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Director, editor e operador: Diego Martínez Lora
Entrevistador: DML
Entrevista a Filipa Barrote de Sá.
Entrevista a
Filipa Barrote de Sá:
(A propósito da publicação do seu livro: Talvez Te Escreva,
pela Editorial 100)
O lúdico
O lúdico na minha escrita é brincar com as palavras e brincar às palavras…a forma mais séria de exprimir sem ser explícita. Pretendo divertir o leitor, enquanto eu em divirto por vezes ao escrever. Não me agrada ser demasiado séria quando na minha escrita, por isso esta quase brincadeira de palavras e pensamentos.
A lógica
A lógica consiste em não a aplicar nem a contemplar. A falta de lógica no meu livro Talvez te escreva faz sentido se conseguirmos ler nas entrelinhas.
A sociedade
A sociedade assume os meus pensamentos, mesmos que esta se apresente quase inconscientemente na minha escrita. Tento fazer uma violenta crítica, principalmente à dita sociedade das aparências. Vivemos certamente num país pobre em termos culturais.
Falar ou escrever
Entre falar e escrever…escrever é leveza, falar é pesaroso, como carregar duzentas palavras na ponta da esferográfica. A minha apetência para a palavra escrita vem de encontro com a falta dela para a falar.
Leituras
As minhas leituras muitas vezes não transportam letras...troco-as com frequência. A minha tendência para a leitura é quase nula, prefiro escrever para quem a tendência seja ler os pensamentos alheios, ideias, memórias, etc. aprecio as crónicas de Lobo Antunes, pelo seu início, meio e fim que se encontram num só espaço.
O título do livro
O talvez da vida, talvez te escreva, talvez não te escreva, talvez me leias, talvez não me entendas…talvez respire, talvez não beba um copo de água…como em tudo na vida, a palavra talvez é a grande constante. Por isso escolhi “Talvez Te Escreva” como título para o meu livro.
O Porto
O porto é a cidade que do seu alto me viu nascer e me vê crescer do outro lado da margem do rio, de onde o porto surge como um quadro esbatido. É a minha cidade.
A net e eu
A net e eu temos uma relação ambígua. Necessito dela para me informar, trabalhar sem que tenha que me distanciar ou sair de um ponto fixo. Traz momentos positivos, mas também alguns dissabores. É apenas um relação dependente da tecnologia. Uma vida paralela a esta, mas suportada por redes e fios de ligação alheios ao oxigénio.
O cómico, o irónico
A disparidade entre o cómico e o irónico no meu livro é tão ténue como a linha que separa o final de uma onda em contacto com a finura da areia de uma praia.
A motivação
A motivação para a publicação do Talvez Te Escreva é a necessidade de soltar e espalhar o que dentro de mim não tem mais espaço…é um prazer escrever, ser lida e acima de tudo apreciada pelo público em geral.
Desenhar
Desenhar é escrever sinuosamente sem palavras. As linhas e formas surgem no papel como frases até nascer um contexto, tal como nasce um livro.
Desenho como escrevo sem sentido definido, linhas sobre linhas, sombras e entrelinhas.
Não aprendi esta arte em escola alguma, é algo que existe em mim, como existem os olhos, as mãos ou o cabelo.
As cores quase não as represento, deixo-as para a própria realidade. Desenhar é acima de tudo uma necessidade ao lado do prazer.
As ilustrações do livro
As ilustrações que integram o “Talvez te escreva” são um reforço daquilo que não é lido, representam o longo cabelo do amor, desamor, ironia e força. Alguns são surreais, acompanhando alguns textos menos assimiláveis a uma primeira leitura. Há cães, porque ainda mais que os humanos, nos adoram não pelos sapatos que calçamos, mas pelos pés de quem os calça.(*) Filipa Barrote de Sá, portuguesa. Mora em Vila Nova de Gaia. Publicou Talvez Te Escreva.
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