem dúvida a forma mais bela de o exprimir. Juntando duas paixões tão fortes, nasceram, sem dúvida muitos dos meus melhores poemas... digo eu!

No entanto e em outras formas de amar voltei a escrever sem parar. A maternidade teve o Dom de me permitir expressar sinceramente os meus sentimentos. O meu filho é o meu melhor poema de sempre. Para ele escrevi "Tu és a melhor parte de mim" e quase me pareceu que estava tudo dito, até voltar às linhas soltas e libertar os sentimentos de mãe babada.

A falta de amor ou a ausência dele também me permitiu encher várias folhas de papel. A poesia servia-me assim de desabafo e então sentia-me melhor.

Os poemas fazem parte de mim como o sangue.

Neles existe Amor, Desamor, Saudade, Paz de Espírito, Solidão, eu sei lá uma infinidade de sentimentos. Tudo aquilo que um ser humano pode sentir.

"Eu não sou eu sem escrever, sem escrever não posso ser eu!"

 

A cidade (ou cidades) em ti

 

Não sou uma mulher da cidade, sou uma mulher do campo, das flores, dos rios a borbulhar enfim, das coisas simples mas essenciais da vida. Faz-me confusão o barulho da cidade. Não me deixa atingir a leveza  que me permite escrever. Não saberia viver numa cidade, sentir-me-ia sufocada por todos os lados. Talvez morresse em mim o mais importante, a leveza e a essência do meu ser.

 

Os limites da poesia

 

A poesia não tem limites!

Nasce e preenche completamente. Existe uma infinidade de coisas, pessoas e momentos para descrever. Temos o mundo inteiro para descobrir e fazer renascer em cada poema que se escreve. Limite para a poesia? Não! Se morrer um poeta ficarão por certo muitos outros que não deixarão desvanecer a arte de escrever.

"O meu poetar é limitado! Morre comigo..." mas outros continuarão.

 

Recomendações para a leitura da tua poesia

 

A minha poesia tem uma fácil leitura. Basta fechar os olhos, depois de a ler e transportarmo-nos para dentro dela e assim a alma flutua e a serenidade compensa.

Basta senti-la, para gostar dela.

Se não a sentirmos, não adianta querer gostar dela à força.

Ela é o que é. Vale por si quer aos meus quer aos olhos que a lêem e interiorizam.

 

Vigência da poesia nos tempos actuais

 

A poesia está constantemente presente no quotidiano de qualquer ser humano, é através de poemas, quer de autoria própria quer de autores conhecidos, que conseguimos expressar os nossos sentimentos.

Felizmente ainda existe muita gente a ler poesia, a utiliza-la e a escrevê-la também. Eu sei que a sociedade de hoje é muito prática e pouco é o tempo de que se dispõe para o lazer, a cultura e das coisas que nos fazem relaxar e estar de bem com a vida e com os nossos semelhantes.

Assim a poesia pode ser encarada como um escape, como uma forma de o ser humano se encontrar consigo e com os outros. Ela cria uma ponte entre o mundo exterior e o mundo interior de cada um, aquecendo quando o exterior é frio e arrefecendo quando por seu lado ele queima!

Estou convicta de que a poesia jamais deixará de envolver o mundo. Da minha parte darei, com certeza, o melhor de mim.

 

Mensagem para o público no dia da apresentação

 

A todos aqueles que se deslocaram até aqui hoje quero, principalmente, agradecer pelo carinho, pelo apoio, pela força e amizade com que me brindaram!

A presença dos amigos é o mais importante nos momentos cruciais da nossa vida, aqueles que iremos recordar sempre coma nostalgia característica dos bons momentos vividos.

espero que este meu livro, vos faça, de alguma forma, ficar um pouco mais de bem com a vida.

A poesia é um mundo maravilhoso que vale a pena descobrir e saborear.

da minha parte, e com a natureza dos simples: Obrigada!


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