VERSIONES
Director, editor e operador: Diego Martínez Lora
Texto: Maria de Lurdes - (Portugal) - Título: Entrevista a propósito da publicação do seu segundo livro: Não quero este dia sem ti (Editorial 100, Setembro 2006)
Data: 30 - 08 - 2006
Maria de Lurdes(*)
Não quero este dia sem ti
Entrevista a Maria de Lurdes
a propósito da publicação do seu segundo livro: Não quero este dia sem ti (2006)
Poesia e Espiritualidade
Tens de sentir para escrever. Tens de ir ou permanecer, tocar ou deixar-te tocar por algo ou alguém. Não podes simplesmente pegar o papel e esperar que as palavras fluam. E essa disponibilidade não é só física e temporal, passa antes pelo espiritual, que também engloba o físico. Somos inseparáveis, enquanto humanos.
Olhar o mundo, não como um pedaço de chão e o Homem, não como carne apenas, é por si só acreditar em algo mais profundo e transcendente.
Poesia pode ser isso também… acreditar em algo mais, sentir algo mais, sonhar, ir mais além, tocar um ou outro lugar, sentir que existe e, ainda que ilusoriamente ou teimosamente, acreditar que é (pode ser) meu.
Espiritualidade, creio que sim, também é viajar ou permanecer no silêncio ou nas palavras e deixar-te levar à procura de ti mesmo no espaço e no transcendente. É nunca estar só, mesmo quando só. Terás sempre a presença d’Aquele que te deixou voar e cuida permanentemente as tuas asas (o teu coração), para que regresses. Através d’Ele, “vendo” o que sentes e sentindo o que só o coração vê, sintonizas-te com a harmonia e vives nela, deixando-te envolver.
O amor está feito de…
O amor está feito de tudo. Engloba tudo, ou não será amor. Deus não criou o mundo por amor. Amou-nos antes, ama-nos em cada pedaço de chão, de mar e de céu. Valorizou-os e dotou-os de tudo quanto nos é necessário. Quer dizer que tudo o que existe é amor. De todas as formas e de todas as cores. Repara num pôr-do-sol, no mar calmo, num rio correndo… num dia de tempestade, no vento fustigando as árvores, no rebentar da trovoada.
Deus ama-te em todas as circunstâncias e apesar delas, porque todas concorrem para um fim. O amor é chão e céu. Transforma-se e renova-se, amadurece e dimensiona-se à medida do teu espaço interior. Está feito de ti e do outro.
Quando acaba um poema?
Nunca acabará. O poema é o sentir que não se esgota nas palavras. Permites-te passear nelas, rasgar o caminho, sentir os cheiros, colher os frutos, beber a água, semear-te, mas o processo é inesgotável, cíclico e permanente.
Escreves algo que saiu, precisaste dar ou tocar, fica um pouco de ti, um pouco de alguma coisa, mas nunca tu, inteiro.
Esse seria um outro poema e talvez nunca o “escrevas” ou, se (ou quando) o esboças, ninguém lê. Mora em ti.
Como se pode destruir milagres?
O maior milagre é a vida. A tua, a minha, a de todos nós, mas também tudo o que te rodeia e vive, do qual és parte e do que vives. O ar, a água, o céu, o verde, os animais, as árvores, os rios, o mar, qualquer que seja a parte ou uma célula dela.
Se quebras o elo, se insensivelmente destróis a natureza, sujas a água e o céu, sufocas o ar…
Se impedes o outro de viver ou de alguma forma o fazes vegetar…
Sem dúvida, destróis o milagre.
Natureza e Homem
Complementam-se, são parte de um todo, uma para e do outro.
Vivo da vida que me foi dada, cresço e caminho misturada na natureza e dela bebo e respiro. Sou parte dela, enquanto ser vivo e um dia serei dentro dela, uma minúscula célula. Como tal, devo-lhe respeito e cuidado. Acho até que tenho um papel a desempenhar, uma marca a deixar. Por mais pequenino que seja o meu contributo, é indispensável que me esforce pela sua valorização.
Já há muito tempo, não sei onde, li algo que não me lembro muito bem, mas cuja ideia central ficou gravada e era mais ou menos isto: temos obrigação de cuidar e preservar a natureza, pois ela foi-nos emprestada pelos nossos filhos e temos de a devolver.
Diálogo com o Senhor?
Tudo o que fazemos é diálogo com alguém.
Mesmo no silêncio, tu dizes qualquer coisa. Tal como os teus gestos, o modo como caminhas, como falas, ou gesticulas.
Quando tu queres, o Senhor já o esperava. Podes falar-Lhe ou simplesmente ficar quieto e calado.
Ele escuta, de qualquer forma. E responde… alimenta o diálogo.
O sentido de sofrer
Viver. Não é o nascer sofrimento? Sofres ao deixar o aconchego materno e pela forma algo violenta como chegas ao lado de cá. Sofres porque em poucos segundos tens de te readaptar totalmente ao novo mundo, à atmosfera, à luz, ao calor, ao frio.
Talvez seja isso… Sofrer será uma readaptação, um renascer, um mudar de direcção.
Poesia, reforço de quê?
Poesia… uma forma de partir e chegar, ou o tempo que me dou para acreditar.
Reforço da esperança.
Amor e Morte
Nunca morre o amor, os que amamos e nos amam. Repara que não digo só os que amamos. Esse nunca foi um amor total e fecundo e, como tal, acabará por morrer, pois não se consumou, não construiu nem deixou qualquer marca, a não ser em ti próprio. Apenas talvez um lugar vestido de roupagem linda, que nunca vestiste e não serviu para nada, nem fez feliz ninguém.
Ao contrário do amor partilhado. A morte provoca uma transformação, uma ausência que nada nem ninguém substitui, mas incrivelmente o amor consolida-se e permanece, revelando-se em pequeninas coisas que tornam presente quem partiu.
É um processo contínuo que vai transformando a dor da perda no aconchego doce das memórias, das histórias e dos abraços. A pessoa fica mais nossa, porque a amamos pelo que foi, não esperando que mude seja o que for. E mesmo assim ela está lá, na janela, no jardim, no banco de madeira, no escritório, numa folha de papel que nos escreveu, nos teus braços, nas tuas mãos. Está lá, no coração, lugar onde ficou gravada e viverá para sempre.
Morte e Plenitude
Nada acontece por acaso. Nascemos e morremos. Chegamos e partimos.
Começamos a viver no coração dos nossos pais, desde que desejados.
Vivemos por um tempo no chão, mas caminhamos para o coração que nunca nos abandonou. O coração imenso de Deus que nos aguarda desde o momento que nos sonhou e nos acolherá do outro lado da vida onde só faz sentido que haja vida em abundância, em plenitude.
Amor e Silêncio
Nada mais discreto e subtil, silencioso, que o despertar do amor.
Talvez por isso, ele seja a única linguagem que fala no silêncio. Que tu sentes, vives e partilhas no silêncio.
Poesia e Mistério
O que é a vida senão um insondável mistério? A poesia nasce da (e na) vida. Real e palpável, ou sonhada e intocável.
Poesia é “entrar” no mistério de sentir a vida ou projectá-la num qualquer “lugar” que misteriosamente sabemos, mesmo que não exista.
O que se diz na poesia?
A poesia diz o que tu és, dentro. O que vês e sentes no escuro, num dia de chuva, numa flor espreitando entre o lixo, no céu azul, na imensidão do areal, num olhar, no sonho que não sonhaste, nas viagens que nunca fizeste, no abraço que partilhaste. Na poesia tu dizes o que tens e o que nunca terás, mas tu sabes existir e “tocas” nas palavras.
Dizes o espaço abissal do ser e de ser, apesar de…
A suficiência do/de ser
Nunca atingirás a suficiência do/de ser. Poderás senti-la fugazmente, temporariamente. Quando a sentires definitivamente apenas te acomodaste.
Nunca conseguiremos atingir a bastante racionalidade do ser, pela incapacidade de nos adoptarmos plenamente e quanto à insuficiência de ser, ainda bem que existe, porque nunca seremos auto-suficientes.
Estar em sintonia com a vida é escolher o destino inevitável?
Nunca. Se escolhes é porque tens alternativa e liberdade para o fazer. Não significa fazê-lo bem.
Estar em sintonia com a vida é viver aceitando que somos apenas seres humanos limitados, capazes de controlar os nossos gestos e atitudes, mas não o coração e o outro.
Daí a impossibilidade de nós próprios nos sintonizarmos totalmente e consequentemente acertar nas escolhas.
Resta pois aceitar que não somos nem os outros são seres perfeitos e, como tal, o destino escolhido algumas vezes passa a ser o inevitável. Mesmo assim, os nossos gestos e atitudes podem ser tanto mais coerentes quanto mais nos dispusermos a criar harmonia com o mundo, as pessoas e nós próprios.
Assim estaremos em sintonia com a vida, não a culpando do destino inevitável.
E se não o pudermos transformar, poderemos sempre aquietar o coração na esperança rabiscada num qualquer poema.
Como se pode ser, sem ser n’Ele?
Não pode. Somos corpo e alma que se complementam e vivem n’Ele, d’Ele e por Ele.
A poesia é um modo de estar mais perto d’Ele?
Também. A poesia pode ser mais uma forma de rezar. Desde que te disponibilizes para Ele, ainda que seja escrevendo, ficarás mais perto.
Viver n’Ele… morrer n’Ele
Viver n’Ele será viver com Ele do outro ladoda vida, quando morreres n’Ele.
Vida e morte juntas sem transição, um processo contínuo?
Vives em cada acto de respirar e morres porque respiras.
Sensualidade e amor na poesia
Depende da tua sensibilidade adivinhá-los, da tua própria sensualidade senti-los. O amor está feito de tudo, como já disse atrás.
Na poesia, obviamente, fala-se de amor. De muitas formas. Embora como alguém diz: “O amor não se diz”. Eu diria, ele diz-se de tantas formas que é impossível dizê-lo. O amor é a mais bela poesia, que alguém jamais escreveu ou escreverá. É a própria poesia experienciada.
Poesia e sublimação ou o amor sublimado?
Não se sublima nada que não seja sublime. O amor é o dom mais precioso e sublime e poeticamente surge sublimado.
Não podes escrevê-lo de outra forma. Aliás, não consegues. Por isso ele é sublime.
A experiência do primeiro livro
Intensa, angustiante e gratificante. Intensa pela surpresa, já que não fazia qualquer ideia do que envolvia. E fui-me envolvendo de surpresa em surpresa.
Angustiante por isso mesmo. E pelo rapidíssimo desenrolar dos trabalhos. Só me dei conta que ia publicar um livro e já não existia retorno quando o Diego me anunciou a data.
Superado o stress e a angústia do lançamento, foi uma grata surpresa.
Houve lindas reacções de pessoas que não esperava. Creio que no fundo, fosse o que fosse que as pessoas agarraram, disse-lhes alguma coisa, deu-lhe alguma coisa. E nem importa que não seja perfeito, raro ou incomum, surpreendente. Não escrevi com esse cuidado, nem foi escrito para ser publicado. Não tem bases, não obedece a regras nem terá um português absolutamente correcto. Tem inclusive dois ou três erros por trocas de palavras que não detectei ao rever e, de alguma forma, mudam o sentido ao texto.
Enfim, algumas circunstâncias fizeram-me pensar na publicação, embora sem grande convicção ou expectativa.
Afinal foi bom e o que não teria outro destino que o balde do lixo, está aí. E creio poder dizer que não só na prateleira.
Também no coração de muitos a quem uma vez mais agradeço.
A experiência de publicar pela segunda vez
Espero que seja tão boa quanto a primeira. Não sei se estou mais à vontade, mas sei que há amigos que o esperam e acredito neles. E como diz um outro amigo, se uma pessoa gostar, já valeu a pena. Começo a sentir que é verdade, por algumas razões muito especiais.
Também pelo Diego espero que haja mais que uma. Sinceramente, gostaria que o seu desempenho, a sua dedicação e o seu trabalho fossem valorizados.
E que todos os amigos não perdessem tempo… nem dinheiro.
Quero que esqueçam o tempo e sejam felizes.
O diálogo com a natureza
Dialogo com a natureza sempre que sinto o prazer de me “misturar” nela. Não vivo sem o complemento alimentar e espiritual que me oferece. Claro que falo da natureza e não do que resta dela. E esse prazer é tanto maior quanto mais a vês no seu estado natural, diria mesmo, primitivo.
Respiro melhor e o simples acto de o fazer já é um obrigada. Olhar ao meu redor e perceber que nunca faria uma mistura como a que me delicia e encanta, pensaria melhor leito para o rio, melhor cor para o céu, melhor verde ou luz mais brilhante, é dialogar com o seu Autor, tocar a Sua poesia, única e original, onde tão espectacularmente se conjuga o amor abundantemente semeado e repartido.
Dialogo com a natureza sendo grata e integrando-me nela, sem quebrar a harmonia. Olhando-a como parte de mim, cuidando-a e respeitando-a porque dela recebo o que me é insubstituível e é nela que faço caminho.
E ela sabe, gosta de mim e surpreende-me. Acho que nos surpreendemos mutuamente.
Quotidianidade e transcendência
Dia a dia vivo cada dia. É um quotidiano mais ou menos organizado ou algumas vezes excessivamente programado. Tento que não existam falhas e preocupo-me demasiado em não deixar que estraguem a quotidianidade dos outros. Estou a dizer que tento, embora comece a sentir algumas limitações. Depois há o outro lado. A necessidade de por algum tempo “escapar”, mesmo que tudo ao meu redor, ou talvez por isso mesmo, seja menos agradável. É uma espécie de exercício mental. Uma fuga mais ou menos perceptível que te permite abandonares por algum tempo o chão, ou qualquer situação onde sufoques.
Poesia e Liberdade
Poesia é a liberdade que te dás e que te dá.
Orar é repetir a mesma oração ou é preciso fazer novas orações com o mesmo sentimento?
No simples acto de nos disponibilizarmos, iniciamos a oração. Fá-la-emos conforme e o lugar e o sentimento ou a nossa sensibilidade no momento. E não precisamos inventar nada, mas podemos inventar tudo. Há orações que aprendemos, que são próprias para determinados momentos e celebrações. Nelas nos integramos em comunhão na comunidade, celebrando e vivendo a nossa fé.
Depois é contigo. Jesus ensinou-nos a oração suficiente e mais completa para falarmos ao Pai. Nossa Senhora também. Entra em intimidade com Deus e não te preocupes. Reza o Pai Nosso, a Ave Maria… fica simplesmente em silêncio. Não importa. Ele saberá, quaisquer que sejam as palavras ou o silêncio.
Despoja-te das tuas coisas e dá tempo ao Senhor. Sê tu mesmo, simplesmente. Fala a tua linguagem e descobrirás novas orações. Naturalmente. Ele gostará.
Escrever poesia: mudar de texto para expressa um mesmo sentimento?
Tocar, sentir, vivê-lo, talvez. Porque tu és o que és, sentes como és e escreves como sentes, o que sentes. De várias formas mas, se analisas, está lá, implícito, o teu sentir que não muda com as estações, as dificuldades, as oportunidades, as circunstâncias. Apenas se transforma e adapta e, de vez em quando, não cabe dentro de ti, pega na caneta e rabisca o papel.
Árvores
Árvores são vida que dá vida. Embelezam e refrescam. São frágeis e imponentes. Saúdam o céu e guardam zelosamente segredos. Sobrevivem a muitas vidas que junto a elas descansaram ou se encantaram. São alimento e oferecem cumplicidade. São generosas e gratuitas. Despem-se das suas vestes e apenas a seiva denuncia a fragilidade que ocultam.
Olhar uma árvore velhinha e pensar quantas pessoas já ausentes a olharam também, quantas histórias ela partilhou, quantos segredos guardou, quantas crianças se deliciaram brincando ao seu redor, desperta sempre emoção, gratidão.
Olhar o que resta de uma árvore semi-consumida pelo fogo e na desoladora paisagem, vê-la suja e despida, saudando o entardecer, é sentir um imenso desencanto e muita raiva. E também muita tristeza. Por mim, mas muito principalmente pelos que no futuro encontrarão um mundo mais pobre.
O Porto
O Porto é uma bela cidade. Gosto do Porto. É a minha diocese. Talvez a primeira cidade que conheci em criança.
Lembro ainda vagamente a sensação de passar a Ponte D. Luís e olhar o rio, tão longe e tão imenso. Surpreendeu-me e assustou-me um pouquinho. Hoje continuo a gostar, ainda mais. Olhar a água e entrar no Porto passando por ela, já me dá prazer. E a paisagem é fabulosa. Lá dentro, a cidade fervilha, como quase todas, sinal de trabalho e dinamismo. E não só, claro. Não vou dizer que é o que mais gosto, mas é assim, para bem dos serviços e de quem deles depende. Também eu, algumas vezes.
Mas há um equilíbrio muito grande, um pulmão que respira e permite respirar. Uma envolvência paisagística agradável, com espaços bem aproveitados.
Muros e Vida
Também pode ser sinal de morte, não? Eu falo de vida que espreita das pequeninas veias que bebem não sei onde.
Vida de flores e heras bem agarradas à pedra, querendo embelezá-la ou escondê-la e protegê-la.
Gosto de muros com vida, sim. São sinal de que a vida também vive de mistério ou precisa de mistério. Ou simplesmente de intimidade e cumplicidade. Ou protecção.
Nenúfares
Uma maravilha. Prova provada de que a beleza é natural, espontânea. Surge no meio do lixo, na água parada, no meio do deserto, no local menos acessível… Enfim, muitíssimas vezes oculta num rosto sujo e mal tratado.
Os nenúfares são mais uma prova de amor delicada e terna.
Crianças
As crianças são o maior milagre que nos é dado como presente. Uma obra-prima, uma bênção.
São o futuro que não veremos e nos perpetua. São, no presente, um pouco de eternidade.
São a vida… a presença da vida, uma força que já não temos, mas nos contagia e nos fortalece. São a certeza e a esperança, um poema milagrosamente humano e divino.
Balões no ar
Balões no ar são sonhos de crianças.
Cheiro da terra húmida
Cheiro da terra húmida é cheiro de Verão onde semeio o Outono.
Vento
Gosto do vento mansinho e calmo, brincalhão.
Gosto da brisa da manhã trazendo o cheirinho a mar ou o vento das tardes quentes e soalheiras transportando o pólen e as sementes, soltando-as por aí, onde o Homem não tem chão. Gosto do vento do Outono sacudindo as árvores, brincando com as folhas espalhadas pelo chão, escondendo-as.
Gosto do vento que gosta de mim, em manhãs e tardes serenas.
Não gosto do vento aborrecido, zangado, que destrói e maltrata, nem do que chega pela noite, pé ante pé, para assustar o meu descanso e tranquilidade.
Andar
Andar é um privilégio.
Andar, respirar, escutar, admirar, surpreender-me…
A mobilidade é a diferença que nos separa de uma pedra, uma rocha, por exemplo, que apenas usufrui um pouco de chão e de céu.
Andar é ter o infinito como horizonte e descansar sobre a rocha, olhando o pôr-do-sol.
Livros
Os livros são os amigos que tu podes escolher e te adoptam sempre. Companheiros fiéis e silenciosos que escutas quando queres, mesmo que tenhas ignorado quando te pediram um pouco de atenção.
Disponíveis a todas as horas, não reclamam das tuas neuras, dos teus esquecimentos ou da tua indiferença. Gratuitos e generosos, partilham, conversam, instruem-te, levam-te a lugares que nunca visitarás, fazem-te rir, chorar e também sonhar.
(*)Maria de Lurdes, poeta portuguesa. Mora em Vale de Cambra. Publicou pela Editorial 100: Não espero nada e de nada faço os meus dias cheios de tanto, 2005
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