VERSIONES
O texto breve
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Director, editor e operador: Diego Martínez Lora
Autora: Fátima
Senra- (Portugal) - Título:
Fátima Senra
(*)Fénix
Lentamente ia descendo até ao fundo do poço como um caixão descido à cova por mãos alheias. Agarrava-se às paredes com unhas e dentes partindo-os, e até lhe crescerem bolhas nas mãos. Subitamente parava por força do Destino e ali ficava durante algum tempo meditando. A esperança renascia, essa maldita âncora que não nos deixa ir ao fundo, mas que também não nos deixa mover, como Fénix renascendo das cinzas ou como o fígado de Prometeu que todos os dias era comido por um abutre, mas como órgão regenerador voltava a nascer.
Olhava para o fundo e via a água turva, suja e imunda deformando o seu rosto límpido.
Calculava exactamente a distância que lhe faltava para chegar ao fundo ou sair, em segundos ou horas. De repente apercebeu-se que não conseguiria nunca obter uma medida exacta do sofrimento ou felicidade, nem seus nem de ninguém, pois estes não cabem em moldes terrenos.
Desejava não comer, não beber, nem dormir, nem sequer amar, esse tipo de necessidades que condicionam, limitam e tornam o Homem vulnerável.
Resolveu cortar o fio que o ligava à vida, como Atropos, a terceira Parca, fazia anunciando assim a imprevisibilidade da morte. Precipitou-se e catapultou-se no precipício.
Ansiava fazer parte das estrelas e do firmamento.
E se porventura alguém espreitasse a água veria o seu rosto iluminado pela estrela mais brilhante. E se porventura esse mesmo alguém visse uma estrela cadente no Oriente, como prenúncio de Boa Nova pediria um desejo: que levasse embora a esperança, porque a esperança é o que nos mata, porque nos mantém vivos!
(*)Fátima Senra Barcelos -
(Outros dados sobre a autora?)
Editorial 100 - Compacto e tacto - Versiones Virtual – Música de Diego Martínez Lora - 100 palavras