VERSIONES

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Director, editor e operador: Diego Martínez Lora
Texto: Maria de Lurdes -
(Portugal) - Título: O tempo de me saber
Data: 21 - 02 - 2007


Maria de Lurdes(*)

O tempo de me saber


 
Começo a descobrir a sabedoria de me saber. Um pouco tarde, diria há uns anos. Não hoje, que me sei melhor. Hoje é o tempo certo de me aceitar.
 
Não sou desistente, nem pessimista. Diria realista. Conheço os limites, sei que só pelo sonho os poderei ultrapassar. Sim, dele não desistirei. Continuará a levar-me onde quero ou preciso, far-me-à caminhar e acreditar em coisas bonitas. Amor, Amizade, Solidariedade, Comunhão, Partilha, Justiça e Paz.
 
Porque vivo, sonho. Foi vivendo que descobri o bom e o mau, o belo e o feio. Vivi, toquei, sei. Nem sempre o que quis ou como quis,  por isso, os sonhos. Muitos?... Não, agora sei que foi e é um, sempre o mesmo. Vestido de muitas cores, o meu sonho de ontem vive e viverá e nem precisa mais de cor. Hoje é transparente e invisível, como tudo o que mora no coração.
 
Transparente para acolher a vida, feita de todas as vidas que me foram dadas e guardo no coração. Transparente, porque hoje sei a cor que gosto de lhe dar. Invisível, porque a vida é dádiva de um Amor Maior, com direito à vida plena e fecunda, mesmo que tantas vezes só realizável nos tais sonhos obrigatoriamente invisíveis. Não por opção ou porque não possam ver a luz. Simplesmente porque a vida também é mistério e precisa dele.
 
Por isso sei que hoje se não parar no silêncio e me tornar invisível não consigo ser eu.
 
E quero ser. Quero ser como sou, porque não tenho que ser o que os outros querem que seja. Esse é um direito que, porque hoje me sei, me dou. Obviamente... nem sempre. Às vezes esqueço-me por aí, onde os outros não me sabem.
 
Mas será sempre temporário. Regressarei, tentando ser melhor.
 
Assim descubra sempre o tal "Lugar" do silêncio e me faça invisível. Não importa onde nem quando.
 
Há-de ser pelo sonho e ter muita Luz.

(*)Maria de Lurdes, poeta portuguesa. Mora em Vale de Cambra. Publicou pela Editorial 100: Não espero nada e de nada faço os meus dias cheios de tanto, 2005 e Não quero esta tarde sem ti (2006)


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