Os livros da EDITORIAL 100


Título: O Testamento do Anticristo   -     Autor: Miguel Pires


      


 

:
 Parte I do Audiovisual sobre O Testamento do Anticristo - Miguel Pires

 


 Parte II do Audiovisual sobre O Testamento do Anticristo - Miguel Pires

 


Miguel Pires, 27 anos, natural de Valbom, uma pequena aldeia do concelho de Pinhel, distrito da Guarda, onde viveu a infância tranquila e feliz. Depois de concluído o ensino secundário na escola secundária de Pinhel, estudou em Coimbra onde se Licenciou em Farmácia e onde desenvolveu o gosto pela escrita. Aliado a outras artes que desenvolve enquanto hobbies, como a música ou o desenho, fez o desafio a si mesmo de criar uma história de ficção que desse corpo à sua criatividade. Aos poucos, começou a redigir o argumento de "O testamento do Anticristo" e a fazer a investigação necessária para dar coerência temporal e espacial à obra. Actualmente desempenha a sua actividade profissional nos serviços farmacêuticos do Hospital Sousa Martins da Guarda, como Técnico de Farmácia.

 

Paixão pelo fantástico! Se há coisa que me prende a atenção sobre um livro, um palco, um ecrã de televisão ou de cinema é a abordagem das manifestações mais sórdidas e animalescas do ser humano. O medo que me causa a sugestão de que a maldade humana não tem limites, provoca em mim um fascínio que não consigo explicar… talvez seja o facto de querer perceber ou descobrir os mistérios mais recônditos da mente humana… em muitos casos a dissolução entre a ficção e a realidade é um facto que assusta e não me parece que seja só a mim…

                                                                                            Miguel Pires


Romance - ISBN: 978-972-8843-73-1  -     Editorial 100, Vila Nova de Gaia, 2008. 148 p.  Preço com IVA: 12,60 €


Sobre O testamento do Anticristo

Trata-se de um policial de dimensão espacial internacional, que reporta o leitor para um mundo sobrenatural, paralelo ao mundo real, onde o bem e o mal se defrontam e o resultado desse confronto determina o futuro dos dois mundos. Procura-se, na história, personificar o bem em pessoas ou objectos que são associados ao mal e vice-versa, com o objectivo de chamar a atenção para a dicotomia, nem sempre fácil de interpretar, entre as duas dimensões. O texto está narrado no presente do indicativo com o objectivo de criar no leitor a sensação de que os factos acontecem no exacto momento da leitura e que o mesmo faz parte integrante deles.

 

                      


Excerto do livro O Testamento do Anticristo


Capítulo 2

 

Valbom, Pinhel, 1967.

Chove intensamente; as ruas estão alagadas; os relâmpagos põem a descoberto toda a destruição que a noite escondia. No chão, algumas árvores que sucumbiram com a força do vento demonstram a intensidade do temporal que se faz sentir.

Nas ruas não se vê vivalma. A chuva e o vento parecem querer arrancar os vidros das janelas.

Do interior do quarto do pequeno Angelo José dos Santos é também visível o cenário Dantesco da pequena aldeia, nesta noite.

Abre um relâmpago! Vê-se na parede um quadro de Jesus Cristo pendurado; na mesa-de-cabeceira um candeeiro de petróleo e um livro aberto; no chão uns chinelos rotos por cima de um tapete de trapos.

Da cama começam a ouvir-se pequenos gemidos que conferem àquele lugar um inquietante ambiente de terror. Os gemidos intensificam-se e a cama sente-se tremer, ligeiramente. Mais um relâmpago! Junto à cabeceira dá para ver que algo de estranho se passa com aquela criança: a sua cabeça está molhada; os seus olhos entreabertos e a sua respiração acelerada. A escuridão volta a inundar o quarto; por momentos o pequeno Angelo fica imóvel e a sua respiração parece ter ficado mais regular. Lá fora a tempestade também parece ter acalmado um pouco. Uma estranha sintonia parece existir.

De repente, algo de inesperado acontece: Angelo solta um terrível grito de agonia; vira-se na cama de um lado para o outro, parecendo que uma insuportável dor o consume.

No quarto ao lado, Maria Antónia dos Santos, sua mãe, acorda imediatamente com o terrível grito; por instantes fica confusa, não percebe o que ouviu. Angelo solta outro grito ainda mais intenso; desta vez foi claro. Maria levanta-se imediatamente e corre na direcção do quarto de seu filho. Abre a porta. O que um outro relâmpago lhe mostra fá-la recuar uns metros e quase cai no chão. As veias cinzentas sobressaem da cara esbranquiçada do pequeno Angelo; os seus olhos estão completamente brancos e o suor cobre-o dos pés à cabeça.

Maria tranca a porta do quarto e, por momentos, fica sem saber o que fazer. Decide então correr até seu quarto; ajoelha-se aos pés da cama e começa a rezar. Ouve mais um grito que a faz tremer por instantes. Maria sabe que seu filho precisa de ajuda e sente que algo mais tem que fazer para aliviar a estranha agonia que se abateu sobre ele.

Desesperada, corre na direcção da porta de saída; o temporal do outro lado da porta não a demove daquilo que pensa que poderá salvar o pequeno Angelo.

A força do vento quase não a deixa avançar e a chuva quase que lhe arranca a pele, no entanto, nada a faz recuar.

Finalmente, chega ao seu destino: uma pequena casa, já bastante antiga, com um pequeno jardim. Maria abre o portão, atravessa o jardim e sobe três degraus até chegar à porta; toca a sineta.

Demora algum tempo até que alguém venha abrir, parecendo uma eternidade. De repente, vislumbra-se uma luz e alguém abre a porta. É um homem de estatura média que aparenta cerca de cinquenta anos de idade e que não hesita em mandá-la entrar. - Então filha! Tenta acalmar-te e diz-me o que se passa. – Inquire.

- Padre Manuel, algo de muito grave está a acontecer com o meu filho.

- Por favor acalma-te e conta-me o que se passa...

Manuel de Sousa Ferreira é um homem que desde tenra idade se encontra profundamente ligado à Igreja Católica Romana por influência directa de seu tio, um padre católico, que o adoptou depois da morte precoce dos seus pais, durante a 1ª Guerra Mundial. Sua mãe fora uma enfermeira voluntária do exército Português, depois da entrada deste país na guerra, decorria o ano de 1916. Seu pai participou ainda mais activamente no conflito, tendo sido integrado nas fileiras do exército Aliado que combateu a denominada «Tríplice Aliança», constituída pelas potências centrais: Áustria-Hungria, Alemanha, Turquia e Bulgária.

Os dois jovens conheceram-se no meio da destruição e da morte, naquele que ainda hoje é considerado um dos períodos mais negros da história mundial. Lutando fervorosamente contra a adversidade, viveram uma intensa paixão da qual resultou o nascimento de Manuel. Pouco tempo passou depois daquele momento de felicidade, até que a Guerra conseguisse ceifar aquelas duas jovens vidas cheias de vontade de contribuir para a construção de um mundo melhor.

Educado exclusivamente sob os ensinamentos da Igreja Católica ultra-conservadora, Manuel dedicou toda a sua vida à religião, atingindo fama de curandeiro após o boato da cura milagrosa de uma mulher rotulada de «louca» por várias pessoas do povo. Muitos o procuraram a partir desse momento, mas a certa altura, Manuel começou a sofrer duras criticas por parte de membros influentes da igreja que o acusavam de usar alguns métodos não reconhecidos pela Santa Sé.

- Padre, venha comigo! Tem que ver com os seus próprios olhos! Por favor ajude-me! – Pede Maria com uma inquietante expressão de terror nos olhos.

- Está bem, mas espera um pouco...

Manuel de Sousa Ferreira entra no seu quarto; procura um livro por entre os demais que se encontram na estante encostada ao guarda-fatos; retira-o e coloca-o numa pasta sobre a cadeira próxima da porta. A sua expressão revela alguma desorientação. Depois de exalar um ligeiro suspiro, agarra a pasta e dirige-se novamente para a sala.

Os dois seguem imediatamente para a porta de saída. Manuel veste uma gabardina e agarra o guarda-chuva que se encontra no bengaleiro do hall de entrada. Lá fora, a chuva e o vento parecem estar de novo numa acalmia aparente, o que facilita de certa forma a chegada dos dois a casa de Maria.

Entram em casa; Maria dirige-se à porta do quarto de Angelo mas parece não ter coragem para a abrir, tal é o medo que a invade.

Manuel precipita-se na direcção da porta mas, por momentos, hesita. Por fim, abre a porta: o pequeno Angelo está de cócoras no canto esquerdo, próximo da mesa-de-cabeceira, com a cabeça entre os joelhos, encharcado de suor e soltando pequenos gemidos.

- Meu Deus! – Exclama Manuel horrorizado. – Algo terrível perturba esta criança. Começa a avançar lentamente na direcção do pequeno Angelo; Maria permanece imóvel do outro lado da porta.

- Meu filho?! O pequeno não esboça qualquer reacção.

Aproxima-se mais um pouco e insiste. - Meu filho?!

E uma vez mais não há qualquer resposta. Continua a andar e fica a escassos centímetros de Angelo; a proximidade faz-lhe perceber mais claramente o tamanho da agonia do pequeno. Manuel estende a mão e toca-lhe no ombro; por momentos Angelo permanece imóvel, mas não por muito tempo; a sua respiração começa a acelerar a um ritmo vertiginoso. Perante este cenário, Manuel recua uns passos, denotando alguma apreensão. Angelo parece ter ficado mais calmo com o distanciamento.

- Maria, traz-me um cálice com água benta, por favor.

- Claro. – Acede, avançando de imediato pelo corredor.

Manuel senta-se numa cadeira próxima da cama e centra novamente a sua atenção no pequeno Angelo, enquanto espera pela água benta. Um relâmpago especialmente forte faz-lhe desviar o olhar, por breves instantes, na direcção da janela. O descuido revela-se inquietante; o pequeno Angelo desapareceu. Aterrorizado, Manuel levanta-se com violência da cadeira e olha na direcção da porta; está fechada! Nada indica que Angelo tenha fugido; ter-se-ia ouvido o barulho da porta ou o estilhaçar da janela.

De repente, Manuel vê cair do tecto, mesmo à frente dos seus olhos, uma gota de suor. O que esta lhe sugere parece inacreditável, mas mesmo assim olha naquela direcção.

Na sala, onde Maria apanha a água benta, ouve-se um enorme estrondo contra a parede que lhe faz derramar parte da água que transferia para um recipiente mais pequeno.

O pequeno Angelo atacou Manuel ferozmente, tentando cegá-lo com as próprias mãos. Manuel consegue libertar-se do ataque, atirando-o contra o guarda-fatos. Da sua cara, e como resultado do ataque, escorre um fio de sangue misturado com suor que lhe confere um aspecto assustador.

Angelo está de novo de cócoras num dos cantos do quarto.

Manuel tem agora noção do perigo que corre e parece pressentir que tem de agir imediatamente.

Maria acaba de entrar no quarto; as suas mãos tremem intensamente, quase não consegue segurar o recipiente com a água e coloca-o sobre a cadeira, ficando imóvel de seguida.

Manuel não desvia os olhos de Angelo. - É melhor sair; e não entre até que eu a chame. – Sugere.

Maria acede imediatamente ao pedido dirigindo-se para a porta.

Manuel apanha do chão um dos lençóis que aí se encontra e precipita-se na direcção de Angelo. A sua reacção surpreende-o mais uma vez. - Padre, por favor, ajude-me. – Pede Angelo, aterrorizado.

Manuel fica tão surpreendido como desconfiado e decide continuar alerta. - Tem calma, meu filho, eu vou ajudar-te! – Exclama.

Apressadamente, prende-lhe as mãos e os pés com o lençol e coloca-o na cama; desta vez Angelo não esboça qualquer reacção. Retira da pasta uma estola (1 ) que coloca sobre os ombros; um livro que pousa sobre a cadeira e finalmente um frasco com um líquido translúcido e viscoso; parecido com o santo óleo. Parece preparar-se para realizar o conhecido, mas controverso, ritual de exorcismo.

Historicamente, o ritual de exorcismo remonta ao tempo em que Jesus Cristo viveu na terra. Segundo a doutrina da Igreja, Jesus Cristo veio para anunciar e inaugurar o Reino de Deus no mundo e nos homens; tendo estes a capacidade de acolher Deus nos seus corações. Esta capacidade de acolher Deus está, no entanto, ofuscada pelo pecado; e às vezes no homem, o mal ocupa o lugar onde Deus quer viver. Por isto, Jesus Cristo veio libertar o ser humano do domínio do mal e do pecado, e assim também de todas as formas de domínio do maligno, isto é, do diabo e dos seus espíritos malignos chamados demónios, que querem desviar o sentido da vida do homem. Por esta razão, Jesus Cristo expulsava os demónios e libertava os homens da possessão dos espíritos malignos, para abrir espaço no homem, de maneira que, este último, tenha a liberdade para Deus.

A sagrada escritura ensina que os espíritos malignos, inimigos de Deus e do Homem, desenvolvem a sua acção de diversas maneiras; entre elas está a obsessão diabólica, também chamada possessão diabólica.

Quando a Igreja pede, publicamente e com autoridade, em nome de Jesus Cristo, que uma pessoa ou um objecto seja protegido contra as armadilhas do maligno e subtraído do seu domínio, fala-se de exorcismo. O exorcismo é pois, uma antiga e particular forma de oração que a Igreja utiliza contra o poder do Diabo. O ritual romano continha, num capítulo especifico, as indicações e o texto litúrgico dos exorcismos. Este capítulo era o último e ficou sem ser revisto depois do Concílio Vaticano II. A redacção final deste Rito dos Exorcismos exigiu muitos estudos, revisões, actualizações e modificações com várias consultas das Conferências Episcopais, após uma análise de parte de uma Assembleia Ordinária da congregação para o Culto Divino. O trabalho exigiu 10 anos e resultou no texto actual, aprovado pelo Sumo Pontífice, que está publicado e à disposição dos Pastores e dos fiéis da Igreja.

O cristianismo deste século tem uma atitude dividida em relação ao exorcismo. Se por um lado tem mantido distância da sua prática, trabalhando mais próximo de psiquiatras e médicos e autorizando estudos para lançar luz sobre o fenómeno, por outro lado, a Igreja Católica tem encoberto esta prática com um enorme manto de silêncio.

Angelo permanece imóvel; parece até ter adormecido.

Manuel aproxima-se da cabeceira, retira a tampa do frasco e introduz neste o dedo indicador direito até ficar embebido com o líquido. Por instantes hesita; porém, sabe que é inevitável o que se prepara para fazer. Depois de uma derradeira tentativa para se acalmar, coloca o dedo na cabeça do pequeno Angelo, fazendo repetidos movimentos em cruz. O efeito que o gesto provoca não é, de todo, inesperado para ele. Imediatamente, o líquido provoca uma horrível queimadura, à qual Angelo reage com um enorme grito de agonia. O seu corpo começa a voltar ao estado normal. - Por favor, não! Não! Pára! – Implora desesperado.

Manuel não responde aos apelos, pois sabe que estes são manipulados por algo que se apoderou do seu espírito e dirige-se novamente para a cadeira. Agarra o livro e abre-o; retira do bolso esquerdo um terço que coloca sobre o livro aberto. Do mesmo bolso retira também um hissope2 que introduz no recipiente com a água benta e volta a retirar. Começa a recitar orações em voz baixa; ao mesmo tempo atira a água benta na direcção de Angelo.

Do outro lado da porta, o desespero de Maria é cada vez maior, e aumenta ainda mais com os agonizantes gritos que seu filho repete vezes sem conta.

O corpo de Angelo está de novo em transformação: as suas pálpebras voltaram a desaparecer, as veias cinzentas voltam a sobressair da pele esbranquiçada e a reacção não fica por aqui. Angelo tenta libertar-se das amarras a todo o custo.

Lá fora, a tempestade está mais feroz que nunca. Repentinamente, um forte relâmpago atinge uma árvore que embate violentamente contra a janela do quarto.

Manuel é atingido com os vidros projectados; o livro que segura cai no chão e a água benta é parcialmente derramada.

Angelo está agora completamente imóvel; parece até ter adormecido. O vento e a chuva invadem abruptamente aquele quarto.

- Abre a porta! Rápido! – Pede Manuel.

Maria apressa-se a abrir a porta, entra no quarto e dirige-se de imediato para a cama, libertando Angelo das amarras.

- É melhor levá-lo para o teu quarto. – Sugere Manuel, ainda combalido.

De imediato, Maria transporta-o, nos braços, para seu quarto e deita-o na cama.

- Ó, meu Deus! Ajuda-me! – Exclama desesperada.

- Tem calma minha filha, Deus vai ajudar-nos. – Replica Manuel, tentando confortá-la.

___________________________

(1)  Paramento em forma de tira larga que o padre traz em volta do pescoço

(2)  Objecto de metal com o qual se asperge a água benta sobre as pessoas, os lugares ou as coisas.

 


Entrevista a Miguel Pires a propósito da publicação de O Testamento do Anticristo pela Editorial 100


- Infância

Para mim a infância é aquela fase da vida que nos define enquanto seres humanos e nos molda a personalidade de uma forma tão vincada que dificilmente a podemos alterar de forma significativa. Parece-me que ao longo da vida (na adolescência ou na idade adulta) na nossa personalidade podem surgir pequenas mudanças, mas uma mudança drástica, sinceramente, não me parece; mesmo em situações extremas como a consciência da morte…

É como que uma tábua rasa que absorve e armazena conhecimentos e sentimentos de uma forma tão frenética que os pequeníssimos pormenores são elevados a uma dimensão enormíssima.

Parece-me até que existe a falsa convicção que a vida se vive no êxtase de intensidade no final da adolescência…

A minha infância define-se numa só palavra: feliz…

- Educação e formação

Educação e formação são dois conceitos que de certa forma se completam e aos quais associo também duas dimensões importantíssimas que são: a cientifica e a humana, e que se desenvolvem ao longo de toda a vida, mais intensamente na infância, como já referi… delas depende em grande medida, mais do que termos a capacidade de ser livres e felizes, a capacidade de respeitar a liberdade dos outros.

- A família e os amigos

São a base de todo o equilíbrio emocional e fisiológico do ser humano. Como precisamos do chão para pousar os pés e do ar para respirar, assim precisamos de um suporte que nos empurre para a vida e nos puxe do abismo…

- Trabalhos

Sempre procurei na minha vida estabelecer um equilíbrio no sentido de relacionar e desenvolver temas diversos da sociedade de uma forma multifacetada, podendo considerar-se até, em alguns casos, temas sem qualquer relação aparente. A rotina é um aspecto que eu combato todos os dias, não no sentido de evitar cumprir horários ou repetir procedimentos, mas sim abrir a mente a assuntos diferentes, pois penso que só assim se tira verdadeiramente prazer do trabalho. Posso dizer que actualmente me sinto realizado e, em grande parte, isso deve-se a esta forma de encarar a vida.

- Entre a farmácia e a escrita

De certa forma poderia repetir neste tema o que já referi anteriormente acrescentando ou explicando a origem/despertar destas duas vertentes. Enquanto estudante, a área das ciências naturais foi sempre aquela que mais interesse me despertou; a curiosidade nas disciplinas de biologia ou de química, por exemplo, sempre foi de uma dimensão incomparável, em relação a disciplinas relacionadas com as ciências humanas como a psicologia ou a filosofia ou com as artes… penso que esse facto advenha da convicção que ainda hoje tenho de que essas são áreas demasiado subjectivas e cujo conteúdo sempre me recusei a aceitar como facto, tal como eu tinha a percepção que me queriam transmitir!!!... Em relação às artes por exemplo, sempre questionava, porque é que tinha que pintar sobre aquele tema e não sobre outro?!!! Porque é que tinha que ler aquele livro e não outro?!! Eu percebo que talvez o ensino dessas áreas não se possa fazer de outra forma, embora não deixe de pensar que isso será sempre um exemplo de privação de liberdade criativa e de pensamento… Não será portanto de estranhar que a minha formação académica seja na área das ciências naturais. Em relação ás artes, dimensão pela qual eu nutro um fascínio muito especial, vivo-a como eu acho que deve ser vivida: em total liberdade. Eu é que escolho como e quando quero estudar um estilo arquitectónico, por exemplo, ou quando quero analisar uma forma de escrita de um determinado autor, ou quando e como quero aprender os acordes de uma determinada musica…

- A experiência de escrever

Sinceramente, há pouco tempo atrás não me imaginava capaz de escrever o que quer que fosse com o mínimo de condições para ser editado. Desde criança, durante algumas noites, enquanto não adormecia, imaginava histórias de ficção, baseadas em novelas, desenhos animados ou séries que via na televisão. Nunca perdi este habito até hoje… um dia resolvi colocar no papel, uma historia que imaginei, com uma linguagem totalmente descuidada. Aos poucos tomei consciência que a historia tomou um rumo e um interesse impensável no início o que me levou a tentar escrever o argumento com uma linguagem muito mais cuidada e coerente, baseada nos últimos livros que tinha lido; tarefa que se revelou difícil pois a inexperiência na escrita e a pouca leitura assim o determinaram. Ao longo do tempo de redacção do argumento, o gosto pela investigação de factos, pela leitura e pela escrita foi aumentando de tal forma, que resultou neste primeiro livro a ser editado. Actualmente tenho já mais duas ideias no papel, para desenvolver futuramente…

- A experiência de ler

Confesso que não passou muito tempo desde que desenvolvi o gosto pela leitura. Os livros nunca fizeram parte das minhas prioridades até começar o curso em Coimbra. As longas e cansativas viagens de comboio levaram-me a fazer uma simples pergunta a mim mesmo: porque é que eu não leio uns livros durante as viagens??  E assim foi, comerei a ler e a perceber que estava a desperdiçar um dos bons prazeres da vida; Em linguagem farmacêutica: um prazer sem efeitos secundários malignos! Ainda assim considero que li muito poucos livros até hoje. Normalmente um sempre me acompanha, mas infelizmente por falta de tempo, por vezes acompanha-me durante semanas ou ate meses… claro que há excepções, em alguns casos a história envolve-me de tal maneira, que a devoro em poucos dias. É natural que há quem considere que devora-lo seria num único dia mas cada um tem o seu ritmo… Se em relação à literatura de ficção a verdade é que por vezes passo longos períodos sem ler, no que diz respeito à imprensa quase todos os dias me entrego à leitura de jornais, principalmente jornais económicos… A economia é outra das áreas pela qual nutro um interesse especial… 

Para concluir, apenas uma observação: Talvez eu consiga desmistificar o paradigma de que para se escrever um livro é necessário ler centenas deles…

- Pinhel e a tua escrita

A história é outra das áreas que me desperta uma curiosidade muito especial; desde as primeiras aulas enquanto disciplina, até aos romances e filmes de época passando pelos documentários no papel ou na tv, devoro tudo o que se relaciona com o tempo passado… Como não poderia deixar de ser, a historia do lugar onde vivo, onde estão as minhas origens, no fundo a minha historia, não me podia passar despercebida. Há muito tempo que leio e vejo notícias e documentários sobre a história e as lendas da cidade e do conselho; dou como exemplos um livro do historiador natural de Pinhel, Dr Elidio Marta ou um documentário sobre a cidade do Prof. José Hermano Saraiva. Ainda em criança, quando fui estudar para a escola preparatória de Pinhel, fazia visitas frequentes ao castelo, à casa grande, aos solares, ao convento… tudo aquilo me impressionava… 

- Fontes do teu saber

O universo… Tudo o que existe é fonte de saber, até mesmo o que existe apenas no nosso imaginário. Para mim, como para qualquer outra pessoa, todos os objectos, todas as formas de vida, todas as pessoas, são fonte de saber, desde que a nossa mente tenha predisposição para tal. Em relação às pessoas por exemplo, subscrevo o que já vi referido por um pensador que, de momento, não me recordo quem: “…ninguém é tão grande que não possa aprender nem tão pequeno que não possa ensinar…”

- O real e o fantástico

Duas dimensões impossíveis de separar, cada uma dissolve-se na outra causando-nos a sensação que nenhuma delas existe ou que não existe uma sem a outra, são como que uma imagem na qual um objecto só se vê quando um outro serve de fundo e vice-versa.

- O policial

Posso dizer que até hoje, por poucos livros que tenha lido, não houve um único romance de ficção que me envolvesse daquela forma arrebatadora que nos prende à leitura, que não fosse aquele criado tendo por base a investigação criminal…

- Motivos de inspiração no teu romance

É um aspecto no qual não me vou alongar porque penso que iria ter que repetir grande parte do disse anteriormente. Penso que uma simples frase é suficiente para se perceber a fonte da minha inspiração. Este romance nasce de uma conjugação de interesses, paixões, gostos e prazeres, pela história, pelas lendas, pelo fantástico, pelo policial e pela condição humana…

- Porquê insistir no Anticristo

Penso que a palavra “anticristo” tem um significado imperioso neste livro em concreto. No argumento há imensas sugestões, algumas delas, talvez até, quase imperceptíveis! Dessas sugestões, uma das que tentei transmitir mais vincadamente, foi a transição do mal como entidade transcendental e sobrenatural para o mal como entidade física, mundana e real… anticristo, por definição, é a encarnação do mal sobrenatural num ser humano real e por isso penso que a própria palavra, só por si, simboliza ou pode simbolizar, de certa forma, a trama, na personagem do Angelo.

O próprio título “o testamento do anticristo” pode ser interpretado de várias formas pelo leitor, que vão desde a simples sugestão de ser a designação que o autor dá ao livro da casa do Diabo ou à própria cripta, ao conjunto de acontecimentos narrados, etc… 

- Método para escrever

O método que uso para escrever é muito simples: começo por criar um argumento através de um texto contínuo com uma linguagem totalmente descuidada. No fundo começo com uma simples ideia. A seguir passo a desenvolver a história dividindo-a em partes, acrescentando acontecimentos para lhe dar consistência e por fim inicio a investigação para esta ganhar coerência espacial e temporal. Sá a partir daqui começo a escrever, finalmente com uma linguagem agradável para o leitor, dentro das minhas limitações que são algumas…  normalmente reparo que a minha escrita é influenciada pelos últimos livros que li… 

- Personagens

Em quase todas elas se reflectem duas das dimensões comentadas num dos temas anteriores, que, em ultima análise, são uma só: O real e o fantástico. No fundo cada uma delas é o reflexo da multiplicidade de características inerentes à condição humana, que eu reconheço, tanto de pessoas reais, com de personagens de outras histórias de ficção. 

- Como queres que se entenda o teu romance

De duas formas, e vou referir apenas alguns aspectos que penso que representam muito bem cada uma delas…

Quero que esta obra se entenda como um objecto de:

Entretenimento, relaxamento, prazer, diversão…

Quero que esta obra estimule a reflexão acerca de:

O real, o fantástico, a condição humana, a frágil barreira que separa o bem do mal…

- Que expectativas tens na publicação de O testamento do Anticristo

O meu desejo e o meu sonho é apenas e só ver o livro publicado… publicar um livro com o meu nome foi uma coisa que nunca imaginei nem nos meus sonhos mais caricatos! Em termos de aceitação comercial, simplesmente não tenho expectativas, nem boas, nem más, até porque não conheço o meio e não tenho qualquer noção de números! O meu desejo é que seja um grande sucesso comercial, traduzido para várias línguas e por fim adaptado ao cinema; mas é só um desejo!!! No que diz respeito à ideia que as pessoas que lerem o livro vão formar a meu respeito, aceito qualquer opinião desde de seja sincera e que respeite a minha dignidade… 

- Mensagem para o público no dia da apresentação

A arte, em particular a literatura, tem a nobre função de provocar nas pessoas sentimentos, sensações e emoções que as conduzam àquilo que eu considero o verdadeiro sentido da vida: a felicidade. Por isso a mensagem que tenho para transmitir às pessoas aqui presentes resume-se a apenas duas palavras mas com muito significado: Sejam felizes…


Índice

 

 

Primeira Parte:

O Despertar da Besta

 

Capítulo 1     9

Capítulo 2     10

Capítulo 3     17

 

 

Segunda Parte:

Um Rasto de Sangue

 

Capítulo 4     21

Capítulo 5     23

Capítulo 6     26

Capítulo 7     27

Capítulo 8     29

 

 

Terceira Parte:

Prelúdio de Tormenta

 

Capítulo 9     39

Capítulo 10     41

Capítulo 11     43

Capítulo 12     45

Capítulo 13     47

 

Quarta Parte:

O Triunfo Iminente…

 

Capítulo 14     51

Capítulo 15     52

Capítulo 16     53

Capítulo 17     55

Capítulo 18     56

Capítulo 19     57

Capítulo 20     59

Capítulo 21     61

Capítulo 22     62

Capítulo 23     63

Capítulo 24     65

 

 

V Parte:

Vexilla Regis Prodeunt Inferni

 

Capítulo 25     69

Capítulo 26     70

Capítulo 27     73

Capítulo 28     74

Capítulo 29     76

Capítulo 30     77

Capítulo 31     79

Capítulo 32     81

Capítulo 33     87

Capítulo 34     90

Capítulo 35     93

 

 

VI Parte:

Apocalipse?

 

Capítulo 36     97

Capítulo 37     99

Capítulo 38     100

Capítulo 39     102

Capítulo 40     104

Capítulo 41     106

Capítulo 42     107

Capítulo 43     109

Capítulo 44     110

Capítulo 45     114

Capítulo 46     118

Capítulo 47     120

Capítulo 48     122

Capítulo 49     124

Capítulo 50     125

Capítulo 51     127

Capítulo 52     129

Capítulo 53     131

Capítulo 54     133

Capítulo 55     136

Capítulo 56     139

Capítulo 57     141

Capítulo 58     142

Capítulo 59     143

Capítulo 60     144

 


Pedidos      Editorial 100       Catálogo