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Director, editor e operador: Diego Martínez Lora
Autor: José Pereira da Graça
- Título: IMBRÓGLIOS & Cª (I)LDA
José Pereira da Graça:
IMBRÓGLIOS & C.ª (I)LDA
Há dias, num programa cultural televisivo, falou-se nos Protocolos dos Sábios de Sião, um suposto código de intenções de elites judaicas, dos finais do Séc. XIX. Sem tomarmos posição quanto à veracidade ou falsidade de tal documento, veio-nos à memória a questão paralela, quanto a tal natureza, envolvendo os jesuíticos Monita Secreta, publicados no Séc. XVII.
Aquele primeiro documento é o que agora nos interessa e a sua invocação sugeriu-nos as considerações que seguem.
Hitler escreveu no seu manual ideológico, o catecismo nazista, Mein Kampf (Minha Luta), 1ª Parte, Capítulo 11:
“O homem vence a própria Natureza” é “afirmação do pacifismo moderno, tão tola quanto genuinamente judaica, na sua petulância”.
“A razão pela qual todas as grandes culturas do passado pereceram foi a extinção por envenenamento do sangue da primitiva raça criadora”.
Quem desconhece as leis raciais “impede a marcha triunfal da melhor das raças”.
“Se a humanidade se pudesse dividir em três categorias: fundadores, depositários e destruidores de Cultura, só o Ariano deveria ser visto como representante da primeira classe” por ser o que tem o sentido idealista do colectivo, do altruísta. Da segunda é exemplo claro “o povo japonês”.
E da terceira, a destruidora?
“O judeu é que apresenta o maior contraste com o ariano. Nenhum outro povo do mundo possui um instinto de conservação mais poderoso do que o chamado ‘Povo Eleito’”.
“As qualidades intelectuais do judeu formaram-se no decorrer de milénios. Ele passa hoje por ‘inteligente’ e o foi sempre até um certo ponto. Somente, a sua compreensão não é o produto de evolução própria, mas de pura imitação”.
Falta-lhes “mentalidade idealista”. “Se os judeus fossem os habitantes exclusivos do Mundo não só morreriam sufocados em sujeira e porcaria como tentariam vencer-se e exterminar-se mutuamente, contanto que a indiscutível falta de espírito de sacrifício, expresso na sua covardia, fizesse, aqui também, da luta uma comédia. É pois uma ideia fundamentalmente errónea, querer enxergar um certo espírito idealista de sacrifício na solidariedade do judeu na luta ou, mais claramente, na exploração de seus semelhantes. Aqui igualmente o judeu não é movido por outra coisa senão pelo egoísmo individual nu e cru. Por isso mesmo, o Estado judaico - que deve ser o organismo vivo para a conservação e multiplicação da raça - não possui nenhum limite territorial.”
“Por isso também é que o povo judeu, apesar de suas aparentes aptidões intelectuais, permanece sem nenhuma cultura verdadeira e, sobretudo, sem cultura própria. O que ele hoje apresenta, como pseudo-civilização, é o património de outros povos, já corrompidos nas suas mãos”.
“O judeu não possui força alguma susceptível de construir uma civilização e isso pelo facto de não possuir nem nunca ter possuído o menor idealismo, sem o qual o homem não pode evoluir em um sentido superior”.
“Assim viveu o judeu, em todos os tempos, nos Estados alheios, formando ali seu próprio ‘Estado´”, “incorporado como parasita no meio de outras nações e de outros Estados”.
“Para poder levar essa vida, à custa de outros povos, precisa ele de recorrer à negação de sua individualidade interior. Quanto mais inteligente é cada judeu melhor conseguirá iludir. Pode chegar ao ponto de grande parte do povo que o hospeda acreditar seriamente que o judeu seja francês ou inglês, alemão ou italiano, embora pertencente a uma crença especial”.
“O judaísmo nunca foi uma religião, e sim sempre um povo com características raciais bem definidas”.
“Em verdade, o Talmud também não é um livro de preparação ao outro mundo, mas sim para uma vida presente boa, suportável e prática”.
“A sua vida só se limita a esta terra e seu espirito conservou-se tão estranho ao verdadeiro Cristianismo quanto a sua mentalidade o foi, há dois mil anos, ao grande fundador da nova doutrina. Verdade é que este não ocultava seus sentimentos relativos ao povo judeu; em certa emergência pegou até no chicote para enxotar do templo de Deus este adversário de todo espírito de humanidade que, outrora, como sempre, na religião, só discernia um veículo para facilitar sua própria existência financeira. Por isso mesmo, aliás, é que Cristo foi crucificado, enquanto nosso actual cristianismo partidário se rebaixa a mendigar votos judeus nas eleições, procurando ajeitar combinações políticas com partidos de judeus ateístas e tudo isso em detrimento do próprio carácter nacional”.
“Numa sequência lógica, amontoam-se sempre novas mentiras sobre a grande mentira inicial, a saber: que o judaísmo não é uma raça, mas uma religião”.
“Enquanto o judeu não se torna senhor dos outros povos é forçado, quer queira quer não, a falar as línguas de tais povos. No momento, porém, em que esses se tornassem seus vassalos, teriam que aprender todos um idioma universal (por exemplo, o Esperanto!) a fim de assim poderem ser dominados mais facilmente pelo judaísmo”.
“Os ‘Protocolos dos Sábios de Sião’, tão detestados pelos judeus, mostram, de uma maneira incomparável, a que ponto a existência desse povo é baseada numa mentira ininterrupta. ‘Tudo isto é falsificado’, geme sempre de novo o ‘Frankfurter Zeitung’, o que constitui mais uma prova de que tudo é verdade”.
“O judeuzinho de cabelos negros espreita, horas e horas, com um prazer satânico, a menina inocente que ele macula com o seu sangue, roubando-a ao seu povo. Não há meios que ele não empregue para estragar os fundamentos raciais do povo que ele se propõe vencer”.
“Foram e continuam a ser ainda judeus os que trouxeram os negros até o Reno, sempre com os mesmos intuitos secretos e fins evidentes, a saber: ‘bastardizar’ à força a raça branca, por eles detestada, precipitá-la do alto da sua posição política e cultural e elevar-se ao ponto de dominá-la inteiramente.”
“Em matéria política, começa ele a substituir o ideal democrático pelo da Ditadura do Proletariado”.
“O exemplo mais terrível nesse género é apresentado pela Rússia, onde o judeu, com uma ferocidade verdadeiramente fanática, trucidou cerca de trinta milhões, alguns por meio de torturas desumanas, outros pela fome, e tudo isso com o fito de assegurar a um lote de literatos judeus e bandidos da Bolsa o domínio sobre um grande povo”.
“Passando em revista todas as causas da derrocada da Alemanha, resta, como última e decisiva, o desconhecimento do problema racial e sobretudo, do perigo judeu”.
“Povos que se tornam bastardos ou se deixam contaminar, atentam contra a vontade da Providência, e seu aniquilamento não é uma injustiça e sim um restabelecimento do direito. Quando um povo não quer mais dar apreço às qualidades inerentes que lhe foram dadas pela Natureza e que se acham enraizadas no seu sangue, não tem mais o direito de chorar a perda de sua existência”.
“A perda da pureza de sangue por si só destrói a felicidade íntima, rebaixa o homem por toda a vida, e as consequências físicas e intelectuais permanecem para sempre”.
Nos excertos referidos, mencionam-se os “Protocolos dos Sábios de Sião” como sendo um código de princípios, uma estratégia, para o judaísmo assumir o poder, para domínio mundial, nada menos. Tal pretensão, na perspectiva do então candidato a führer, era obviamente intolerável porque teleologicamente concorrente.
Isto por razões explícitas e, eventualmente, por mais uma implícita. Com efeito, embora Hitler não tivesse teorizado ambições no campo religioso, obviamente que elas estariam no seu horizonte. Que era crente, basta atentar na frequência com que no longuíssimo texto do Mein Kampf, invoca o Senhor (Deus).
Assim, no topo da sua megalomania pode imaginar-se o desejo de ocupar a cadeira da chefia da organização religiosa mais influente na civilização em que nascera inserido. Na verdade, era seu propósito explicitamente afirmado “quebrar a espinha à Igreja Católica”, naturalmente enquanto mais um concorrente e obstáculo às suas ambições.
Vejamos alguns dos axiomas contidos nos mencionados “Protocolos”:
“Fomos nós (os judeus) os primeiros que, já na Antiguidade, lançámos ao povo as palavras “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”, palavras repetidas tantas vezes pelos papagaios inconscientes que atraídos de toda a parte por essa isca, dela somente tem usado para destruir a prosperidade do mundo, a verdadeira liberdade individual, outrora tão bem garantida dos constrangimentos da multidão”.
“Cada uma das nossas vítimas, diante de Deus, vale milhares de cristãos”.
“O ouro é o motor de todos os mecanismos do Estado”.
“Quando vier o nosso reino, não reconheceremos a existência de nenhuma outra religião”.
A “administração dos cristãos” está eivada de erros”.
“O rei de Israel é o patriarca do mundo”.
O poder deve ter um “prestígio místico”.
“Possuímos a maior força moderna: o Ouro. Podemos em dois dias retirá-lo dos nossos depósitos na quantidade que nos apetecer”.
“A verdadeira liberdade consiste na inviolabilidade da pessoa que observa honestamente e exactamente todas as leis da vida em comum.”
“Dirigiremos o pensamento de toda a humanidade”.
“Só os que sejam capazes de um governo firme, inflexível até à crueldade, receberão o poder das mãos dos nossos Sábios”.
Comparando ambos os textos, resulta clara a mesma intenção subjacente: hegemonia mundial. Esta, concorrencial, do ponto de vista nazista, era já razão bastante para passar a ideia da “perversidade judaica”. Por isso, a basta divulgação do teor dos “Protocolos” nas zonas de influência germânica, foi imparável, de nada valendo as afirmações veementes da falsidade do documento, no Frankfurter Zeitung, de inspiração judaica. Também noutras latitudes a divulgação teve êxito rotundo: procedeu à publicação, em 1920, o jornal de Michigan, o Dearborn Independent, fundado pelo conhecido industrial, fabricante de automóveis, Henry Ford.
A falsidade foi defendida por Lucien Wolf e, em 1921, Philip Graves, correspondente do London Times, tornou público esse facto. Alegou-se a sua feitura pela polícia secreta russa, a Okrana, culpando os judeus pelas desgraças do país, isto ainda no tempo do czar Nicolau II. A inspiração para tal criação, segundo essa versão, ter-se-á baseado numa novela do Séc. XIX da autoria de Goedsche, cujo enredo se baseia na conspiração judaica para alcance do controlo do mundo. Este novelista, anti-semita alemão, retirou o cerne da história dos Diálogos no Inferno Entre Maquiavel e Montesquieu, de Maurice Joly, tendo por tema uma conspiração para derrubar Napoleão III. Godsche apenas fez intervir na acção os judeus e com o escopo referido.
Apesar desta publicação, Henry Ford escreveu em 1921, no seu mencionado jornal:
“A única declaração que faço questão de emitir a respeito dos Protocolos é de que são compatíveis com o que está ocorrendo. Eles (os Protocolos) têm dezasseis anos e vêm-se encaixando na situação mundial até ao presente”.
Na singular a história dos judeus, ao longo dos milénios, eles assumem-se o Povo de Deus. As razões de tal eleição assentam, no seu entender, nas suas especiais virtudes, alicerce da preferência divina. Nessa convicção confrontaram, outrora, os povos coexistentes na zona da Palestina. Após a diáspora mantêm a mesma convicção, base gregária da sua inabalável identidade. Hitler, como ficou dito, justificava-a com elementos rácicos, de sangue, sem adiantar as características físicas próprias, para além do “judeuzinho de cabelos negros”. Qualquer latino cabe nesse caldeirão e, por isso, a polícia política, as SS, em rusgas selectivas, ia às escolas verificar se o pénis dos rapazes estavam ou não circuncidados.
A convicção de “Povo Eleito” mantém-se naturalmente, embora concorrendo com outros percursos fideístas igualmente convictos, mormente os cristãos. Estes assumiram, nesta perspectiva, o facho da continuidade, considerada legítima, e vestiram o fulgor da pretensão hegemónica e ecuménica, universal, imposta, concretamente, até pelo rubro foguear dos autos-de-fé.
O resultado de concorrências fideístas está aí patente e para durar.
Cientistas modernos identificam certas zonas cerebrais como fontes do instinto de culto do sobrenatural, criadoras de deuses. António Damásio deve ter um mundo a dizer sobre tal tema, se é que ainda não disse.
Sendo assim, e não se desmentido Darwin, só o evolucionismo acabará por alcançar o equilíbrio emancipador. Talvez, então, a Humanidade saia do actual de estado de “primitivismo cósmico” de que nos fala o nosso Almada Negreiros e Edgar Morin.
(Fonte principal in
http://www.abbc2.com/historia/hitler/mkampf/por/por/.htm#15;
(*) José Pereira da Graça, escritor português. Publicou pela Ediorial 100: Maria do Mar (Viagens & Mitos), Os «Cruzados» da Serra e O Urso Vermelho.
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