VERSIONES

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Versiones
Director, editor e operador: Diego Martínez Lora

Autor: Maria José Figueiredo-
(Portugal) - Título: Entrevista a Maria José Fugueiredo
Entrevistador: DML
Data: 24 - 12- 2007


Entrevista a Maria José Figueiredo(*)

(A propósito da publicação do seu livro Pelos rumos da ilusão pela Editorial 100)


Inspiração e trabalho poético

 

A inspiração para o meu trabalho poético vem de qualquer coisa que mexa comigo, que me desperte a atenção e acorde os sentidos, com a qual eu me identifique, que tenha a capacidade de me libertar a alma e soltar o que de mais profundo e belo existe em mim. Os poemas que vão constar no livro que a vossa editora me faz ajudar a fazer nascer é uma pequenina amostra do meu trabalho poético que abrange grande parte daquilo que sinto e sou.

 

Leituras e poetas preferidos (experiência como leitora)

 

Recordo com nostalgia o momento em que pela primeira vez tive nas minhas mãos um livro de poesia que me foi dado pelo meu irmão mais velho. Numa capa azul o dourado do nome Florbela Espanca obrigou-me a abri-lo como se o meu íntimo adivinhasse já o tesouro que eu buscava, sem saber, para preencher o vazio que sentia em mim. Não abri o livro na primeira página, abri-o a meio, li e depois escrevi sem hesitar o meu primeiro poema… nascia assim um novo mundo em mim. Hoje numa prateleira privilegiada da estante do meu quarto repousam vários livros de poesia, Fernando Pessoa e os seus heterónimos, Sebastião da Gama, Sophia de Mello Breyner, entre tantos outros. Numa outra é possível encontrar livros de Richard Bach e Steel, autores que me embalam a alma e me elevam a mente.

 

Que lugar ocupa a poesia na sua vida?

 

A poesia na minha vida ocupa um lugar de destaque. Num teatro de sombras e memórias foi, é e sempre será a actriz principal. Tem sido uma amiga, uma companheira e uma amante com quem me deito e levanto diariamente. Por ela e através dela movo montanhas, agito oceanos, agarro o brilho das estrelas, redescubro o meu mundo e renovo a minha esperança. Gosto mais de mim sempre que escrevo.

 

A solidão é a causa da poesia (compensação) ou a necessidade da poesia leva-te a procurar a solidão?

 

Citando alguns dos meus poemas “Estou só, como só estou sempre que escrevo!” simplesmente quero dizer que busco a poesia para preencher a solidão que às vezes me envolve e que desaparece quase como por magia sempre que pego num lápis e num papel para me dedicar à minha escrita. Há no entanto alturas em que busco a solidão para satisfazer a ávida necessidade de poetar. E eu não sou uma poetisa, sou um poeta porque a alma humana não tem sexo.

 

A influência da internet no teu processo criativo (estímulo e comunicação)

 

Como lhe disse há uns dias atrás gosto muito de escrever, não importa quando, onde ou como, nem o que desperta a minha vontade de o fazer, até um simples pacote de açúcar é digno de um pensamento ou de uma simples frase que nasce e permanece.

Na gaveta jazem centenas de papéis que encerram em si palavras escritas ao longo de muitos anos em que as novas tecnologias não dominavam o nosso quotidiano, em que só o papel e o lápis imperavam.

Ainda hoje os procuro apesar de ter consciência do quanto as novas tecnologias de informação me facilitariam o trabalho. Aliás a internet permitiu-me dar a conhecer ao mundo em primeira mão o meu trabalho e descobrir o que ele desperta naqueles que o lêem.

 

Publicar para quê?

 

Ver os meus poemas compilados num livro é um sonho antigo que me vejo agora prestes a realizar. Depois do nascimento do meu filho este será provavelmente o meu segundo flash na vida como um arco-íris de 2 cores que de tão simples se tornam intensas e únicas.

 

A poesia (sentimento poético) é uma realidade ou uma ilusão?

 

A poesia para mim é uma realidade porque através dela interpreto e reinvento o mundo que me rodeia, mas também acaba por ser uma ilusão porque esse mundo que é por mim recriado revela-se metamorfoseado, muito mais colorido, expansivo, sincero, MEU!

 

 

Quotidianeidade + poesia (processo criativo) = sobrevivência.

 

O meu dia a dia é um corrupio, ando sempre muito atarefada e quase não me sobra tempo para mim mesma e para aquilo que mais gosto de fazer. Mas aproveito cada pequeno momento mais calmo, para extravasar a minha força e energia escrevendo. A poesia é assim, o meu tranquilizante, o meu aconchego que por breves instantes me faz entrar dentro de um mundo que só a mim pertence e me faz sentir viva. É oxigénio para a alma, para o ser e para os sentidos. É nela que deposito o melhor de mim, a sinceridade pura e simples daquilo que nos faz renascer a cada dia.

 

O amor e o desamor motivos de poesia

 

A primeira vez que amei alguém escrevi poemas e mais poemas e mais poemas. Sentia-me feliz e a poesia era sem dúvida a forma mais bela de o exprimir. Juntando duas paixões tão fortes, nasceram, sem dúvida muitos dos meus melhores poemas... digo eu!

No entanto e em outras formas de amar voltei a escrever sem parar. A maternidade teve o Dom de me permitir expressar sinceramente os meus sentimentos. O meu filho é o meu melhor poema de sempre. Para ele escrevi "Tu és a melhor parte de mim" e quase me pareceu que estava tudo dito, até voltar às linhas soltas e libertar os sentimentos de mãe babada.

A falta de amor ou a ausência dele também me permitiu encher várias folhas de papel. A poesia servia-me assim de desabafo e então sentia-me melhor.

Os poemas fazem parte de mim como o sangue.

Neles existe Amor, Desamor, Saudade, Paz de Espírito, Solidão, eu sei lá uma infinidade de sentimentos. Tudo aquilo que um ser humano pode sentir.

"Eu não sou eu sem escrever, sem escrever não posso ser eu!"

 

A cidade (ou cidades) em ti

 

Não sou uma mulher da cidade, sou uma mulher do campo, das flores, dos rios a borbulhar enfim, das coisas simples mas essenciais da vida. Faz-me confusão o barulho da cidade. Não me deixa atingir a leveza  que me permite escrever. Não saberia viver numa cidade, sentir-me-ia sufocada por todos os lados. Talvez morresse em mim o mais importante, a leveza e a essência do meu ser.

 

Os limites da poesia

 

A poesia não tem limites!

Nasce e preenche completamente. Existe uma infinidade de coisas, pessoas e momentos para descrever. Temos o mundo inteiro para descobrir e fazer renascer em cada poema que se escreve. Limite para a poesia? Não! Se morrer um poeta ficarão por certo muitos outros que não deixarão desvanecer a arte de escrever.

"O meu poetar é limitado! Morre comigo..." mas outros continuarão.

 

Recomendações para a leitura da tua poesia

 

A minha poesia tem uma fácil leitura. Basta fechar os olhos, depois de a ler e transportarmo-nos para dentro dela e assim a alma flutua e a serenidade compensa.

Basta senti-la, para gostar dela.

Se não a sentirmos, não adianta querer gostar dela à força.

Ela é o que é. Vale por si quer aos meus quer aos olhos que a lêem e interiorizam.

 

Vigência da poesia nos tempos actuais

 

A poesia está constantemente presente no quotidiano de qualquer ser humano, é através de poemas, quer de autoria própria quer de autores conhecidos, que conseguimos expressar os nossos sentimentos.

Felizmente ainda existe muita gente a ler poesia, a utiliza-la e a escrevê-la também. Eu sei que a sociedade de hoje é muito prática e pouco é o tempo de que se dispõe para o lazer, a cultura e das coisas que nos fazem relaxar e estar de bem com a vida e com os nossos semelhantes.

Assim a poesia pode ser encarada como um escape, como uma forma de o ser humano se encontrar consigo e com os outros. Ela cria uma ponte entre o mundo exterior e o mundo interior de cada um, aquecendo quando o exterior é frio e arrefecendo quando por seu lado ele queima!

Estou convicta de que a poesia jamais deixará de envolver o mundo. Da minha parte darei, com certeza, o melhor de mim.

 

Mensagem para o público no dia da apresentação

 

A todos aqueles que se deslocaram até aqui hoje quero, principalmente, agradecer pelo carinho, pelo apoio, pela força e amizade com que me brindaram!

A presença dos amigos é o mais importante nos momentos cruciais da nossa vida, aqueles que iremos recordar sempre coma nostalgia característica dos bons momentos vividos.

espero que este meu livro, vos faça, de alguma forma, ficar um pouco mais de bem com a vida.

A poesia é um mundo maravilhoso que vale a pena descobrir e saborear.

da minha parte, e com a natureza dos simples: Obrigada!


(*)Maria José Figueiredo - Seia. Publicou Pelos rumos da ilusão.


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