O texto breve da Editorial 100

Director: Diego Martínez Lora


Jorge Luiz Antonio    07/12/07

                                                          

Eliana BorgesRicardo Corona: Tortografia

 

        Tortografia, expressão criada por Augusto de Campos para situar criticamente a poesia de E. E. Cummings, aqui se desdobra em acepção neológica que subverte o significado do vocábulo grego kalligraphía (“escrita bela”). Mas não há nenhuma feia

 ou torta grafia em

Tortografia. Um encontro e diálogo

entre imagens, palavras poéticas e textos de apresentação

do crítico de arte Fernando A. F. Bini

e do poeta argentino

Reynaldo Jiménez,

traduzido por Walter Wazan e Ana Rosa Tezza.

2.ed. Ontem, hoje e amanhã

numa mesma leitura da atualidade:

Ricardo e Eliana conversam com

e. m. cummings (1894-1962) em 14 de abril de 2050.

E com Lydia-texto-fotografia de 1907,

num e-mail de 12 de maio de 2003.

Isso é a força da poesia e da arte, atravessando os tempos, num livro de poesiarte que está na segunda edição.

São Paulo:

Mas a largatixa de asas douradas

caminha

entre os papéis,

toda tridimensional.

        Em Tortografia, a imagem não está somente envolvida como repertório de significados que interessa à poesia, mas também com a extensa possibilidade material das artes plásticas. Artepoesia, poesiarte. A montagem e a colagem de diferentes meios de representação em um mesmo trabalho sublinhou mais ainda combinações que criam conceitos e justamente isso o aproximou do processo de criação cinematográfico.

O registro cotidiano

em código de barras marca a industrialização Iluminuras,

como um diálogo poético 2003.

Um signo da contemporaneidade, como tantos outros,

que é possível ler-ver modificado em TORTOGRAFIA.

61 páginas.

Muito interativo as tiras vermelhas:

stein, einsenstein, stein, stones.

Ein stein = uma rocha na

montagem de Borges e Corona,

à la Sierguei.

Um índice que se parece com

catálogo de artes visuais,

como querendo perguntar:

poesia?

artes visuais?

design gráfico?

Não, não, não:

T/or/to/grafia.


Jorge Luiz Antonio

Brasileiro, poeta, pesquisador, autor de Brazilian Digital Art and Poetry on the Web (2000), Cores, forma, luz, movimento: a poesia de Cesário Verde (SP, Musa, 2002), e Ciência, arte e metáfora na poesia de Augusto dos Anjos (SP, Navegar, 2004) e Poesia eletrônica: negociações com os processos digitais (no prelo).


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