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Director, editor e operador: Diego Martínez Lora
Texto: 
Entrevista a Anabela Santiago - Entrevistador: Diego Martínez Lora
Data: 21 - 05- 2007


Entrevista a Anabela Santiago a propósito da publicação de Mimi e o Duende pela Editorial 100.


1) DESDE QUANDO COMEÇASTE A ESCREVER/ILUSTRAR HISTÓRIAS PARA CRIANÇAS?

Sempre gostei de inventar histórias, mas só depois de os meus filhos terem nascido é que comecei a escrever... Escrevi as histórias que fui inventando à noite, depois de os deitar e que lhes contava no escuro, antes de adormecerem. Daí serem sempre histórias muito tranquilas, cuja intenção era mesmo a de os embalar.

2) GOSTAS MAIS DE ESCREVER OU ILUSTRAR?

Gosto de fazer as duas coisas, porque se complementam, e assim transmitem uma intensidade/sensibilidade maior ao conto infantil. Tento reproduzir na ilustração o que visualizo na minha imaginação ao contar a história.

Já vi crianças que ainda sem saberem ler, depois de ouvirem uma vez, conseguem pelas ilustrações recontar a história com muita aproximação ao texto. E isso deixa-me feliz porque sinto que transmito algo importante de mim...a imaginação. E quando as crianças conseguem recontá-la, é sinal que gostaram de a ouvir.

3) COMO SURGIU A IDEIA DE ESCREVER A “MIMI E O DUENDE”?

A “Mimi e o duende” surgiu sem premeditação. A Mimi é filha de uma amiga minha, de quem eu gosto muito, e que num dia em que passou uma tarde comigo, e no contexto de uma conversa com a Mimi, inventei o conto. Estava também com os meus filhos e a irmã da Mimi, a Filipa que é minha afilhada, e as crianças tiveram uma reacção tão boa, com um feedback tão sentido, que lhes disse que passaria a história para o papel. Aconteceu assim...

4) QUAL FOI A TUA MELHOR EXPERIÊNCIA COMO ESCRITORA/CRIADORA DE CONTOS INFANTIS?

Foi quando saiu para as livrarias o meu primeiro livro de histórias “Era uma vez...O Jardim da Catarina” ver a alegria e o orgulho dos meus filhos. Não esquecerei nunca...

Fui também convidada por inúmeras escolas para ler as histórias, o que é sempre uma experiência muito gratificante, porque nos sentimos observados por um mar de olhos de crianças, que nos vêem como “seres extraterrestres” e que manifestam o seu interesse (na história e no autor) de uma maneira muito verdadeira. São os melhores críticos, porque quando não gostam verbalizam-no sem rodeios.

5) COMO FOI FEITA A “MIMI E O DUENDE”?

A história foi inventada à beira mar para as crianças que passeavam nesse dia comigo. Depois escrevia-a e ilustrei-a com a ajuda e dicas dos meus filhos, que têm muita imaginação. Ajudam-me sempre a colorir as ilustrações e melhorá-las, também.

Depois, foi o acaso que me permitiu cruzar com o editor da Editorial100 que gostou do trabalho, acreditou nele, e avançou com o projecto.

6) Que expectativas tens relativamente ao livro Mimi e o Duende?

Espero que seja um livro inspirador para as crianças. E porque não, também para os pais que acompanham os filhos nas tarefas escolares... porque é óptimo gostarmos do que temos que fazer e não sentir as tarefas como obrigações. A Mimi e o Duende foi uma história que inventei e contei aos meus filhos e duas amigas, no contexto de uma conversa entre eles, quando diziam que os TPC eram muito aborrecidos e que não gostavam de os fazer.

7) Como foi a tua infância?

Foi uma infância normal que considero feliz. Tive sempre pais atentos, dois irmãos que adoro, uma boa escola, amigos que ainda mantenho, e uma história de vida que sempre abriu portas para aquilo que hoje sou. Fui uma criança feliz, sim.

8) Como influencia a tua vocação de ilustradora e criadora de histórias infantis na tua profissão de médica e vice-versa?

São campos separados que se tocam por eu ser sempre a mesma pessoa. Como médica, sempre consegui um bom relacionamento com as crianças que observo e trato, talvez por utilizar um discurso que cria empatia, ou seja, uma forma de contar histórias também.

9) Que projectos tens dentro da tua actividade de ilustradora/escritora de contos infantis?

Eu vou escrevendo histórias, que vou guardando, sempre tranquilas e que transmitem princípios simples de vida mas que são alicerces fundamentais para se conseguir ser feliz. O estarmos bem connosco, o estarmos atentos a quem nos rodeia, a quem gosta de nós, a ajuda mútua, o saber rir, enfim, são pormenores do dia-a-dia que nos beliscam continuamente. O facto de as ilustrar, torna-as, penso eu, mais intensas e sentidas.

10) Que materiais utilizas para ilustrar os teus textos?

Uso folhas de papel cavalinho, e as cores que os meus filhos utilizam na escola. Marcadores e lápis de cor. Eles ajudam-me a pintar e dão ideias para as ilustrações. Talvez por isso as crianças/leitoras gostem sempre das ilustrações, porque também são criadas por crianças.

11) Pensas que quando os teus filhos se tornem adolescentes e adultos escreverás outro tipo de histórias, já não para crianças?

Não sei, o momento o dirá. As histórias publicadas foram inicialmente contadas verbalmente aos meus filhos, sem qualquer projecto de virem a ser publicadas. Aconteceu e isso faz-me sentir feliz.

12) Qual é a pior coisa que pode acontecer a uma criança e o melhor? (não estou a falar de doenças nem morte)

A melhor coisa é ser amada incondicionalmente, e a pior é ser rejeitada... as crianças não são exigentes... apenas aprendem a ser como lhes ensinam, e vão moldando a sua personalidade com as referencias que lhes vão dando.

13) Como gostavas que te recordassem neste mundo?

Se me recordarem com “saudade” ficarei orgulhosa. Ela simboliza todos os sentimentos bons que temos por alguém que não está presente. Alguém especial que marcou a nossa vida.


(*)Anabela Santiago, Porto. Médica e escritora de contos para crianças. Publicou três livros para crianças, o último Mimi e o Duende pela Editorial 100.


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