VERSIONES

VERSIONES, la aventura de compartir (textos, imágenes y sonidos) por lo menos virtualmente - siempre compartir para tener más que dar y recibir

 

Versiones
Director, editor e operador: Diego Martínez Lora

Autora: Fátima Senra-
(Portugal) - Título: Doutor, preciso de ajuda
Data: 02 - 02- 2007


Fátima Senra(*)

Doutor, preciso de ajuda


 

Olhava para ela como se olhasse para um cisne. Projectava-a em todas as mulheres que via, procurando o seu rosto nelas.

Admirava o seu amor-próprio, a elegância, a alvura da sua pele esbranquiçada, a sua farta cabeleira loura de palha de aço e o seu corpo se uma forma (generosa)mente  arredondado e pensava:

- Deus deveria ter sido arquitecto! Desenhava o esboço e a natureza cumpriria o seu destino.

Sabia que nunca poderia ser como ela: farta e perfeita!

Olhava-se no espelho e exteriorizando o seu ódio via um homem de aspecto cansado, perdido nos anos com as depressões e os sulcos que lhe marcavam o rosto. No entanto sentia-se mais novo, dizia que tinha um espírito rebelde e colegial, por isso tentava apagar os sinais do tempo com as mais refinadas tecnologias com que a ciência contemplou a natureza do Homem.

Desejava, amava e possuía a sua Vénus idealizada todas as noites no aconchego do seu leito. Via-a enquanto dormia, enquanto comia, enquanto bebia, enquanto passava fome para poder ficar mais atraente só para ela, pois parecia-lhe cada mais jovem, cada vez mais bela.

No fulgor da sua arrebatadora paixão e enlevo amoroso começou a (per)segui-la.

Certo dia ela entrou num sumptuoso edifício ultra moderno e equipado.

Ele admirava-se sobre o que ela estaria a fazer ali. Horrorizado e coberto de opróbrio sobre o que acabava de descobrir fugiu para o mais longe que pode.

Quando acordou do pesadelo, encontrava-se na direcção oposta de onde estava.

Entrou num edifício simples e humilde.

Ambos entraram num consultório e exclamaram no mesmo tom pesaroso:

- Doutor, preciso de ajuda!

Por cima da porta pintada de cor branca onde ele se “encontrava” lia-se: médico psiquiatra.

Na porta negra onde ela acabava de entrar dizia: médico cirurgião plástico.

 


(*)Fátima Senra Barcelos - (Outros dados sobre a autora?)

 


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