texto breve de VERSIONES
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Director, editor e operador: Diego Martínez Lora
Texto: Ansiedade e solidão... UMA REALIDADE
Maria Teresa:
Ansiedade e solidão…UMA REALIDADE
Estava ansiosa nesse dia. Sem ter consciência dos motivos, sentia que devia sair de casa para evitar que tal se transformasse em negativismo existencial.
Pensei se devia levar automóvel ou se seria melhor ir a pé já que o facto de caminhar é terapia aconselhada em momentos destes. Podia antes telefonar a alguém a ver da disponibilidade para conversar um pouco, já que também a comunicação pode ajudar a resolver a ansiedade e se tal acontecesse com amigos “estrela” a minha capacidade emotiva poderia passar a serenidade ao ponto de começar a brilhar, evitando o escuro da depressão. Fiz três tentativas, em vão…
Resolvi, sair sozinha no automóvel que estacionei a pouco mais de um quilómetro de casa indo, ali perto fazer pequenas compras. Ao estar a pagar
na pequena casa comercial senti-me mal… desfalecimento. Sentei-me de imediato um banco que estava perto tendo encostado a cabeça sobre uma arca frigorífica do estabelecimento. Só então, a vendedora se apercebeu do meu mal-estar.
Chamou o 112 depois de perguntar diversas vezes para quem devia telefonar, tendo eu respondido, quão somente…112. Nessa altura ficou ela em aflição e eu ali á espera dos paramédicos que não me pareceu terem demorado mas aflitos por não me apanharem nem pulsação nem pressão arterial. Depressa me transportaram para o Hospital mais próximo onde fui reanimada e fiquei em observação durante a tarde inteira. Daí telefonei então, para uma amiga que prontamente se pôs a caminho para ir ter comigo ao Hospital. Para ela não tinha telefonado antes por ser sábado e saber que costuma ter o tempo preenchido. Apareceu mesmo na sala de observações para saber do meu estado de saúde perante a médica responsável, tendo aguentado até que ao fim da tarde informaram que eu ia ter alta, por nada de grave ter sido diagnosticado. Mas não foi embora sem me levar de comer já que no Hospital nada tinham dado salvo medicação que suponho ter sido para a ansiedade já que solitária deixei de estar a partir do momento em que entrei naquele espaço e durante horas seguidas esperei, ouvindo gritar uns e gemer outros, horas seguidas. E que químico poderiam dar para esse estado? A amiga também esperou que um dos filhos, o que estava cá, chegasse quando se deslocava para festejar o S. João em casa de amigos, ali perto. Só aí me lembrei que era 23 de Junho, a noite da festa mais popular no Porto e Gaia.
O filho deixou o saco que me levava com a roupa que lhe tinha pedido e uma garrafa de água tendo ido para a casa dos amigos.
Quando a alta foi dada estava ali sozinha depois de sete horas na Urgência para também sozinha ir para casa …Passei a noite em casa com receio que voltasse a desfalecer ou desmaiar e completamente só. Tal não aconteceu mas senti em mais nessa ocasião, além da solidão não desejada que a vida está presa por um fio e que a qualquer momento sem aviso prévio podemos perdê-la e na mesma solidão com que alguns viveram parte da vida.
Obrigada, no entanto a quem deixou tudo para horas seguidas permanecer perto daquela Urgência em comunicação comigo, mesmo sendo para ela uma dificuldade que aguentou. Tenho que sentir que a minha solidão não esteve sempre sozinha…”há uns e os outros” por enquanto, ainda!
(*) Maria Teresa, Vila Nova de Gaia. Publicará pela Editorial 100: Cardos e Quimeras
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