O texto breve da Editorial 100
Director: Diego Martínez Lora
José Sousa 12/05/08
Ironia
Para os apreciadores de música clássica, o que vou dizer não é novidade nenhuma, mas para os desconhecedores do Requiem de Wolfgang Amadeus Mozart, esta é a peça que o génio escreveu para o seu próprio funeral. Não que esta fosse a intenção primeira ao escrevê-la, mas o Requiem foi uma obra encomendada por um compositor invejoso da sua genialidade. Assim sendo, e uma vez que atravessava uma crise financeira, Mozart começou a escrever a obra fúnebre encomendada até que chegou ao ponto desta lhe consumir a sanidade mental, e é então que o compositor que a encomendou entra em acção, matando-o e acabando ele próprio a obra. E a encomenda era para o funeral da pessoa que fez a obra: o próprio Mozart. Oh, quanta ironia! Mas também nós fazemos a música para o nosso próprio funeral durante as nossas vidas. Resta-nos esperar que morramos em paz para que depois se cante Hallelujah quando ressuscitarmos e fizermos parte do Reino dos Céus! Cantemos e celebremos a vida enquanto a temos, para que a música que se ouve no nosso funeral não seja triste mas triunfal!
José Sousa
Pinhel. Publicou
como jota esse pela Editorial 100: sobre o Amor e outras cousas (2007).
Publicará em breve dicotomia
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